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O papão neoliberal

por Nuno Gouveia, em 06.07.10

Nos últimos dias os socialistas voltaram à carga com a retórica anti-neoliberal. Primeiro foi José Sócrates a acusar a Comissão Europeia de ser neoliberal, apenas por esta ter criticado o uso da soviética Golden Share no negócio da Vivo. Depois foi Mário Soares, o amigo de Hugo Chavez, a pedir uma "união ibérica" contra a ortodoxia neoliberal europeia. Já hoje, Sócrates acusou o PSD de desejar colocar o "neoliberalismo" na Constituição da República.


Depois de governarem Portugal na última década e meia (com o intervalo Durão/Santana), os socialistas já perceberam que o seu tempo está a chegar ao fim. Não são apenas as sondagens a validar esta tese, mas também o sentimento que se vive no país. O modelo de desenvolvimento protagonizado pelo PS falhou redondamente. A crise internacional certamente terá acelarado este final trágico, mas nunca é demais relembrar que desde os tempos de António Guterres que a economia portuguesa estagnou, com crescimentos mediocres e divergindo sempre da União Europeia. Eles bem podem esbracejar, berrar ou alertar com o papão das políticas neoliberais. Se avaliarmos as propostas que têm vindo a ser avançadas pelo PSD nota-se que existe uma ideia clara de liberalizar a economia, com o objectivo de retirar progressivamente o Estado da economia. O projecto do PS  culminou no empobrecimento geral da população e a confusão total entre os interesses do partido de governo e do Estado. Mas o PSD está longe de ser o tal partido neoliberal que agora os socialistas desejam pintar. Daqui a pouco estão a dizer que o PSD é libertário... Mas se vai ser esta a estratégia para o PS se manter no poder, poderá ser uma boa notícia para o PSD. Será que desistiram de defender o seu legado no país, nada lhes restando a não ser o ataque sem tréguas aos adversários?