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"Toda a unanimidade é burra".

por Francisco Mendes da Silva, em 30.08.10

Apesar de ter um passado povoado pelo grunge, o Bernardo Pires de Lima vem com mérito percorrendo o caminho que separa a barbárie da civilização. Hoje, por exemplo, disse uma coisa acertada. Disse-a, obviamente, com uma erudição muito própria (não sei se sabem, mas o Bernardo tem um passado povoado pelo grunge): "o novo dos Arcade Fire não vale a ponta de um chavo"

 

Porventura não deveríamos para já chegar a sentença tão superlativa - eu próprio sinto algum prazer (muito ténue e momentâneo) quando insisto na audição da obra terceira desses súbditos canadianos de Isabel II, e acho que talvez um segmento de chavo se lhe há-de poder atribuir. Mas, claro, há esse cancro da comunidade melómana pop portuguesa: o unanimismo. Ah, o filho-da-mãe do unanimismo. No caso, não partilha com "onanismo" apenas a coincidência aliterativa. Na pop, o unanimismo acaba sempre em orgias em que se acariciam sem reserva os deuses pagãos que os profetas mandam acariciar. E isso é que me vai corroendo a erudição discursiva até níveis próprios de um gajo com um passado povoado pelo grunge. Não sendo um esforço indigno, Suburbs também não é a salvação da civilização ocidental. E a discrepância entre o valor real e o valor facial é tanta que, em reacção à estupidez, só me apetece dizer que é uma merda. É desinspirado e brando e cheio de inconsequências.

 

Vou mas é ouvir - sei lá - os Super Furry Animals.


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