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Cegueiras

por Nuno Pombo, em 31.05.10

Meu caro Francisco, o problema, infelizmente, não é o das monotemáticas...

Não votei no Prof. Cavaco nem voto em eleições presidenciais. Como me apraz esta afirmação de princípio! Mas interessa-me o tema "chefia do Estado".  

Acho curiosa a reacção que tem merecido a não-notícia de que há gente incomodada com a forma como sua excelência tem exercido o seu magistério. Confesso que não me é difícil, em termos práticos (já que a política, pelo visto, não é outra coisa senão pragmatismo) reconhecer a indiferença de eleger este ou aquele, se este e aquele, ainda que por diferentes razões, fariam exactamente a mesma coisa.

Que utilidade se antevê possa retirar-se da eleição de Cavaco se ele fez, e provavelmente fará, o que faria o poeta Alegre? Mais impressionante do que o PR ter promulgado ou vetado a lei, o que choca é a "leitura" que insiste fazer dos poderes presidenciais. O argumentário de Cavaco não é de quem leu mal. Não é sequer de quem não sabe ler. É mesmo de quem não o pode fazer, por falta de vista. 

O que é verdadeiramente lamentável não é o que este PR faz ou deixa de fazer. É a justificação que oferece, com excessiva generosidade, para fazer ou deixar de fazer. O erro, como é sabido, é da essência do processo deliberativo. Pode errar-se o alvo, claro. Mas pôr espingardas na mão de ceguinhos dá asneira!