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"Fair and Balanced"

por Nuno Gouveia, em 03.11.09

O “novo” Público promete afastar a ideologia da sua direcção, corrigindo os desvios efectuados pelo anterior director, José Manuel Fernandes. Talvez assumindo o slogan da também “neutra” Fox News, a nova direcção editorial do prestigiado jornal pretende afastar-se do legado do anterior director do Público.

Num país onde a esmagadora maioria da comunicação social se assume como “independente”, o Público promete juntar-se a essa isenção que tão bem conhecemos: politicamente correctos, pouco dispostos a afrontar o poder político e sempre com uma inclinação mais ou menos notória pelo lado esquerdo da ideologia. José Manuel Fernandes foi um director polémico, que nunca se escusou a esconder as suas ideias, mesmo quando essas entravam em contradição com o establishment mediático português. Nunca lhe perdoaram ter tomado posição a favor da guerra no Iraque e as suas simpatias por George W. Bush, um crime neste país de virgens ofendidas. Tivesse ele tomado posição contra a intervenção no Iraque, como a esmagadora maioria dos media portugueses, e nunca teria sido acusado de falta de isenção. Mesmo quando nas mesmas páginas do Público líamos editoriais favoráveis à guerra e crónicas, reportagens e notícias contraditórias à posição do director. Em Portugal, para se ser considerado isento tem de se alinhar pelo politicamente correcto, que normalmente é o mesmo que dizer pela esquerda. E o mesmo se pode dizer de tantos outros assuntos, onde José Manuel Fernandes destoava do resto da redacção do jornal. Mas isso nunca impediu o pluralismo no jornal. 


lavagem de mãos e outras medidas profiláticas

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De Artis Long a 03.11.2009 às 21:28

Em princípio os meios de informação não deveriam servir para veicular acriticamente a informação cedida pelo estado nem por nenhum organização, embora seja essa a atitude reinante. E sim de tempos a tempos surgem excepções esporádicas. Mas não nos concentremos numa árvorezita ou outra e olhemos para a floresta.

Mas em que casos particulares está a pensar? Houve algum assunto que a TVI tenha falado e que as outras estações não? Não me parece...
Mas quanto à uniformidade de opiniões retratada nos mass media isso nem é o problema maior em Portugal (visto que isso é mais notório para assuntos internacionais), mas ela também está presente.
Lembro-me de um exemplo: o Magalhães que foi noticiado por todas as estações como sendo uma invenção Portuguesa logo no início, para algum tempo depois todas também noticiarem que afinal não era nada invenção Portuguesa e que apenas o tinham dito porque foi isso que o Governo lhes disse. Mas que raio de jornalistas são estes que em bloco não confirmam a veracidade de um facto e posteriormente em bloco lavam as mãozitas como se nada fosse?

Este tipo de exemplos podia multiplicar-se por muitas mais áreas. Veja por exemplo o debate em torno da gripe suína. Viu algum mass -media a exprimir a opinião que isso é apenas mais uma maneira da indústria farmacêutica lucrar uns quantos milhões? Viu alguma notícia (digna desse nome - não me refiro a referências que são praticamente notas de rodapé) sobre o facto da gripe sazonal ser tão ou mais mortífera que a gripe suína?

Depois compare o tempo que este tipo de notícias teve com a ida de Cristiano Ronaldo para o Real Madrid ou com o tempo que teve a primeira assistência para golo de Cristiano Ronaldo. Os media servem para muita coisa, mas informar de certeza que não é uma prioridade.
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De Maria da Fonte a 03.11.2009 às 22:56


Mas alguém espera imparcialidade, rigor e idoneidade numa imprensa que não é livre?!
Se a denominada "Comunicação Social" (pavorosa designação), é subsidiária de grandes grupos económicos, está veiculada à transmissão do "ideário", do Establishment.
É assim uma espécie de Publicidade Institucional!!!

Maria da Fonte
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De Artis Long a 04.11.2009 às 12:45

Tal e qual!

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