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o sino, um programa político

por Alexandre Borges, em 01.12.06
Foi num dia qualquer, bem longe de casa. O conforto imediato provocado pelo repicar dos sinos numa torre de uma igreja que não se apresentava, sequer, à vista, informou-me de que era um conservador.
Não foi pensado. Não depende de nenhum líder partidário mais transitório que uma vela de cêra. Sobretudo, não é questão que tenha visto, alguma vez, ser levantada em congresso.
Estava cá dentro. Alojado algures entre o pâncreas e o baço (que, a propósito, já tirei, deixando, talvez, mais espaço ao dito). O repouso numa qualquer parte de trás de nós. Não tinha a ver com a igreja, a religião, muito menos as posições oficiais. Era apenas um relato directo da paz de espírito, que reconhece uma impressão gloriosamente familiar e se compraz, completa, nesse encontro.
Desde então, noto-o sempre, onde quer que esteja e um sino repique. É um som de antes das partidas e regressos, situado, em rigor, mesmo ao lado da casa inicial. Tão aconchegante como os créditos iniciais dos filmes de Woody Allen que Pedro Mexia tão bem, num blog já fechado, notou: o jazz, o clarinete, o fundo negro, os caracteres brancos e dactilografados, todo esse pacote perfeito sem invenção serve, anualmente, de repasto ao reaças. Tão cúmplice como… Bom, como nada mais. Ainda procuro outros estandartes para enfileirar no livro de estilo.
Até agora, continua a parecer-me o essencial: essa descoberta de si como coisa sensível às vozes familiares, desconfiada das revoluções. Depois, muito depois, que venha o resto: o estado social e as leis, o liberalismo e o proteccionismo, as privatizações e a chatice dos destinos a dar ao Orçamento de Estado.


lavagem de mãos e outras medidas profiláticas

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De Alexandre Borges a 01.12.2006 às 14:37

Desculpa se te induzi em erro, João. De facto, a referência ao sino não se trata de qualquer insinuação maçon 'or whatsoever'.
Francisco, a minha árvore genealógica está a ficar uma coisa bizarra. Mal posso esperar por perceber quem é a mãe.
Um grande abraço!

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