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Meu querido João,

 

O que escreves faz algum sentido. E, certamente por pudor, haverá sempre quem defenda que este caso não passa de um fait diver. No entanto desvalorizas a força do exemplo. Sócrates está, visivelmente, a perder o que até agora nunca tinha perdido. O respeito dos outros. Primeiro o respeito dos jornalistas e dos tribunos. Seguirá, mais tarde, o respeito do eleitorado.

 

A política é um pouco como o mundo animal onde o cheiro a sangue atrai sempre os predadores. Sócrates está ferido, e as páginas dos jornais, enchem-se de tubarões embriagados com o cheiro a sangue. Por muito controlo e estratégia que os socialistas julguem ter, acreditar que os tubarões não mordem é uma ingenuidade. Os tubarões atacam sempre e raramente deixam escapar a vítima. É a sua natureza e estas são as regras do jogo: os tubarões mordem porque têm de comer. É uma profissão, como outra qualquer. 

 

Depois deste caso será possível, como nunca foi antes possível, afrontar, enfrentar e até enxovalhar o primeiro-ministro e o governo. Será a palavra do acusador contra a palavra de quem já foi apanhado a mentir. E isso é fatal. Especialmente para a linha estratégica que Sócrates escolheu para o seu governo, uma linha tão dependente da agressividade e do confronto.

 

Bem podem Vital Moreira, Mariano Gago e todos os outros socialistas, explicar que o caso não tem importância nenhuma. Disseram a mesma coisa quando Guterres foi vaiado na final do Masters em 2000. A verdade é que Guterres durou pouco mais de um ano à “vaia das elites”. Sócrates durará pouco mais que isso e Mendes arrisca-se mesmo a ser primeiro-ministro.  


lavagem de mãos e outras medidas profiláticas

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De Luis Oliveira a 10.04.2007 às 22:25

«A verdade é que Guterres durou pouco mais de um ano à “vaia das elites”. Sócrates durará pouco mais que isso e Mendes arrisca-se mesmo a ser primeiro-ministro.»

Não me parece. O PS tem maioria absoluta e o Presidente da República ainda não mostrou grande interesse em sujar as mãos na lama desta crise.

Qual é que vai ser o efeito desta crise nas sondagens e na popularidade do Primeiro Ministro ainda é de facto cedo para prever ...

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