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A doutrinação do Público

por Nuno Gouveia, em 29.08.10

Graças a Deus que já não estamos limitados à imprensa nacional para seguirmos a actualidade internacional. É muito raro prestar atenção ao que  escrevem os jornalistas portugueses (com uma ou outra honrosa excepção) sobre os Estados Unidos. Os nossos jornalistas não descrevem a realidade: eles são uns meros transmissores de uma certa América, funcionando como ideólogos que transformam peças noticiosas em artigos de opinião. Por isso não vale muito a pena ligar ao que escrevem. Se quisermos conhecer este tipo de opiniões mais vale ler os originais, como o The Nation ou o Huffington Post, pois esses são mesmo órgãos assumidos de esquerda. Têm a credibilidade não pretenderem passar pelo que não são: isentos.

 

Ao ler o Publico de hoje, deparei-me com uma notícia sobre um encontro que Glenn Beck organizou no Lincoln Memorial em Washington, cheia daqueles preconceitos sobre a direita americana. Não apreciando em nada o estilo (e muitas das ideias) de Beck e de Sarah Palin, outra das oradoras presentes, esta peça é um mero artigo de opinião, com um guião escrito antes do próprio evento ter acontecido. Muito do género que lemos na imprensa de esquerda americana. A peça descrevia um encontro quase fascista, com todos os estereótipos do americano anti-Obama a percorrer o artigo. No entanto, e para manifesta tristeza da jornalista, as mensagens que foram transmitidas até foram muito suaves e de conciliação, e o nome de Barack Obama até esteve quase ausente dos discursos. Mas claro que para estes jornalistas/activistas, todos os americanos que se opõem a Obama só podem ser racistas e perigosos brancos protestantes. Mas o pior estava mesmo destinado para o editorial do jornal, aquele que não é assinado e que, segundo disseram depois da saída de José Manuel Fernandes, iria ser “neutro” e "imparcial". Suspeito que os que escreveram o editorial nem sequer conheciam bem o assunto. Quem não soubesse nada sobre o que tinha sucedido em Washington, pensaria que o Klu Klux Klan tinha voltado a reunir centenas de milhares de pessoas nas ruas. Não referiram que a própria sobrinha de Martin Luther King discursou no evento, apregoando os valores defendidos pelo tio há 47 anos naquele mesmo local. Este regresso ao passado da América branca que os activistas/jornalistas do Público escrevem apenas existe na cabeça deles.

 

Por outro lado, a velha questão da religião na sociedade americana, que demonstra sempre a incoerência da esquerda/imprensa portuguesa. Quando é Barack Obama a falar na importância de Deus, ou Al Sharpton a falar em Fé num discurso público, nada disso é descrito como fundamentalista ou radical. Mas quando um conservador fala em Fé e em Deus, então só pode ser um perigoso fundamentalista religioso. Será que esta gente não se apercebe da duplicidade de critérios que utilizam? Depois queixem-se que os jornais vendem cada vez menos. Eu continuo a comprar jornais portugueses, mas cada vez ligo menos ao que escrevem sobre determinados assuntos. E percebo os motivos que levam muitos portugueses a não comprarem jornais. Para ler este tipo de notícias?


lavagem de mãos e outras medidas profiláticas

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De Alexandre a 29.08.2010 às 21:54

Particularmente exasperante é a correspondente do Público nos EUA. Julgo que é é luso-americana, mas é de tal modo tendenciosa que chega a ser insultuosa. Não relata notícias, nem faz propaganda, escreve uma mixórdia que não chega a ser nem uma coisa nem outra. O que eu sei é que a mixórdia que escreve não é digna do meu tempo.

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