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Chamaram-me à atenção através do Twitter, que esta noite o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa parece ter feito afirmações que iriam no sentido de defender o cartaz do Bloco de Esquerda sobre os salários do gestores. Infelizmente, não vi o telejornal da TVI e por isso desconheço em que contexto as afirmações foram feitas ou se realmente iam em tal sentido. Gostaria apenas de acrescentar, ao que já afirmei e defendo no meu post "Alguém me explica este cartaz?", que o salário de um gestor de uma empresa privada é um assunto entre os accionistas e a direcção da empresa. Se a empresa estiver em dificuldades irá certamente cortar o salário dos seus gestores por necessidade e porque ao contrário do Estado os privados não podem viver acima das suas possibilidades, mas não necessita fazê-lo por decreto ou por imposição do Estado. É no entanto interessante analisar que se uma empresa diminuir os salários dos seus gestores, tal medida implicaria um aumento do lucro dessa empresa antes de impostos no mesmo valor. Este lucro adicional iria directamente para os accionistas, que no caso de uma empresa privada são entidades privadas. Não vejo como tal corte no salário de um gestor pode ajudar a sociedade, uma vez que vai directamente para o accionista. Aliás, se for mais longe no raciocínio, o salário do gestor será taxado em 42% (taxa marginal) e o lucro da empresa será taxado em 26.5%. Façam as contas e vejam o que mais contribui para a sociedade em termos de receita directa para o Estado!


comentários

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De José Manuel Faria a 30.05.2010 às 22:46

Foi no contexto da crise económico/financeira. Os gestores do Estado e privados devem ambos darem exemplo ao País.   E fez muito bem. Os privados devem cortar para poderem criticar os excessivos gastos do Estado, dando exemplo.
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De Quim a 30.05.2010 às 23:12

Para lhe compreender o cartaz, teria de compreender o que é uma empresa privada. E isso não é fácil, com empresas privadas que gastam dinheiros públicos.
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De Alexandre Kulcinskaia a 31.05.2010 às 08:38

Subscrevo.
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De FF a 31.05.2010 às 00:20

As declarações de Marcelo, aqui:
http://31dasarrafada.blogs.sapo.pt/155028.html
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De André a 31.05.2010 às 11:30

Nem o Bloco, nem Marcelo, falharam todos o alvo.

Este Sr. é que tem razão:

http://online.wsj.com/article/SB10001424052748703294004574511223494536570.html
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De David Silva a 31.05.2010 às 15:10

Sim, que muitas privadas andam a viver com dinheiro público. Aliás, pelo que se vê, dizer que são privadas é um abuso do termo. Lá porque são o feudo de um determinado grupo, não se pode dizer que sejam privadas.
O objectivo do cartaz - que ainda não vi - é certamente o despesismo nas empresas públicas.
E quanto às privadas, sei de algumas em que os altos quadros (sejam gestores ou outra coisa qq) não são os primeiros a sofrer em caso de dificuldades. Depois as falências são às centenas... e ainda não chegámos a Agosto!
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De nuno vieira matos a 31.05.2010 às 19:23

Moedas,


Julgo ver aí uma obsessão sua. Mas deixe-me colocar outra alternativa: que tal, usar o dinheiro não utilizado com o gestor para suportar os aumentos de salário de alguns funcionários ; concerteza que não nega o efeito positivo que a medida iria ter  sobre os mesmos com efectivo aumento de produtividade.
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De Moedas a 31.05.2010 às 20:41

Nuno - Pagar mais a um funcionário não aumenta directamente a produtividade. Para aumentar a produtividade esse funcionário teria que produzir mais no mesmo espaço de tempo (Produtividade= output/hora trabalhada). Pagar mais motiva e influencia a produtividade no médio prazo, mas não chega. Conheço casos em que a gestão diminuiu os salários para manter postos de trabalho e estou totalmente de acordo.  
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De nuno vieira matos a 31.05.2010 às 20:45

Moedas, eu sei o que é produtividade e mantenho o que disse. Claro que não chega, e então? What's the point? E qual a diferença para o salário de um gestor?
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De Moedas a 31.05.2010 às 21:42

Peço desculpa- não queria ofender mas no seu comentário diz "concerteza que não nega o efeito positivo que a medida iria ter  sobre os mesmos com efectivo aumento de produtividade". Só estava a dizer que isso não é verdade. Aumentar salários, seja da gestão ou dos funcionários não aumenta a produtividade. Cortar salários (da gestão ou dos funcionários) tem um efeito imediato de cortar os custos do trabalho aumentando competitividade relativa pelo custo. Tal não é suficiente pois é necessário atacar a produtividade através da de factores como a inovação dos processos e da formação.
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De nuno vieira matos a 31.05.2010 às 22:00

Moedas, cortar salários tem um efeito imediato na diminuição de custos e um efeito a curto-médio prazo (dependendo de quão bem a entidade empregadora justificar o retrocesso) de diminuição da produtividade (medidas daquelas não saem impunes). Mas tudo isto para falar sobre o que fazer à redução de salário do gestor: em vez de dar aos accionistas, pode ser usado para apostar na inovação e formação, como muito bem disse.
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De gustavo a 02.06.2010 às 22:43

"Se a empresa estiver em dificuldades irá certamente cortar o salário dos seus gestores por necessidade e porque ao contrário do Estado os privados não podem viver acima das suas possibilidades"


Nesta crise não houve privados a viver acima das suas possibilidades. Muito menos bancos...

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