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Os chips e a privacidade

por Manuel Castelo-Branco, em 24.06.10

Li hoje o post de Antonio Nogueira Leite sobre os chips. Sem querer entrar na discussão ANL /JMF convinha acrescentar o seguinte:

 

Efectivamente, os chips não permitem a geo referenciação, apenas são detectados por mecanismos receptores adaptados ao efeito. No entanto, face à infeliz e exagerada rede de auto-estradas nacional, é legitimo assumir que funcionam quase como um mecanismo de localização do veículo. Menos preciso que os telemóveis mas ainda assim, só muito dificilmente, me poderei deslocar na rede viária dos grandes Itinerários (IP e IC) sem ser identificado pelo sistema de chips proposto. Isso, meu caro António viola a minha privacidade de uma forma intolerável. Hoje, com a via verde posso optar pela cobrança automática ou manual via portageiro. Nesta última não sou, como sabes, identificado. Em reforço, essa preocupação foi garantida pela Brisa ao não identificar no próprio débito bancário, a origem e o destino.

 

Sendo o chip proposto universal, e assumindo um pressuposto algo alarmista, será mais fácil colocar identificadores em vários locais sem que o próprio saiba. Havendo uma identificação directa com o condutor ou veículo, a violação é imediata. Hoje, sendo a via verde uma tecnologia proprietária, esse risco praticamente não existe.

 

Posso compreender, mas não concordar, razão pela qual o PSD, abdique do princípio da privacidade, subalternizando-o ao pragmatismo do deficit. A situação do País, herdada do PS, empurra-nos para essa tentação. Acontece que essa secundarização é perigosa, coloca o curto prazo mais importante que o estrutural, coloca o orçamento mais relevante que a reserva da vida privada. Esse primado dos números sobre os princípios foi o mesmo erro que caiu a governação do PSD, quando teve a maioria absoluta. Erro que seria desejável que não voltasse a acontecer.


lavagem de mãos e outras medidas profiláticas

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De Manuel Castelo-Branco a 24.06.2010 às 12:43

A precipitação leva-o disparar ao lado. Deve ter lido mal em vários temas. Refiro me que os telemóveis são mais geo referenciáveis que o chip ou a via verde. Esta claro no meu texto. A via verde ou o chip de matricula são de facto menos precisos que o telemóvel. Nem sequer podem ser chamados de geo referenciáveis. Leia outra vez, desta vez com muito mais calma para conseguir perceber.

Qt à via verde, não é a prova de intrusão. Mas a verdade é que em mais de 20 anos, não se conhecem erros, bugs ou intrusões. É um sistema fechado onde a base de dados é interna . É um sistema fechado e seguro. O mesmo pode não acontecer com um sistema que interage com bases de dados da direcção geral de viação.


Quanto ás câmaras de vigilância nas portagens, estas não fazem o filtro com nenhuma base de dados, não procuram fazer match nenhum com a tabela das matriculas ou dos condutores. Assim sendo, tal como a vigilância das cidades, não há violação da privacidade. A identificação do condutor, a acontecer, é à posteriori e apenas no caso de existir transgressão ou violação. 


Também aqui me parece que se precipitou.


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De Marco a 24.06.2010 às 14:22

Manuel, por favor, releia o meu comentário. O que estou a apontar é a forma "suave" como compara os telemóveis com os chips de identificação de matrícula. São incomparáveis, várias ordens de magnitude separados ao nível da privacidade. São "menos precisos"? É como comparar uma caneta da Uniball com uma betoneira cheia de tinta...

Quanto à Via Verde, já houve erros, bugs e intrusões. É compreensível que não sejam publicitados por aí além, mas andam aí. Alguns dos erros chegaram à comunicação social (facturação errada, principalmente), as intrusões não. Em 20 anos não houve uma, uminha para amostra? Diga-me, a sua fonte na Brisa é quem, o coelhinho da Páscoa?

Não há sistemas informáticos fechados nem seguros. O único sistema informático seguro, é o que está desligado da corrente, com dois guardas armados até aos dentes de cada lado. E o sistema da Brisa também interage com o do IMTT (a DGV acabou faz tempo). Aliás, qualquer pessoa, pode "interagir" com o sistema do IMTT - a interacção não necessita de ser directa e automática. Como sugeri ontem noutro blog, nada me impede de apontar as matrículas de todos os carros que me apetecer, e, em menos de uma semana, obter os nomes e as moradas de todos os proprietários.

O problema das câmaras é rigorosamente igual ao dos chips: hoje os chips servem para um propósito bem definido, e o que clamam é que "amanhã, nada impede que", et caetera; mutatis mutandis, hoje as câmaras de vigilância só "vigiam", mas "amanhã, nada impede que", e assim sucessivamente, em mil e uma coisas em que não pensamos duas vezes actualmente.

Os chips contêm exactamente a mesma informação disponível à vista desarmada: a matrícula. Mais difícil de obter, até. Depois de se ter a matrícula, seja por que canal tiver sido obtida, é exactamente igual.

Que se seja contra as portagens, eu ainda aceito e até compreendo; contra os chips, só por palermice.
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De Manuel Castelo-Branco a 24.06.2010 às 16:59

Marco, diga-nos lá. O que é que você ganha como a implementação dos chips nas matriculas. Estou curioso com a sua defesa tão aguerrida do tema. 
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De Marco a 24.06.2010 às 17:39

Ora aí está. :) Já cá faltava, quando alguém sabe mais que nós, é porque tem inside connections; quando alguém defende algo diferente, é porque tem algo a ganhar... É típico!...

Tenho a ganhar em qualidade de vida, que tal? Não perder duas horas no garrafão de acesso à praça de portagem, porque 400 gajos à minha frente não aderiram à porcaria da Via Verde, senão já agora estava em casa.

Tenho a ganhar numa sociedade feita por concidadãos mais inteligentes e cultos, que não emprenha pelos ouvidos de opinion makers, que não são capazes de fazer uma investigação, nem que seja na porra da Wikipedia, antes de virem arrotar postas de pescada e dizer asneiras.

Se se quiser mesmo dar ao trabalho, é fácil, fácil descobrir quem eu sou, onde trabalho, e o que faço da vida; vai descobrir que não tenho ganhos monetários, presentes ou futuros, com isto.

E meta na porra da cabeça que há pessoas melhor informadas e mais inteligentes que nós próprios. E que, volta e meia, aparecem, só para que as barbaridades repetidas vezes sem conta não passem a verdades absolutas.
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De Anónimo a 24.06.2010 às 18:57

Viva Marco. Os palermas dos deputados votaram contra o Chip. 
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De Marco a 24.06.2010 às 22:02

Ó tenho medo de dizer quem sou (é que nem dá jeito para usar um vocativozito), pergunte-me lá se sou a favor de portajar as SCUT's, vá lá...

Se os palermas dos deputados, ou melhor, se a palermada que constitui o nosso Parlamento tivesse tomado uma decisão apoiada em premissas tecnológicas, eu ficava muito, muito preocupado. Como tomou uma decisão com objectivos políticos e sociais mais extensos, levanto-me e aplaudo de pé.

O PSD votou contra o chip? E estavam tão prontos para chegar a acordo sobre o mesmo? Não acha que é um bocadinho falta de espinha? Não, claro que não. O que se votou hoje não foi o chip, foi o adiamento ou suspensão das portagens nos moldes em que foram propostas pelo Governo...

Entendeu agora, ou quer um desenho?

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