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Coerências

por João Moreira Pinto, em 27.12.09

Das cenas mais enternecedoras da época natalícia é ver ateus militantes a desembrulhar presentes, escandalizados que estão com o materialismo da época. Gozam o subsídio de Natal, aproveitam a tolerância de ponto, ouvem as palavras do amado líder, enquanto lhe pedem um Estado laico. Querem as escolas sem cruzes, uma sociedade livre dos estigmas judaico-cristãos e sonham uma sociedade iluminista, racional e cientificamente perfeita. Sonham de olhares fixos no céu e brilhantes, reflexos das decorações de Natal. joaompinto


lavagem de mãos e outras medidas profiláticas

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De josemapefonseca a 28.12.2009 às 01:17

Bem assim não vamos lá, muito embora seja demasiado fácil bater nos ateus, que diabo eles que tenham o seu menos santo natal como muito bem desejarem mas ainda bem que existem senão era uma monotonia de socretismo, gaysmo, mais ismo menos ismo, hipismo sem sela, enfim, até o bestialismo à campillho tem lugar. A distribuição do 14º mês não deriva da quadra natalícia mas de uma forma pouco inteligente de distribuir o rendimento mensal de Estados "atrasados" como o nosso, por isso o ateu o judeu e o "meu" têm tanto direito quanto eu ao pecúlio sem subtracções injustificadas. É demasiado fácil bater em ateus que de quando em vez são apanhados a dizer uns adeus adeus, em versões perfeitamente razoáveis e nada gays, esses pobres infelizes atormentados em encontrar algo em que acreditar que passam a vida a dizerem que são ateus, agnósticos, laicos entre outras trivialidades do género, como se toda a gente no seu âmago o não fosse mas que no final acabam sempre a acreditar no mesmo deus (desta vez já com D grande) como facilmente ficou provado no caso do cárcere de Bertrand Russell  por este opor-se à entrada da Grã-Bretanha na guerra, perante o carcereiro que o questionou sobre a sua crença ele retorquiu que era agnóstico, tendo o carcereiro insolente ironizado que no final do seu último estertor todos acreditavam no mesmo deus. Em suma, toda essa gente também tem direito a um lugar ao Sol, que quando nasce nem sempre é para todos. É já clássico dizer-se a um ateu que há-de haver um momento que ele, o ateu, em toda a sua plenitude não irá estar disponível para cruzar ou colocar os braços sobre o tronco mas que alguém o irá fazer por ele, quase sempre num momento de recolhimento e não menos solene, enfim, faça-se segundo a sua vontade e atice-se a tocha para atear a pira.

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