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O 31 é muitas coisas e algumas delas são muito boas

por Laura Abreu Cravo, em 08.01.10

Não queria voltar a este assunto, mas tenho continuado e ler sobre ele em caixas de comentários e no Twitter, e parece-me ser altura de alguns esclarecimentos:

1) Eu não tenho, nem nunca tive a postura de que não se pode fazer humor com determinadas coisas. Aliás, sempre defendi que se pode (e deve) fazer humor com tudo. O que não é indiferente, para a aferição concreta, é se o emitente daquela declaração está a fazer uma piada ou uma declaração de princípio. E quando se está a fazer uma declaração de princípio, não vejo qual poderá ser o problema de se encontrar uma resposta de alguém que discorde. Foi só isso que aconteceu com o Rui Tabosa. O Rui fez uma piada que eu achei ser uma declaração de princípio e eu respondi-lhe.

2) Quanto à saída do Rui, devo esclarecer que não a pedi, não conspirei para que ela acontecesse e muito menos tentei reunir apoios para causá-la. Limitei-me a discordar publicamente de um post do Rui. Quaisquer esclarecimentos adicionais sobre essa matéria, que eu própria desconheço, deverão ser pedidos ao Rui ou ao Rodrigo Moita de Deus. Espero que isto seja suficiente para esclarecer todos os bloggers e twiteiros que andaram muito angustiados com a ideia de falta de liberdade de opinião no 31 (podem todos voltar às vossas vidas.

3) Por fim, a minha própria declaração de interesses: a minha reacção ao post do Rui não foi necessariamente a expressão de uma opinião sobre casamento homossexual (embora, em rigor, o teor coincida). Trata-se de uma coisa que é, essa sim, uma luta antiga na minha vida. A direita é constantemente reconduzida ao cliché do marialva reaccionário e ultramontano e é naturalmente muito mais fácil fazer essa recondução imediata e quase pavloviana quando é legitimada por um certo tipo de discurso. E a razão pela qual eu faço parte do 31 da Armada é porque este blogue acolhe muitas direitas (tantas que passamos mais tempo a discutir uns com os outros em vez de discutir com outros blogues). A graça deste grupo está em acolher na mesma mesa as formas mais díspares de se ser a favor ou contra alguma coisa. Em concreto, sobre esta questão do casamento homossexual foram escritos dois posts, ontem, pelo Jacinto e pelo Nuno, dos quais discordo, mas que são parte de uma forma séria e honesta de debater questão. Porque a forma é também conteúdo, não só nesta, mas em todas as discussões. E eu confesso que estou um bocadinho farta de ter de encontrar justificações para defender a minha direita. Já não perante os outros, mas perante mim mesma.

4) De tudo isto, não retirem, contudo, uma subscrição do que disse aqui a Isabel Moreira. Estimo-a, mas não concordo com o que escreveu, nem com a sua opinião sobre o Manel. E também por isso  por isso achei importante escrever este post.