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A solução que (quase) ninguém quer ver

por Francisco Mendes da Silva, em 03.11.10

O presidencialismo é a doença infantil da democracia portuguesa e o desmame do caudilhismo não tem fim à vista. Por isso é que a solução para a paralisia política parece tão pouco palpável. Como os portugueses acham o Parlamento um empecilho e a sua ética negocial uma fraqueza do regime, não lhe dão a mínima hipótese de regeneração. Este Parlamento está morto e anseia-se que o Presidente o enxote, convocando o povo para a sua substituição. O comportamento irresponsável da maioria dos deputados, ultimamente, é um assomo desse sentimento. Eles próprios não se dão conta da sua importância institucional numa democracia civilizada e, não tendo a mínima noção de que podem ser parte da solução, continuam alegremente a chafurdar no problema.

 

É pena. A solução está e esteve sempre no Parlamento. Esteve quando das eleições resultou a ausência de maioria absoluta. E está agora, quando o Governo perdeu toda a credibilidade e é constitucionalmente impossível uma clarificação eleitoral. O entendimento que Paulo Portas propôs há meio ano fazia - e ainda faz - sentido. Mas mais: dizer que a solução está no Parlamento significa, muito particularmente, que a solução está antes de mais no PS parlamentar. Na maior parte das democracias maduras, este exaurir da legitimidade do Governo já tinha provocado um movimento interno no partido que o suporta para o substituir dentro do quadro parlamentar vigente - até para salvação do próprio partido. Por cá, uma tal revolta é impossível: o PS está totalmente amestrado, refastelado nos empregos públicos cujos congéneres privados ninguém em estado de sanidade mental proporcionaria às mesmas personagens, e sem qualquer figura credível que se consiga assumir minimamente como uma alternativa.


lavagem de mãos e outras medidas profiláticas

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De Anónimo a 04.11.2010 às 21:44

com uma grande coroa

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