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Impossível cortar na despesa

por Ana Margarida Craveiro, em 06.10.10

É impossível cortar na despesa. É impossível cortar nos institutos públicos. Senão, como ia esta gente toda viver?

Vamos a um exemplo. Conhecem a ANACOM? Espero que gostem do site. Custou-vos exactamente 54.000,00 €, em dois contratos por ajuste directo, de 180 dias cada um, mas com uma diferença entre si de pouco mais de uma semana.

É um instituto público já com alguns anos. Em 2009 fez 20 anos. Gostava de ter sido convidada para a festa. Imaginem que só a tenda (aluguer e montagem), a decoração e o som e vídeo ficaram em 74.063,00 €. O catering, animação e afins só vos custou 60.476,00 €. Uma pechincha, os 20 anos. Isto foi em Outubro, e zás, mete-se o Natal. No ano anterior, em 2008, o Luís Suspiro só tinha cobrado 21.250,00 € pelo jantar de Natal. Como 2009 já era ano de crise, contratou-se o Hard Rock Café para o catering da festinha. Por 8000 €, vale bem a pena!

2009 foi também o ano em que a ANACOM precisou de um template Word e Excel novos. Por 11.350,00 €, e em 150 dias, ficou o trabalho feito. Foi um ano importante para a saúde do instituto: 10.985,00 € para se deixar de fumar. O programa Melhor Vida, dizem eles. Pois, acredito.
Este post podia continuar. Mais uns 12000 € em convites para aqui, umas dezenas de milhar em conferências e brindes para ali. O meu ponto é só este: antes de aumentar impostos, antes de cortar em salários, pensões e subsídios, era para isto que se devia olhar. Não tenho nada de pessoal contra a ANACOM. Neste post, serviu só de exemplo da gordura estúpida deste Estado podre. Podia ter sido qualquer outro instituto público, câmara municipal, empresa municipal. Neste site, basta escrever a palavra "jantar", por exemplo, e descobrimos em que é gasto o dinheiro dos contribuintes. Estupidamente gasto.


lavagem de mãos e outras medidas profiláticas

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De O Homem D'ontem a 07.10.2010 às 03:56

o problema é que sao sempre os mesmos a usufruir das "regalias", e nem sequer por merito, e sao sempre pagas por quem tem de fazer  sacrificos e da valor ao dinheiro.

é como dizer que o dono da fazenda tem direito ao banquete porque no fim os escravos recebem as sobras

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