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Simão, o Aprendiz de Intelectual

por Sofia Bragança Buchholz, em 04.11.09

Personagens:
• Simão, 9 anos
• Eu

Cenário:
Recomeçaram as aulas de música. Ao fim da tarde, vejo o Simão entrar em casa, cabisbaixo, [surpreendentemente] pouco falador, depois da primeira lição de piano deste ano.
Estranhando, pergunto-lhe:

Acção:
– A aula correu bem?
– Sim, correu – responde desanimado.
– O que é que estiveram a fazer? – Interrogo para tentar entender o motivo de tal desmotivação.
– Tivemos de tocar uma música para a professora perceber o que ainda sabemos. – E, depois, como se aquilo o estivesse, ali, a entalar, acrescenta: – Tenho uma colega nova. Russa.
Eu repito entusiasmada:
– Tens uma colega nova russa???! – E, curiosa, quero saber: – E o que é que vocês tocaram?
Ele responde resignado:
– Eu toquei o Balão do João. Ela... – suspira profundamente – tocou Bach.

 

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comentários

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De José Manuel Faria a 04.11.2009 às 17:19

E ainda se queixam do comunismo!
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De p D s a 04.11.2009 às 17:29

Começo a desenhar um "bloquista" em potencial...

...será dificil incutir-lhe nos anos mais proximos as vantagens do Capitalismo....loloolololololol !!!
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De Luísa a 04.11.2009 às 17:33

Como eu percebo o desânimo do Simão!!

Claro! Viva o comunismo porque uma miúda sabe tocar Bach. Isso lembra a máxima: "pão e circo". Só que não sei bem onde está o pão...
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De p D s a 04.11.2009 às 18:38

(ideologias á parte! e esquecendo as "piadas ironicas" que pelos vistos não consegue atingir...)

Bem:
 Se não consegue perceber as diferenças entre uma piada e a defesa de uma ideologia.

 Se não consegue distinguir uma liberdade ironica, de uma proclamação de fé.

Se compara BACH ao "circo".

Então, temos pena, mas:

  É natural que não veja o pão...
  ou tipo em portugues:
  É natural mesmo que "não veja um boi" !

( e nem estou a afirmar que exista, mas se existir não irá  ve-lo nunca!)


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De Luísa a 05.11.2009 às 15:21

Caro p D s,

a ironia, como toda a gente sabe, é (numa definição grosseira) uma forma de transmitir uma mensagem dizendo as coisas ao contrário. Mas também toda a gente sabe que, por vezes, não é fácil “atingir” a distância que há entre o que foi dito e o que realmente se quer dizer, muito menos com uma única frase - isolada de tudo o resto. Quando vemos a cara de quem diz a ironia, quando conhecemos o estilo de quem a escreve, não precisamos de mais do que uma simples frase para perceber se é ironia ou não. Aqui no caso, eu não vi a sua cara, eu não conheço a sua maneira de ser, eu não conheço o seu estilo de escrita, eu não vi contexto (falo de texto escruito por si, não me refiro ao texto “Simão, o Aprendiz de Intelectual”), logo não percebi que era ironia. Pode ainda argumentar que eu devia ter visto que se está a falar da Rússia, de uma criança/adolescente e não da URSS e/ou de um senhor com idade para ser meu avô e por aí fora, sem dúvida. Mas aí era preciso pensar num “montão” de coisas para se perceber a ironia. Se a ironia, para ser uma figura de estilo bem aplicada, não deve ser óbvia, também não deve ser rebuscada.

Quanto a Bach ser comparado ao circo. Não me julgue assim tão ignorante (sou-o, mas nunca fui dada a exageros). Apesar de não ter destreza para tocar “O Balão do João” (o Simão é um herói para mim mesmo que “só” saiba tocar isto), ainda sei distinguir cantatas de Bach do circo, seja ele da forma como nós o conhecemos nos dias de hoje, seja da do tempo do Império Romano.

Como eu pensava que estava mesmo a defender o comunismo, pensei que o circo (o entretenimento em geral, não a música de Bach) pode ser bom quando se tem o que comer, quando se tem a liberdade e por aí fora, mas que não tem qualquer interesse quando falham coisas que são, pelo menos no meu entender, mais importantes do que qualquer composição do senhor russo que é mencionado num dos filmes da Marilyn Monroe. O senhor não me conhece, no entanto, se conhecesse, iria saber que eu gosto muito de música, mas que prefiro ter a barriga cheia e poder falar sem medo de estar a ser mal entendida.

Só que... lá está... como eu não vejo um boi... faço aqui o “mea culpa” e peço desculpa por o não ter entendido.

Agora o que eu não entendi mesmo, mesmo foi os seus primeiros parênteses: se era ideologias à parte e esquecendo as piadas irónicas (que eu não tenho capacidade para entender), porque continuou a escrever? Escusa de responder, esta é uma pergunta retórica, outro recurso estilístico muito usado na literatura, e não só, desde o tempo dos Romanos.

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De Raul a 04.11.2009 às 18:27

Carissimo

Há mais pessoas no mundo a saber tocar Bach. E não é uma criança que me intimida com os seus dotes musicais...
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De Chessplayer a 04.11.2009 às 18:38


Mas o que tem a ver o comunismo com Bach? Já agora, amanhã vou assistir no Centro de Congressos do Arade (Portimão) à "Carmina Burana". Terá, também a ver com o comunismo?
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De Neo a 05.11.2009 às 14:37

as 3 coisas boas do comunismo:
educação, saúde* e desporto
as 3 coisas más:
o pequeno almoço, o almoço e o jantar.

* saúde seguramente não pelos cuidados efectivos mas baseado em Darwin e o Survival of the fittest
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De Luis Melo a 04.11.2009 às 18:41

Deixa lá Simão... com esforço e dedicação lá chegarás. E tu também tens coisas que ela nunca terá...
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De David Silva a 04.11.2009 às 21:22

Quantos de nós não temos momentos desses? O momento em que percebemos que afinal... não somos assim tão entendidos em algo, que afinal não sabemos assim tanto de uma banda, que afinal não somos assim tão bons...

É bom que o miúdo tenha já essa percepção. Vai torná-lo (esperemos) mais humilde e mais dedicado. Quanto mais cedo, melhor!
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De Ega a 04.11.2009 às 22:23

Moral da história: 20 anos depois, a pequena ainda vive o sindorma: ou aprendes Bach ou és comida ao pequeno-almoço.
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De Marquesa de Carabás a 04.11.2009 às 23:41

A música é estraordinariamente importante na formação de uma criança. Nos Países de Leste, como nos Países escandinavos isso é regra. Em Portugal começa a haver mais escolas.
A aprendizagem da música estimula a concentração, a capacidade de improviso, a coordenação, a auto diciplina, a atenção.Ajuda no raciocinio matemático e abstracto em geral.
Para o Simão: Le petit livre d'Anna Magdalena Bach. Acho que deve ter sido alguma dessas peças que ela tocou :) Agora é só treinar


Cumprimentos,


Marquesa de Carabás

 
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De João Costa a 05.11.2009 às 01:20

É impressão minha ou os comentadores deste post ainda pensam que a Rússia faz parte da União Soviética? É que a colega do Simão, deve ser no máximo, adolescente.

Ou então não conseguem perceber, que há países, onde o ensino é levado um pouco mais a sério que em Portugal, e cujo legado das respectivas ditaduras, deixou coisas boas.
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De Peta a 05.11.2009 às 14:03

Na minha opinião pessoal o Simão não tem jeitinho nenhum pra música...porra, sempre a culpar o sistema...as pessoas nunca tem culpa de nada...

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