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Não me lixem

por Carlos do Carmo Carapinha, em 02.06.10

Podemos discutir o alcance ou eficácia do embargo à Faixa de Gaza? Podemos. Podemos considerá-lo errado? Podemos. Podemos e devemos exigir que essa coisa meio mítica, meio surreal, a que chamamos «comunidade internacional», com ou sem os EUA, com ou sem a UE, exerça sobre Israel uma pressão que ponha fim ao embargo à Faixa de Gaza (mesmo esquecendo que uma boa quota parte das razões do embargo estejam do lado palestiniano, por via do radicalismo virulento do Hamas)? Podemos.

 

Agora, mal que pergunte: existe, ou não existe, um embargo à Faixa de Gaza (neste caso um bloqueio marítimo)? Israel avisou, ou não, que não permitiria violações unilaterais a esse embargo? Estavam, por isso, à espera de quê? Eu sei o que esperava a maior parte dos indignadinhos de serviço: que Israel agisse como lhe competia, para se voltarem a legitimar os ataques raivosos ao «Estado sionista» e as comparações abjectas à Shoah. Há muito que certa gente aguardava na sombra para descarregar um certo ódio a um certo Estado. Este é mais um momento «massacre de Jenin».

 

(originalmente aqui)

 


comentários

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De Gândavo a 02.06.2010 às 13:14

e porque não tentaram furar o bloqueio a Gaza pelo lado egípcio?
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De João santos a 02.06.2010 às 13:48

Boa!
O problema é que os egípcios, que têm uma guerra com a Irmandade Muçulmana -radicais islâmicos-, punham tudo ao fundo e nem diziam: fujam. Agora abriram uma porta -no seu alto muro- para passar comida.

Pois é simpáticos euroárabes, o Egipto, país muçulmano e árabe tem um belo muro a dividi-lo da Faixa de Gaza. (Pois é, bébes, não é só de Israel para a entidade Palestiniana...) Porque será. As barbas são de tamanho diferente, ou eles não querem infecções do Hamas?
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De Merlin a 02.06.2010 às 13:54

Coincidência?

http://www.chicagobreakingnews.com/2010/05/illinois-national-guard-unit-readies-for-egypt.html
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De Anónimo a 04.06.2010 às 14:01

Não tinha lido, mas é bom saber novidades.
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De toufartodebananas a 02.06.2010 às 13:39

O que mais me tem irritado nos defensores da atitude das forças armadas israelitas é o facto de olharem e comentarem os discordantes de tal atitude, como perigosos esquerdistas defensores dos coitados dos inofensivos palestinianos. 
O que para mim está em causa é a legitimidade de fazer morrer à mingua um povo; que direito tem israel de decretar um embargo? mas ainda que se admitisse o embargo, por estar em causa o mais que discutível, mas possível transporte de armas para a faixa de gaza, que direito ou com que direito aprisiona israel os barcos, em águas internacionais e os leva para um porto israelita?
Mas ainda admitindo que haja quem concorde com isto...que bom censo existe nas forças armadas e no governo de israel, que os leva a matar cidadãos do mais ocidentalizado país do mundo muçulmano, onde existe um delicadíssimo e instável equilíbrio entre estado laico e mundo religioso? andará israel à procura de radicalizar mais um país muçulmano? quer arranjar inimigos com paizes vizinhos próximos como sejam a Grécia? ou simplesmente chegaram a um ponto em que pensam tudo poder fazer debaixo da protecção americana.
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De Carlos do Carmo Carapinha a 02.06.2010 às 13:53

Escrevi "a maior parte dos indignadinhos de serviço" e "certa gente". Ou seja: pressupus que haja quem discuta estas questões sem o recurso à "indignação" (e ao maniqueísmo), assim como sei que há gente que de forma fundamentada crítica (e bem) certos comportamentos israelitas. Ou seja, gente de esquerda (ou de direita, tanto faz) que não é "perigosa" e se recusa a ver o mundo a preto e branco. Eu próprio acho, por exemplo, que a política de colonatos é um grande entrave à paz e que é um erro crasso Israel insistir nela. Agora, não reconhecer que boa parte da maltinha que promove os abaixo-assinados e as manifestações contra Israel é maniqueísta e cega e totalmente tendenciosa (para o lado palestiniano) é não perceber nada de nada. Nunca, aliás, os vemos manifestar-se contra a AP ou o Hamas ou o Hezbollah, como se todas as acções do lado palestiniano estivessem automaticamente justificadas porque os palestinianos são os «fracos e bons» e os israelitas os «maus e fortes».
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De toufartodebananas a 02.06.2010 às 15:56

Pois é, li e não mudei de opinião até porque o acontecimento que dá origem ao post não é sobre "os indelicadinhos de serviço", mas sim seres humanos assassinados (entre nove e dezanove, conforme os interesses). 
Não sou uma amigo dos palestinianos, acho inaceitável a guerra de terror que os mesmos levaram a Israel em tempos idos (porque na actualidade é mais difícil), mas por isso mesmo considero não ser menos verdade que as respostas do estado de Israel são normalmente desproporcionadas. Este é apenas mais um caso...deram tareia em alguns soldados? não há problema, nos matamos nove (ou dezanove) deles e prendemos o resto... É inaceitável, e mais inaceitável se torna se se tiver em conta o delicado equilíbrio, ou falta dele, que existe naquela região.
Cumprimentos
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De AliaZs a 02.06.2010 às 13:53

mais demagogia para ver se consegue uma resma de comentários. Faz um embargo para protestar contra o campeonato dos túneis, e retira legitimidade dessa medida.
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De bla bla bla a 02.06.2010 às 16:09

O seu argumento não tem pés nem cabeça (sem juízo de valor sobre quem tem ou não razão no conflito).

Eu declaro que a sua rua está bloqueada. Pronto.
Agora se alguém passar na sua rua e eu lhe der um tiro não se pode queixar. EU AVISEI.

Como estamos num estado de direito( dizem) o meu bloqueio à sua rua falhava porque a polícia intervinha.
Entre Estados existe Direito Internacional. Não há é polícia, funciona a lei do mais forte.
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De Miguel a 02.06.2010 às 16:41

1.) As mortes não deveriam ter acontecido. Erro dos israelitas... que os próprios já admitiram. Agora, parte do problema é a lógica de vingança, do preço de sangue, do olho por olho...
2.) A acção do israelitas parece-me defensável... à luz da teoria (entretanto geralmente aceite) dos "preemptive strikes" ... e da pura dissuasão.
3.) O bloqueio é feito tanto de fora para dentro... como de dentro para fora. Consta que muitos dos residentes no enclave gostariam de sair de lá, mas não os deixam. Dèjá vu em boa parte da Europa de leste há 20 anos.
4.) O bloqueio em si, se serve para impedir o abastecimento de armas a grupos terroristas, parece-me aceitável. Até porque são esses grupos que põem em causa a existencia de Israel... parece que Israel admite a existencia dos outros.
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De Mª Antónia a 02.06.2010 às 16:53

No meu tempo na faculdade de direito, chamavam a esta coisa da relativa falta de coercibilidade do Direito Internacional a questão de "quem guarda o guarda?".
Pois é caro Bla Bla Bla. O meu amigo pôs o dedo na ferida.
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De Carlos do Carmo Carapinha a 02.06.2010 às 17:29

O seu raciocínio está, no mínimo, enviesado e diz muito da forma como as coisas são observadas por aquelas bandas. E está enviesado porque não explica, não contextualiza, não expõe a razão, as causas, da declaração (ou imposição) "a sua rua está bloqueada". Isso faz toda a diferença. A partir do momento em que não entra em linha de conta com isto quando se limita a dizer "declaro que bloqueei a sua rua", abre a porta para deturpações e enviesamentos e enfraquece a posição e a eventual legitimidade de quem declarou "a sua rua está bloqueada". Ponto.

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De Viriato a 02.06.2010 às 17:36

Quem escreve  num blogue alegadamente de «Direita»a favor dos judeus e de Israel - um estado terrorista e fantoche - de certo que não é de Direita.

É mais um daqueles tipos que vieram do trotsquismo , do maoismo ou da geração rasca de 68 , que estando orfãos do paizinho e da mãezinha escrevem uns coisas na linha das modinhas dos neo-cons. 

Quem é da verdadeira Direita, Católica e Tradicionalista não defende Israel por nada deste mundo.
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De Mª Antónia a 02.06.2010 às 17:55

Viriato,
Olhe que defendem ...e de que maneira.
E a ideia dominante de certa classe social é bastante simplista: o Estado de Israel: encurralado e bomzinho; os "outros", os árabes (em geral): feios, porcos e máus.

Conheço muitissima boa gente da finissima flor do Estoril e arredores - das direitas que mais direita não há - que andam com Israel nas palminhas.

 
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De Carlos do Carmo Carapinha a 02.06.2010 às 18:48

Sr. Viriato: tire lá as lunetas com que costuma compartimentar as pessoas, as ideias e o mundo. Há gente à direita a defender (quando há que defender) e simultaneamente a criticar Israel (quando há que criticar). A mesma coisa em relação a muita gente de esquerda. Não observo a defesa do Estado de Israel como uma causa de direita, nem a defesa do palestinianos como uma causa de esquerda. A defesa da posição de uns e de outros faz-se com argumentos coadjuvados pela razão, pela História, pela educação de tivemos, pelo que vivemos e lemos - por um conjunto caótico de fontes não necessariamente ideológicas. A sua visão é que é maniquísta e pejada de preconceitos tortuosos e doentios. É você que faz questão de colocar a discussão no plano ideológico e, pior, a preto-e-branco (judeus = maus; palestinianos = bons).

O mundo não é definitivamente a preto-e-branco. Se é verdade que Israel está longe de ser uma nação sacrossanta, não é menos verdade que é uma nação que detém uma grande força moral e de vontade. Uma nação que tem sabido resistir de forma surpreendente a décadas de contra-informação e de ataques não bélicos numa base sistemática. Uma nação que vive a perspectiva de um problema demográfico que, dentro cinquenta anos, a vai voltar a colocar perante grandes desafios (inclusive de sobrevivência).

Da mesma forma, penso que os palestinianos têm direito ao seu Estado e acredito que um dia possam viver lado a lado com os israelitas.

Quanto a ser ou não de Direita, não lhe reconheço a mínima autoridade para me dar lições sobre essa matéria.
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De Portela Menos 1 a 03.06.2010 às 00:51

(...) que direito ou com que direito aprisiona israel os barcos, em águas internacionais e os leva para um porto israelita? (...) 


a questão acima continua por responder e nem acho que vá ser respondida.
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De ALberto a 03.06.2010 às 01:00

Como é perda de tempo, nem sequer vou fazer a ligação.. mas já por aí alguem lembrou que a embaixa alemã nos EUA na era Nazi, também avisou sobre o que faria a barcos que violassem o bloqueio maritimo.
Deve-se presumir portanto, que os desgraçados que se enfiaram mar a dentro, depois desse aviso, é que são os grandes culpados pelo seu triste fim?

Haja paciência..

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