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Um amigo chamou-me à atenção para o artigo de Theo Vermaelen ontem no Financial Times. Theo Vermaelen é um professor de finanças no INSEAD em Fontainebleau que vem pôr a vivo a questão dos incentivos económicos dados aos políticos. A realidade é que hoje os nossos políticos são mal pagos e não têm qualquer incentivo para tomar decisões acertadas ... aliás eu diria que têm todo o incentivo para não tomar decisões. Em política tomar decisões tornou-se mais arriscado do que não as tomar e por isso o grande objectivo de um político que se preze passou a ser a sua reeleição no curto prazo. Para garantir tal reeleição nada como endividar o estado, utilizar a dívida para aumentar benefícios sociais a determinadas camadas da população, garantindo assim mais votos potenciais e logo um futuro político. O problema é que essa dívida que se vai acumulando não será paga por eles mas por nós. Theo Vermaelen propõe, que por um lado os políticos fiquem responsáveis através de garantias pessoais sobre a dívida que incorrem ao longo do tempo, por outro lado que parte do salário seja condicional aos resultados obtidos por estes. Por exemplo, poderíamos condicionar parte do salário de uma equipa de governação a um determinado rácio de dívida publica. Obviamente que estas medidas são académicas e em certos casos impraticáveis. No entanto, a verdade é que, mais tarde ou mais cedo vamos ter que repensar como podemos dar os incentivos certos aos nossos políticos para que não pensem apenas no curto prazo, mas que apostem em medidas estruturais que nos garantam um futuro sustentável. Muitas vezes não são os políticos que são maus, são os incentivos que lhes damos que estão errados.

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comentários

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De Arnold Layne a 29.05.2010 às 08:52

É um " emprego" tão mau e tão mal remunerado que  ninguém quer...tem sido complicado encontrar quem nos queira governar nos últimos anos, tem sido necessário pedir por favor!

O que tem que acontecer é responsabilizar quem lesa o pais por tomar más decisões, e a maior parte das vezes essas más decisões são voluntárias e sabe-se á partida quais serão as consequências.

O que é necessário é ter o mínimo de patriotismo, e tudo o que nos tem aparecido a governar nos últimos tempos tem  sido Xico-Espertos a fazer pela vida! !
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De João PS a 29.05.2010 às 09:39

Isso é desresponsabilizar totalmente os nossos políticos. Disparate.
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De Moedas a 29.05.2010 às 09:55

Defina responsabilidade? Se fossem responsáveis não estaríamos onde estamos. Certo? Tem que concordar que o tema dos incentivos é crucial! Obrigado pelo comentário.
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De João PS a 29.05.2010 às 16:51

O inverso do incentivo é que devia ser aplicado. A punição pela incompetência e pela irresponsabilidade. Guterres é pouco incentivado? Santana Lopes também? Durão idem? Punimos pouco aqueles que se aproveitam da coisa pública com fins puramente pessoais, re-elegendo-os ou permitindo que continuem em altos cargos depois de terem demonstrado incapacidade. Quem não quer ser político porque paga pouco seja outra coisa. Do ponto de vista de remuneração já são melhor pagos que a generalidade da população. Além disso esse paper do Insead provavelmente aplica-se a políticos de outra craveira que não os nossos. Os nossos já são bem pagos demais para o serviço que prestam.
  
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De Duarte Nunes a 29.05.2010 às 11:02

Não é necessário ir ler o Financial Times para chegar a essa conclusão. O que acontece é que é impraticável encontrar uma maneira dos políticos serem beneficiados ou prejudicados como resultado directo de gerirem o Estado bem ou mal. Por essa razão, o Estado vai ser sempre ineficiente. Por isso, a solução é reduzir o Estado ao mínimo possível, baixando os impostos. Se o dinheiro, em vez de estar no bolso do Estado, estiver no bolso dos particulares, estes sim vão ser directamente beneficiados ou prejudicados conforme giram o dinheiro bem ou mal.
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De Moedas a 29.05.2010 às 12:07

Eu não disse que era necessário ler o Financial Times! 
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De Manuel Gomes a 29.05.2010 às 12:25

E eu não disse que você o tinha dito.
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De bluesboy a 29.05.2010 às 11:54

Ponto de vista extremamente pragmático :)

Obrigado pela partilha do artigo.
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De André a 29.05.2010 às 15:13

Que ideia tão disparatada.
Por um lado colocamos em causa os incentivos aos gestores, leia-se Mintzberg, e por outro pensamos em incentivos aos políticos? Quer-me parecer que Ética continua a ser optativa no Insead...
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De Moedas a 29.05.2010 às 17:33

Caro André - Dois temas muito diferentes. A ética define regras de comportamento e moral na gestão ou na política. Sem ética nem vale a pena falar de incentivos.


Os incentivos definem a maneira como posso estimular a performance de um  individuo ou um conjunto de indíviduos seja em política ou em gestão. 


Os dois temas são importantes.  
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De Miguel Madeira a 30.05.2010 às 03:14

"Em política tomar decisões tornou-se mais arriscado do que não as tomar e por isso o grande objectivo de um político que se preze passou a ser a sua reeleição no curto prazo."

Se pensarmos bem, isso não será mais um problema dos eleitores do que dos politicos?

Pondo a coisa de outra maneira - se os eleitores votam a pensar apenas no curto prazo, isso não significará que os eleitores estão agora a apanhar com o resultado das decusões que tyomaram, e portanto, o sistema funcionou?

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