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Acabo de chegar a Portugal e recebo uma mensagem, morreu Ernâni Lopes.

 

Não o conheci como Ministro das Finanças, como professor ou como embaixador.

 

Foi numa reunião - onde estava também o Henrique - que juntou as mais extraordinárias pessoas deste País-, que ele se apresentou - e a razão de ali estar presente - simplesmente como português, e como oficial da Armada na reserva.

 

Durante alguns meses - a Rita, a Carolina, o Henrique, o Nuno, os Franciscos e eu - convivemos com um Senhor que, com valores que alguns acham do passado, só falava do futuro. Desde esse ano, e já passaram 12, ficou um respeito e uma admiração inigualável, e uma amizade que - para nosso espanto - para ele era natural.

 

Depois dessa primeira reunião - em que me passou a tratar por Afonso Henriques - fizemos uma campanha inigualável em Portugal. À mesma mesa sentavam-se pessoas tão diferentes como o Alfredo Barroso e o Daniel Proença de Carvalho, o António Barreto e o Victor Cunha Rego, a Maria João Avilez e o Miguel Sousa Tavares; todos ali sentados para uma campanha, unidos por uma ideia comum, e liderados pelo Ernâni Lopes.

 

Foi assim que o vi, numa reunião em Setúbal, perante uma audiência hostil, a levantar-se e a falar sobre a nossa bandeira, a mesma que ele tinha jurado como oficial. Contra os nossos receios e expectativas, em vez de uma vaia foi alvo de uma ovação - tal a intensidade e segurança dos seus valores.

 

Enquanto percorremos o País, fomos conhecendo histórias e aventuras passadas, sempre contadas com impressionante precisão - certa vez, não queria contar a famosa conversa com Mário Soares (em que perante a questão de que as medidas de austeridade fariam perder as eleições, respondeu, algo como "perde-se as eleições mas ganha o País") porque não se lembrava do dia exacto!

 

Foram muitas as conversas, com o tabaco "Royal Yacht" a secar debaixo de um candeiro, em que conhecemos o seu amor e orgulho na sua famíla e nos deslumbrava com a naturalidade e segurança com que - de uma forma politicamente incorrecta - falava da sua Fé e do nosso Portugal.

 

Quando a campanha acabou, e em que vencemos, começou um problema para Ernâni Lopes: pela primeira vez em Portugal, e devido à sua gestão, acabámos a campanha não só sem dívidas mas com dinheiro a sobrar! Durante algum tempo, o professor não descansou enquanto não resolveu este imprevisto (o que fez editando um livro sobre o assunto). Esta tinha sido, dizia, a sua última acção pública.

 

Graças a Deus, não foi. Nos últimos anos empenhou-se num estudo que hoje é cada vez mais consensual: o "hiper-cluster" do Mar. Como sempre, entre cronogramas e vectores, com estatísticas e gráficos, estava um pensamento estratégico baseado numa ideia de Portugal.

 

Idealista e pragmático, é essa a herança que nos deixa: o exemplo da honradez e do patriotismo,  e um manual para o que fazer neste País.

 

Foi este o português que hoje perdemos, é este o legado que nos deixa.

 

Diogo Afonso Henriques


lavagem de mãos e outras medidas profiláticas

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De Miguel Summavielle a 04.12.2010 às 09:01

Não tive o prazer de conhecer o Prof. Ernâni Lopes.
Não fico, no entanto, indiferente à morte de um homem lúcido, responsável, empenhado e SÉRIO.
A forma como num "Plano Inclinado" de Outubro (penso...) de 2010 afirmava que o futuro de Portugal teria que passar pela credibilização dos seus actores políticos (carreirismo vs competência) e pela restauração dos valores da integridade e seriedade, são a demonstração mais clara das suas qualidades.
Este era um homem que pertencia a uma geração de políticos que se encontra em vias de extinção.
Portugal ficou mais pobre...
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De freire a 04.12.2010 às 10:01

È preciso morrer uma andorinha mas a Primavera não acaba.
O Sr Prof.Ernâni Lopes só passou a ser mais conhecido agora para alguns Portugueses  porque  morreu mas não e agora boa altura para se falar dele devia de ser antes.. Falou-se alguma coisa deste grande Heroi de Portugal  para mim eu ja  o conhecia mas nem fazia ideia que estavamos  perante uma das maiores Inteligências Nacional de um País Pobre  Pequeno com muita Luz  e Bonito.
O Ernâni  fazia parte deste País que somos era um Heroi um Senhor um Amigo.
Ate um dia Sr. Prof.
Freire
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De Anónimo a 04.12.2010 às 11:51

Só o que quero comentar é o facto de determinados portugueses, que não conheceram o Prof. Ernâni Lopes ou desconhecem ainda o seu percurso político, venham para aqui mandar  larachadas só porque têm a facilidade de o fazer. Tenham vergonha...é destes medíocres que o nosso país está cheio, por isso não passamos da cepa torta. Quem não tem que dizer, não diz. Vá lendo o que outras pessoas já escreveram e talvez aprendam alguma coisa.
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De ana-paula patuleia a 04.12.2010 às 12:54

o meu orgulho neste português.
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De Mosquito a 05.12.2010 às 17:21

Faz-nos falta? Pois faz, e muita. Pelos seus pensamentos, palavras e obras, Ernani Lopes nunca nos vai deixar, assim nós o façamos todos os dias. Que o seu exemplo vingue por todo o lado e surjam muitos mais como ele.

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