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Estava no meio da avenida da liberdade enquanto as águas corriam furiosas. Ao meu lado estava um espanhol saído da embaixada. Preocupado com a inundação tirou o blazer enfiou os braços dentro de água e abriu a sarjeta. Tirou uns quilos de folhas e água começou a correr. E naquele momento percebi que Portugal não era bem um país europeu.

 

Todos os anos é a mesma coisa. As sarjetas estão sujas a cidade inunda. A cidade inunda, os restaurantes e as ruas fecham. Os restaurantes e as ruas fecham e o caos instala-se. E os serviços da câmara e os bombeiros fazem horas extraordinárias a limpar as sarjetas que deviam estar limpas no dia em que começa a chover. E hoje em dia nem é preciso falar com os deuses para saber quando é que começa a chover. Um presidente de camara tem imensas coisas em que pensar mas deixar as sarjetas limpas não era um mau princípio de gestão autárquica.  

Todos os anos é a mesma conversa. Explicam que os “índices de pluviosidade foram anormais”. Como se em Bruxelas, Londres ou Antuérpia não chovesse assim todos os dias.  


lavagem de mãos e outras medidas profiláticas

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De Nuno Gonçalo Poças a 29.10.2010 às 12:59

Não estamos só a falar de folhas de árvores. Também, mas não só. Se é verdade que as ruas e as sarjetas deviam estar limpas, não é menos verdade que milhares de pessoas passam o ano a deitar porcarias para o chão. Quando chove, são essas mesmas pessoas que se chocam com o facto de as sarjetas não estarem limpas. Mais do que uma questão de competência camarária, é uma questão de civismo e de cultura. E nós não temos nem uma coisa, nem outra.

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