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Se o país não endoideceu, anda lá perto...

por Francisco Proença de Carvalho, em 04.02.10

Não sei se muitos já se aperceberam disso, mas estamos a criar um país perigoso.
É perigoso:
- Um país em que se banalizam as escutas telefónicas como meio de prova e, pior, mesmo que inválidas, publicam-nas impunemente na internet e meios de comunicação social;
- Um país em que qualquer pessoa já pensa duas vezes antes de falar ao telefone;
- Um país em que se faz política com base em escutas telefónicas judiciais declaradas nulas;
- Um país em que um Juiz de um Tribunal de 1.ª Instância, impunemente, não cumpre despachos do Presidente do Supremo Tribunal de Justiça;
- Um país em que a maior parte dos casos mediáticos e importantes vão parar às mãos de um único Juiz de Instrução (como acontece no DCIAP);
- Um país em que um jornalista (à noite) e opinion maker (de manhã) pretende noticiar e opinar com base em alegadas escutas de um amigo de supostas conversas de café de terceiros;
- Um país em que um grupo de deputados do partido do governo propõe a publicação na internet dos rendimentos dos cidadãos como forma de combate à fraude e corrupção.
Isto não é o país das maravilhas… Temos muitos problemas. Mas talvez seja melhor ter alguns corruptos, do que viver num país de bufos, invejosos e vouyeurs. Espanta-me ver tanta gente a apoiar determinadas causas e a achar que os fins justificam todos e quaisquer meios. Repito: isso é perigoso, muito mesmo…


lavagem de mãos e outras medidas profiláticas

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De bicho mau a 06.02.2010 às 01:46

Pois é,filho,isto é um país horrivel.Num país a sério,o teu paizinho,protector e protegido do Sócrates,como foi(por sistema e táctica) de muitos outros mandantes,num país a sério,repito,com justiça a sério,já estaria dentro ha muitos anos.Não se percebe por que te queixas.Será só para o Sócrates te ler? Ou para seres citado pelos blogues socretinos,mostrando serviço? já agora,quantos milhões é que o teu paizinho ganhou por conta do governo do Sócrates? E quantas negociatas e tranquibérnias de outros milhões lhe viabilizou o Pinóquio?
Tem vergonha,pá!
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De Luis Santos a 09.02.2010 às 18:42

Mário Crespo e a Liberdade


Muito interessante o que escreveu Vasco Pulido Valente no Público:


 [jornal.publico.clix.pt (http://jornal.publico.clix.pt/noticia/05-02-2010/o-caso-crespo-e-a-liberdade-18735755.htm)] - O "caso Crespo" e a liberdade - O primeiro-ministro resolveu almoçar com o ministro da Presidência e Jorge Lacão no restaurante do Hotel Tivoli, que é notoriamente frequentado por personagens da política, do jornalismo e dos negócios. Foi um almoço de amigos ou, pelo menos, de colegas de trabalho. Sem qualquer dúvida um acto privado. A certa altura, o director da SIC e Bárbara Guimarães pararam uns minutos na mesa dele e o primeiro-ministro, provavelmente inspirado pela companhia, resolveu dar a sua opinião sobre Mário Crespo, com quem anda com certeza furioso por causa do programa Plano Inclinado. Para Sócrates, como seria de esperar, Mário Crespo é um "problema a resolver", e devia (com Medina Carreira) estar higienicamente metido num manicómio. As pessoas sempre falaram assim na intimidade. Dizer mal do próximo é um prazer velho como o homem. Mas Sócrates falou alto de mais. Tão alto que um coscuvilheiro qualquer conseguiu ouvir e começou a divulgar a conversa, ninguém sabe, ou pode saber, com que exactidão e respeito pela verdade. O que não impediu Mário Crespo de se erigir tragicamente em vítima e de contar o episódio numa "coluna" do Jornal de Notícias, que o director do dito jornal (que não é em bom rigor um tablóide inglês) se recusou a publicar. Isto provocou um enorme escândalo na imprensa e na televisão, que tomaram indignadamente o partido de Crespo e trataram Sócrates como se não houvesse a menor diferença ente o restaurante do Tivoli e a Assembleia da República. Não se percebe porquê. Parece que o primeiro-ministro não tem direito à privacidade ou que de repente a coscuvilhice se tornou numa fonte fidedigna e usável. Se de facto assim é, daqui em diante nenhuma personagem com alguma notoriedade pública fica ao abrigo dos piores vexames. Nada agora, eticamente, impede que a imprensa e a televisão recrutem bandos de espiões com o propósito de recolher ou "extrair" todo o lixo disponível sobre criaturas de quem não gostam ou que, em geral, atraem audiências: políticos, músicos, jogadores (ou treinadores) de futebol e até, calculem, jornalistas. Claro que o exemplo vem de cima: vários deputados do PS já querem revelar na Net os rendimentos de cada um de nós. Tarde ou cedo, mais cedo do que tarde, vamos viver numa sociedade ao pé da qual a Ditadura passaria por um regime tolerante e digno. O "caso Mário Crespo" contribuiu consciente ou inconscientemente para apressar as coisas. Portugal nunca, no fundo, se habituou à liberdade.


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