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Um blogue onde se pode respirar

por Laura Abreu Cravo, em 30.03.07
O tratamento cruel, mesquinho, machista que alguns blogues, tidos como sendo de "direita", dão a Odete Santos deve envergonhar qualquer pessoa bem formada, independentemente de se concordar ou não com as suas ideias.
Chego um pouco atrasada à polémica. Culpa de circunstâncias tão variadas quanto desinteressantes e de alguma hesitação quanto à pertinência ou sequer necessidade de escrever sobre este assunto.
Não vou opinar mais sobre o Dr. Pacheco Pereira, cujo brilhantismo e lisura de carácter me deixam, a cada dia, visivelmente mais impressionada. Não vou sequer manifestar e minha perplexidade ante a grandeza de um homem que, ainda assim, não se permite identificar destinatários para as suas críticas virulentas. (Para que conste, no 31 da Armada somos muitos, mas não fazemos mal a ninguém e eu, enfim, não conto para efeitos de infantaria).
Mas interessa-me, particularmente, a questão do “tratamento cruel, mesquinho e machista”. Ora, se, por um lado, aprecio a crueldade (em matéria de maldade, já tenho defendido a tese de que será sempre preferível a elevação da crueldade eficaz à comezinha pilhagem de galinhas), já a mesquinhez e machismo me indispõem e deixam vagamente mareada.
Contudo não me parece que, neste caso, se aplique uma ou outra qualificação. A mesquinhez (como estreiteza de espírito) e o machismo (como subalternização da mulher) não estiveram presentes nos comentários que fui vendo passar por este blogue. Ninguém questionou ou relativizou o valor da Dr. Odete Santos como mulher ou como deputada. A Dr.ª Odete Santos, como muitos de nós, ao logo do desempenho das nossas funções como profissionais ou cidadãos activos politica, cultural ou socialmente) aceitou o grau de exposição (mediática e ideológica) que estava inerente à participação num programa televisivo. Nessa medida, permitiu conscientemente a difusão da sua imagem e, naturalmente, aceitou o risco dessa mesma exposição. Assim, criticar as ideias defendidas por Odete Santos durante aquela emissão e, acessoriamente, tecer comentários sobre a postura que tenha adoptado nesse mesmo programa é uma decorrência de uma liberdade que a senhora deputada e cidadã exerceu. Não decorre do facto de ser mulher, de esquerda, mais ou menos bonita ou insinuante.
Cavaco Silva, se bem se lembram, foi arrasado com o seu momento Bolo-rei, Jerónimo Sousa mimado por todos os quadrantes políticos pelo seu pezinho de dança, Alberto João Jardim por ter sido apanhado em cuecas por um fotógrafo do Tal & Qual numa troca de roupa num cortejo carnavalesco. Aparecer, meus amigos, é, em larga medida, pôr-se a jeito. E, neste caso, ajeitar a lingerie em frente às câmaras e proferir jargões anti-o-que-quer-que-seja (nesta caso o fascismo) quando não era sequer isso que se discutia é, no mínimo, pôr um pé do lado de lá no que ao decoro diga respeito. Nesta medida, Odete Santos foi alvo de piadas, críticas e algumas graças cuja pertinência, utilidade ou qualidade humorística caberão a cada um dos leitores aferir. Mas não foi nunca posta em causa enquanto deputada (no que à qualidade do seu desempenho diga respeito) e muito menos enquanto mulher.
Isto, meus caros, até para quem, como eu, conhece o machismo de bem perto, é, quando muito, uma espécie de morte social assistida — quer na perspectiva utilitária, quer na perspectiva mediática — que não chega sequer a preencher o tipo criminal do homicídio a pedido da vítima.

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comentários

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De Anónimo a 30.03.2007 às 18:49

Chega de facto tarde e a más horas, por certo acedendo ao pedido de algum cavalheiro que achou que seria de bom tom vir uma senhora, que conhece o machismo bem de perto, trazer alguma seriedade à forma como este assunto tem sido tratado neste blogue.

Mas não só não tem razão nenhuma no que diz (o facto de alguém ser uma figura pública, de se expôr como diz, não habilita os outros a acincalhar essa pessoa da forma que foi feita aqui) como já é tarde para limpar a sujeira a que neste blogue se assistiu nos últimos dias não só a propósito de Odete Santos, como também posteriormente a propósito da nota feita por Pacheco Pereira.

Foi uma lamentável manifestação de falta de educação e de respeito reveladora da ausência total dos mais elementares princípios.

E faria melhor se desse umas palmadas maternais nos palermas mirins em vez de vir tentar branqueá-los.

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De Laura Abreu Cravo a 30.03.2007 às 19:20

Caro anónimo,

Em primeiro lugar, não há sinal maior de machismo do que presumir que esta (ou outra) senhora só expressaria a sua opinião, instigada e levada a isso por um bando de malfeitores como os que assinam este blogue. Adicionalmente, ninguem aqui defendeu que a exposição desculpe o achincalhamento (mais uma vez, o paternalismo de presumir que quem escreveu não sabe do que está a falar, provavelmente por ser mulher(?)). Contudo, só haveria achincalhamento se a senhora deputada não tivesse, de facto, exposto partes do seu corpo que o português comum dispensava ter visto e, mais ainda, não tivesse levado a cabo toda aquela composição cénica em torno do dr. Salazar e do dr. Cunhal.
No mais, de caminho para a cozinha (lugar que, neste blogue, me cabe naturalmente e cujo caminho tornou a indicar-me acima), agradeço o seu gentil comentário.
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De Anónimo a 30.03.2007 às 19:36

Pois, em minha casa diz a boa regra que não devemos aproveitar as fragilidades dos outros para tirar vantagem a nosso favor.

É como gozar com um coxo por ele ser coxo ou com um cego por ele ser cego.

E foi isso que aqui se fez.

Se fossem gente de princípios nunca o fariam. Simples.
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De Laura Abreu Cravo a 30.03.2007 às 19:39

Ninguém comentou características ou condições físicas, mas actos e maneiras de estar. E, na minha casa ensinaram-me que devemos acarretar as consequências dos nossos. Igualmente simples.
Melhores cumprimentos.
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De Anónimo a 30.03.2007 às 19:52

Refere-se ás consequências do facto de Odete Santos ter indavertidamente levantado a camisola e de esse momento ter sido filmado por uma câmara de televisão num programa em directo?

E por consequências, quer dizer a colocação neste blogue de uma gravação desse momento seguida de inúmeros posts sobre o assunto, a diminuir e gozar a visada?

E existe algum nexo causal razoável e equilibrado entre o acto e as "consequências"?

De facto, com esse nível de argumentação é melhor aplicar os seus dotes na culinária.
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De André de Soure Dores a 30.03.2007 às 22:15

Este seu último comentário, Anónimo, tem um travozinho a machismo ou é só impressão minha? Não me parece... é mesmo machismo! é mesmo machismo e não só nesta última tirada certamente! E falávamos nós em moralistas (falsos normalmente, como se pode atestar).
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De Alexandre Borges a 30.03.2007 às 20:00

É impressão minha ou este anónimo acaba de se enterrar sozinho?
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De André de Soure Dores a 30.03.2007 às 22:17

Verifiquei agora que o Alexande ao ler este Anónimo também ficou com impressões... Enterrou-se e até ao pescoço!
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De Alexandre Borges a 30.03.2007 às 20:00

É impressão minha ou este anónimo acaba de se enterrar sozinho?
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De Anónimo a 30.03.2007 às 20:08

Então explique lá porquê?

Por manadar a senhora para a cozinha?

Mas se foi ela própria que falou nisso ... tem que assumir as consequências dos próprios actos. Pelo menos de acordo com o seu código ético.
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De Ana Pedro a 30.03.2007 às 21:04

Tadita da Odete Santos, tão indefesa, tão feminina e com direito a defesa e tudo... Este anónimo terá fumado alguma coisa para rir...com certeza! Tenha dó, e vá o Sr. . para a Cozinha, porque a Laura escreve bem, pensa bem já o senhor, talvez se aprendesse a mexer em tachos e panelas passasse a cozinhar bem...olhe para fazer um jantarinho para a Dra. Odete Santos e de caminho pode também convidar o Dr. Pacheco Pereira...
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De bazooka a 30.03.2007 às 23:08

a sensatez de MCM em «Pacheco Pereira e os mirins»: http://combustoes.blogspot.com/
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De Nuno Martins a 31.03.2007 às 00:53

Com a argumentária deste anónimo se prova que para se ser um bom comuna é bom que se seja também um grande machista. É para se juntar a fome à vontade de comer...
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De Alexandre Borges a 31.03.2007 às 02:07

Ia responder ao último comentário do anónimo, mas, francamente, dadas as opiniões seguintes, não vejo já necessidade. Não há grandes dúvidas sobre o modo como veio criticar pretensas deselegâncias e foi ele próprio muito deselegante.
A propósito, será que nunca passará esta mania do comentário anónimo, sobretudo quando se vem discutir moral? Será que estas pessoas quando discutem com outras, no dia-a-dia, no mundo físico, também escondem o rosto? Não se responsabilizar pelo que se diz é um excelente princípio para não se ser respeitado.
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De Luis Serpa a 31.03.2007 às 11:45

E se eu dissesse que os posts de Laura Abreu Cravo são dos melhores deste blog, também seria acusado de machismo?

O seu post, cara Laura Abreu Cravo, foi, como é habitual, direito ao ponto. Se tratar dos tachos tão bem como trata da prosa, estõ bem servidos, aí no 31 (como nós estamos quando a lemos, acrescento por amor à redundância).

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