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Agora mais a sério

por Henrique Burnay, em 26.03.07
Dizer que Salazar ganhou porque não se ensina o suficiente sobre os males do Estado Novo e do chefe é um dos maiores erros na discussão sobre os resultados dos Grandes Portugueses. E é uma mentira. O Estado Novo foi sempre ensinado a preto e branco, o mal é esse. O Estado Novo nunca foi discutido em Portugal. É dogma, é ponto assente que foi um horror, não é possível ter uma conversa sobre o assunto. Quando a história é contada a duas cores, com bons de um lado e vilões do outro, como nos filmes manhosos, há sempre quem prefira ficar do lado do bandido. É diferente.
As coisas complexas discutidas como se fossem coisas simples dão facções. E esse não é um problema deste programa.


lavagem de mãos e outras medidas profiláticas

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De André de Soure Dores a 28.03.2007 às 12:35

No programa televisivo em questão, muito vocacionado para o entretenimento mas também para alguma divulgação e debate, ficou em 1º lugar o Prof. Oliveira Salazar. Com 41 % de mais de 210 mil votos. Apesar de tudo, não devemos ser alarmistas nem ficar excessivamente receosos no que diz respeito a um crescimento das preferências por experiências políticas não democráticas (nunca é descabido sublinhar que o Estado Novo não é sinónimo de Fascismo! É historicamente pouco rigoroso e politicamente não muito sério insistir nessa ideia, o que não retira o carácter ditatorial do Salazarismo, como é inegável).
O voto em Salazar foi uma miscelânea certamente. Entre partidários de regimes autoritários e ditatoriais, mas sobretudo de pessoas que não queriam que Cunhal vencesse e dos descontentes com a política contemporânea, não unicamente com o actual governo mas com a política e a situação actuais de uma forma geral.
Como já foi dito o esquema de votação não foi cientificamente rigoroso, verificou-se a tendência generalizada (não só no programa português) por votações em personalidades do séc. XX, por estarem mais próximos no tempo naturalmente, secundarizando épocas e "personagens" mais recuadas.

O ensino do Estado Novo nas escolas portuguesas ou é dado de uma forma muito superficial e pouco aprofundada ou é abordado de uma forma completamente tendenciosa e maniqueísta: de um lado os maus fascistas e do outro os resistentes e combatentes pela Liberdade! Ora quer uma ideia quer outra ficam a dever bastante à verdade, isenção e rigor históricos. O Estado Novo, como já referi não é o mesmo do que fascismo em Portugal, foi uma ditatura corporativista, foi um regime conduzido por um ditador, que aliás não tinha só defeitos, mas desprezava efectivamente a democracia e o liberalismo(sobretudo aquele que tinha experimentado na Iª República). Reforça esta ideia a existência de uma força política, se em rigor assim se pode apelidar, denominada "Camisas Azuis" liderada por Rolão Preto que foi a face visível do nacional-sindicalismo enquanto expressão do fascismo em Portugal (aliás fisicamente muito semelhante a Adolf Hither...). No grupo dos "bons" inclui-se geralmente o PCP e Álvaro Cunhal, que tinha como projecto político a substituição da ditadura de contornos salazaristas/marcelistas por uma outra de silhueta... bolchevique! Ora que ideia de democracia tinha (e tem) o PCP...

Mais uma vez graves problemas na Educação que acabam, de uma forma ou de outra, por afectar e condicionar gravemente o País. Desta vez é o efeito de uma visão distorcida, redutora e a preto e branco de uma época histórica que teve uma palete de cores tão diversificada como qualquer outra.
O resultado não é a apologia do fascismo, como gritou Odete Santos em estúdio, é um aviso e uma lição aos pseudo-democratas actuais, incluindo a própria mas a muitos outros...

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