Consta, por aí, que o Director-Geral da Administração Interna (Paulo Machado) e o Director-Geral da Administração Eleitoral (Jorge Miguéis) pediram a demissão, na sequência de um pretenso escândalo que envolveu a impossibilidade – ou, pelo menos, uma grande trapalhada – de milhares de eleitores exercerem o seu direito de voto nas Presidenciais 2011.
Porque, ah e tal, da tromba de água.
Os dois pedem a demissão porque, ah e tal, fizeram asneira. Obviamente que ninguém, hierarquicamente acima destes, fez o arranjinho para que tivesse acontecido o que aconteceu. Obviamente.
Mas, entremos de pantufas no capítulo do insólito e da hipótese. Vamos lá!
Suponhamos que a trapalhada toda foi planeada superiormente. Suponhamos que foi uma jogada bem planeada, com efeitos previsíveis e de feição para o Governo Sócrates.
Suponhamos que este duplo pedido de demissão também fazia parte do plano, como que para limpar suspeitas a montante dos directores-gerais e arrumar o assunto com uma pintarola à campeão.
E por que raio haviam os dois de se deixar queimar desta maneira tão inglória?
Suponhamos que há um esquema de redistribuição de riqueza, favores e poleiros, dentro de uma comunidade grande (embora restrita), que permite que esta queimadela seja facilmente superada através de uns milhares de euros na conta bancária e de um percurso político-profissional jeitosinho.
Ou seja, suponhamos que os dois senhores directores-gerais se disponibilizaram para fazerem de bodes expiatórios desta trapalhada toda, a troco de uma quantia generosa de dinheiro, e de uns distintos poleiros numa qualquer administração – daquelas que parecem uma praga de coelhos, tal é a velocidade com que se reproduzem e enchem os campos.
Obviamente, as contas bancárias portuguesas são blindadas propositadamente, pelo que seria impossível verificar se isto é um “supúnhamos”, ou nem por isso.
Obviamente, os jornalistas portugueses estão estrategicamente impedidos de seguirem atentamente o percurso futuro destes dois senhores, pelo que um até pode vir a ser o manda-chuva da EDP e o outro da Águas de Portugal, que órgão de comunicação social algum dará conta disso.
Dentro destas suposições todas, é caso para dizer que estes dois senhores seriam bem apelidados de “bodes prostitutos”, isto é, que aceitam ser bodes expiatórios a troco de algo.