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Os filhos de pais divorciados também têm família.

por Henrique Burnay, em 21.02.10

Só na cabeça de quem confunde família com casamento é que a lei dos casamentos gay ameaça a família. O que ataca "a família" é a falta de liberdade de escolha na educação, a penalização das famílias numerosas nos impostos e nas taxas municipais e por aí fora.  A Lei dos casamentos gays pode ter muitos defeitos - tem e eu sou contra e se for preciso volto a explicar porquê - mas não ameaça a família. É, acho eu, uma utilização errada da lei para promover uma aceitação social, entre outras coisas. Mas não é uma ameaça à família.

Tentando explicar isto de uma maneira que até quem foi à manifestação pode perceber: os filhos de pais divorciados também têm família.

 

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De A. Machado a 21.02.2010 às 17:52


Alguém já viu o anúncio da "Luta contra a SIDA", em que um casal homessexual usa preservativo? Um dos responsáveis pela campanha afirmou que pretendiam sensibilizar os homossexuais para o uso de preservativos tanto em relações fortuitas como em relações estáveis. Alguém me explica porque razão não há um anúncio semelhante para os heterossexuais? É que eu fico a pensar que eles sabem de alguma coisa que eu não sei!
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De Réspublica a 21.02.2010 às 18:33

O erro são o termo "relação estável" aplicado aos homossexuais, que são, por natureza, instáveis e se envolvem em caso fortuítos, basta ver que a sida tem maior incidência na comunidade homossexual...
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De A. Machado a 21.02.2010 às 19:53



ARTIGO 1672º


(Deveres dos cônjuges)


39 de 182


Os cônjuges estão reciprocamente vinculados pelos deveres de


respeito, fidelidade, coabitação, cooperação e assistência.

Quer dizer que isto terá de, dentro em breve, ser alterado para pudermos morar debaixo da mesma lei?
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De Réspublica a 21.02.2010 às 19:59

Então e porquê, acha mesmo que a lei do casamento homossexual alguma vez vai entrar em vigor!!!
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De A. Machado a 21.02.2010 às 21:06

Com franqueza, agora, não. Vai ao Constitucional e volta para trás. Depois, depende das forças políticas da altura, no Parlamento. Esse cenário, para mim, não está afastado, não acha?
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De Réspublica a 22.02.2010 às 09:25

Obviamente que não o TC vai decretar a inconstitucionalidade da lei, depois cai o parlamento e de seguida volta o PSD para o governo e revoga a lei do aborto e criar um qualquer instituto constitucional que impede, sequer, a lei do casamento gay de voltar a ser discutida.
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De João a 22.02.2010 às 01:30

Tem mais incidência na comunidade homossexual devido à promiscuidade ou devido ao acto sexual ser mais propenso à transmissão do vírus? Os heterossexuais têm menos sexo fortuito é isso?
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De Réspublica a 22.02.2010 às 09:22

Obviamente que os homossexuais são mais promiscuos.
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De João a 22.02.2010 às 01:20

Há tempos apareceu um anúncio com a mesma mensagem (relações estáveis) para casais heterossexuais.
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De João a 22.02.2010 às 01:29

Não era este mesmo anúncio que procurava, mas uma rápida pesquisa mostra uma campanha onde aparece um casal heterossexual com uma relação (presume-se) estável e que usa preservativo:

http://www.youtube.com/watch?v=Y3FQGvEau0I

Veja a partir dos 22s.

Já conto duas campanhas onde aparecem casais heterossexuais em relações estáveis.

Deixe de ser hipócrita e tentar meter veneno em relações que muito provavelmente nem conhece, com base em preconceitos que os macaquinhos na sua cabeça criaram.
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De A. Machado a 22.02.2010 às 09:53

Não são macacos, são comportamentos de pessoas.

http://ipsilon.publico.pt/livros/entrevista.aspx?id=242368 (http://ipsilon.publico.pt/livros/entrevista.aspx?id=242368)
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De João Moreira Pinto a 21.02.2010 às 18:25

Muito bem Henrique. Aliás, eu também sou contra chamar-se casamento ao que não é. Infelizmente, não me identifiquei com a mensagem publicitada no cartaz da manifestação. Fazia prever radicalismo e ignorância. Foi o que aconteceu.
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De Z a 21.02.2010 às 22:15


João, não houve radicalismo nem ignorancia.

Houve uns parvalhões armados em fascista que tentaram arranjar confusão. A propria organização da manifestação impediu-os.

Estavam 10 mil pessoas. Não julgue uma manifestação pelo que vinte dos seus participantes tentaram fazer.
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De João Moreira Pinto a 21.02.2010 às 22:32

Não me referia só aos grupos de extrema-direita. Referia-me também a cartazes que entendem que existe só um tipo de família e a outros tão ridículos como 'o meu neto tem avó'. Sei que a organização tinha a melhor das intenções, mas deveria ter se cingido ao essencial: temos direito por lei a um referendar e discutir como deve ser este tema.
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De Henrique Burnay a 21.02.2010 às 22:57

Tal como o João, eu não estava apenas a pensar nos radicais de extrema direita. Estava mesmo a pensar nos "moderados". É o conceito da manifestação: a defesa da família, como se a família é que estivesse em causa, que recuso. E é por isso tudo que também recuso o referendo, porque iam referendar a sexualidade. Isto dito, insisto, sou contra a lei do casamento gay.
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De João Moreira Pinto a 21.02.2010 às 23:26

Henrique. Sabe Deus (para dar uma de ultracon) o que me custaria referendar esta questão. Da mesma forma (ou talvez um bocadinho menos) me custou referendar o aborto. Só que por vezes é a única arma contra o poder esmagador dos políticos sentados na AR.
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De Anónimo a 21.02.2010 às 23:08


João,

os cartazes n davam a entender isso. O único ponto dos cartazes é de que o casamento era entre homem e mulher e só de um união entre homem e mulher pode nascer uma familia.

É evidente que a vida é complexa e por isso a familia n se limita a casados e pais de filhos. Nem ninguem da organização (e isso posso assegurar-lhe já que fui um dos responsaveis pela mesma) pensa isso.

Acho profundamente desagradavel que nos chame radicais e ignorantes. Muitas das pessoas da organização trabalham  no apoio a grávidas em dificuldade, no apoio a crianças em situações complicadas. Acho no minimio arrogante achar que eles n sabem nada de um assunto com que a maior parte de nós lida diaramente, com sacrificio.
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De Z a 21.02.2010 às 23:09


O ultimo comentario era meu.
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De João Moreira Pinto a 21.02.2010 às 23:19

Alto lá. Não chamei à organização nem ignorantes nem radicais. A mensagem passada é que atraia este tipo de manifestantes. Mais, conheço algumas das pessoas na organização e são das pessoas que mais estimo na política.

E, sobre a família, vai-me desculpar, mas temos as chamadas 'novas famílias'. Na verdade, sempre existiram, mas isso não é chamado para aqui agora. O facto é que existe uma vontade/pressão maior de as enquadrar legalmente. Foi assim com os 'unidos de facto', mas existem outras minorias. Lembro-me de dois casos de sobrinhos que viviam com tios e que se viam desprotegidos fiscalmente e na doença.Temos que dar resposta a estas famílias, mas não obviamente não vamos sair por aí a casá-los.

Repito, casamento é entre homem e mulher. Como sempre foi. Antes da sociedade se reconhecer como tal. Há famílias sem casamento.
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De Henrique Burnay a 21.02.2010 às 23:57

O problema está aí:"O único ponto dos cartazes é de que o casamento era entre homem e mulher e só de um união entre homem e mulher pode nascer uma familia."
Se quiser simplificar, casamento haverá só um, famílias há muitas. Não nego a qualidade de muitos que participaram - conheço alguns - mas recuso o discurso.
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De Z a 22.02.2010 às 00:14


Henrique e João,

é evidente que existem casos familiares complexos. Ninguem duvida disso. Dois sobrinhos que um tio cria são sem duvida uma familia. Uma mãe solteira com o seu filho são uma familia. Os netos entregues aos avós são uma familia.

Mas isso são circunstâncias imposta pela vida, não criadas artificialmente pelo Estado. Por isso gritamos que o casamento é entre homem e mulher, que o estado não é dono da familia e familia, familia.

Ninguem disse que a familia só podia ser um casal. O Henrique tem razão, familia há muitas casamento há só um. A primeira pessoa a quem ouvi essa frase foi à Dra. Isilda Pegado, que como deve saber é uma das principais responsaveis pela P. Cidadania e Casamento.

Acho infeliz resumir a manifestação de ontem a uma questão à volta dos cartazes, que substancialmente não altera nada.
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De Luísa a 22.02.2010 às 01:36


Por essa sua teoria não se poderia adoptar... porque um casal heterossexual que adopte uma criança está criar uma situação, não está a conceber nada naturalmente e a criança não lhes é imposta pela vida...
Eu percebo a ideia do autor do post e estou com ele até quase tudo. Concordo com a "união de papel passado" dos casais homossexuais, casamento, união... podem chamar-lhe o que quiserem, isso é só um nome...
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De Ana Matos Pires a 22.02.2010 às 10:39

Fantástica esta passagem para "casos familiares complexos" com ponto de partida nos diferentes modelos de família, fantástico e significativo. Enfim.


A Jonas escreveu um post curioso sobre essa coisa das "circunstâncias da vida", recomendo: http://jonasnuts.com/357113.html
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De Anónimo a 21.02.2010 às 23:06

Henrique,
Qual serà a percentagem de pessoas presentes na manifestação, que tb. (ainda) são contra o divórcio?...
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De Anónimo a 22.02.2010 às 00:57

Desculpe lá, Caro HB, mas a ameaça consiste em tornar o casamento - fonte de laços de família - em algo que de abarcar tanta coisa, deixa de ser  o que é. As palavras têm valor. Muito valor. Ao contrário da direita a esquerda sabe bem disso.

P.S. Os pais divorciados e so seus filhos são família. E os filhos de pais não casados também. E? Não sabemos todos o que está em jogo?
«Eles» sabem.
Talves por saberem destas coisas governem este país há tanto tempo e em total impunidade. E sempre com a ajuda de uma numerosa coorte de idiotas úteis e prestáveis - e alguns deles até grátis. 

 
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De Herr Flick a 22.02.2010 às 09:55

Já não há pachorra para esta temática.
Lidar com gentinha dúbia é exasperante.
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De Anónimo a 22.02.2010 às 12:46


Então um grande abraço ao Sid.
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De Herr Flick a 22.02.2010 às 13:43

Dar-lhe-ia com todo o prazer, embora este apelido não tenha nada a ver: 

Elizabeth Barrett Browning

Contudo, os meus parabéns pelo seu dom da ubiquidade.
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De Anónimo a 22.02.2010 às 19:02


E a minha admiração pela excelente marca de armas venatórias que representa!
Com todo o meu respeito...

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