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Como de costume, o medo.

por Henrique Burnay, em 13.03.07
Marine Le Pen, filha do famoso extremo-direito francês, esperou que os restantes participantes no debate se calassem, abriu a carteira muito feminina e tirou lá de dentro dois alicates. "Este, diz made in china", custou um Euro. Este outro, comprei-o numa loja de bricolage, custou doze Euros." Da mala ainda saíram mais uns quantos objectos semelhantes, até que a loira Le Pen disse o que se esperava: é impossível concorrermos contra estes preços. Temos de aplicar taxas alfandegárias diferentes, em função das condições socais dos países". Não os podemos deixar entrar, entenda-se.
O que mais impressionou no pequeno espectáculo não foi o que a senhora Le Pen fez ou disse. O circo é suposto vir incluído nas actividades de gente assim. O mais impressionante foi a falta de uma resposta firme e imediata. Para os restantes participantes no debate televisivo - gente de todos os partidos -, como parece ser para quase todos os políticos franceses, a concorrência é uma ameaça insuportável e o proteccionismo uma resposta óbvia. Sejam magrebinos, canalizadores polacos ou alicates chineses, a primeira resposta francesa é sempre a mesma: fechar a porta. Invariavelmente dá mau resultado. 
E, no entanto, numa coisa Marine Le Pen tem razão: os alicates chineses são, inevitavelmente mais baratos do que os produzidos em França. Ora, não sendo viável proibir os franceses de comprar alicates mais baratos - nem sendo do seu interesse,  coisa que um dias os próprios franceses compreenderão - era importante que entre os 27 dirigentes europeus, mais os 27 Comissários, alguém considerasse a economia europeia o mal maior da União e a sua prioridade. Infelizmente, de quem poderia vir a reposta não vem grande coisa. Na sua primeira declaração sobre o que ia ser a presidência alemã, Walter Steinmeier, o Ministro dos Negócios Estrangeiros de Angela Merkel, declarou que a prioridade era o "putativo" Tratado Constitucional.
Se o maquinista não percebe que o comboio se dirige a alta velocidade contra a parede, resta esperar que a parede perceba.

Couve-de. Bruxelas. Isto, e muito melhor, na Atlântico que está nas bancas.


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