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Eyes Wide Shut

por Carlos Nunes Lopes, em 26.03.11

A Passos Coelho exige-se agora que salve o país da bancarrota, que reestruture a administração e reduza a sua despesa, que não aumente impostos e ainda que coloque Portugal a crescer.

A todas estas exigências, somam-se ainda outras:

- que Governe de olhos fechados, sem saber que dinheiro tem para fazer as reformas que todos os que Governaram nas últimas décadas entendem agora - e há muito tempo - como fundamentais;

- que Passos Coelho feche os olhos ao que pode ser a real situação das contas públicas porque todos consideram que não seria estranho se Sócrates e Teixeira dos Santos estivessem, há muito, a falsear as contas públicas e que Constâncio tivesse dado uma ajuda, ou que o INE tenha sido simpático com o Governo, ou mesmo que a Direcção-Geral do Tesouro tivesse dito ámen à tutela.

Pede-se ainda a Passos Coelho que Governe sem "estado de graça", porque o PS começou a "apontar o dedo" no dia em que mais uma vez virou as costas aos portugueses.

E, se o líder do PSD não fizer tudo isto - e bem - os socialistas ameaçam voltar na primeira oportunidade - como já tão bem fizeram no passado - para acabar como o que ainda resta erguido.

 

Segundo o Expresso apurou, Cavaco deu voz à preocupação (sua e das autoridades europeias) de que a descoberta de novos buracos nas contas ponham Portugal ainda mais em xeque, mas também a UE, que teria falhado pela segunda vez no acompanhamento de um Estado-membro. O pior cenário seria a repetição do que se passou na Grécia: a revelação de despesas escondidas e a evidência do falhanço dos mecanismos de controlo europeus. 
Para Passos — que tem dúvidas sobre o real estado das finanças — este travão em nome da salvação nacional pode significar a perda de um poderoso
trunfo eleitoral. Sobretudo quando se tratar de tomar medidas impopulares. Por outro lado, a enorme preocupação do PR com a delicadeza do momento deixou bem vincada a necessidade de uma campanha moderada, sem crispação excessiva que ponha em causa a possibilidade de futuros entendimentos.  
Do lado do Governo, a resposta é que as contas são auditadas pelo Banco de Portugal, INE e Direção-Geral do Tesouro. E o Banco de Portugal admite que seria dramático abrir esse dossiê, colocando-nos ao nível de países que falsearam as suas contas públicas, como a Grécia. O que está em causa é o ano em que terá de ser contabilizado o buraco do BPN e a necessidade de integrar a situação das empresas públicas, como o Eurostat prevê, mas isso não significa que as contas públicas portuguesas tenham sido falseadas, sublinha o banco central. (Expresso. Edição impressa)


lavagem de mãos e outras medidas profiláticas

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De Almiro de Matos a 26.03.2011 às 16:09

Tenho-me habituado a ler o 31 da Armada. Pelo estilo tac-tac, lúcido e adequado, a exemplo do que fizémos em tempos no "República", quando o Álvaro Guerra dirigia o Suplemento Fim de Semana e ali se cultivava a liberdade de espírito que depois acabou mal.
 Queria dizer apenas isto: em Portugal, um líder que não seja um autocrata como Sócrates dá sempre com os burrinhos na água, tudo se lhe exige sem piedade. Os lusos gostam de sentir, ou não passam sem, uma mão forte no cachaço. Assim, já se perspectiva que Passos virá a ser estrafegado. Um povo que não se governa nem se deixa governar. A máquina de escaqueirar está bem montada pelos boys.
  Assim sendo, é bom que um espaço destes exista, ao menos para falar alto e claro. Contra o sádicos de pacotilha. E é muito!
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De tre a 26.03.2011 às 18:08

Terá razão, mas felizmente o dinheiro e eles é mais gastar dinheiro que propriamente pois governar.
Esta de desde o Cavaco até «à  Europa» todoa pensarem que há buracos mas que o melhor é não falar deles apenas dá razão a quem diz que vivemos numa era de fracos.

 
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De Pedro Marques a 26.03.2011 às 16:29

Deveriam existir sanções a todos os agentes políticos (http://www.rtp.pt/noticias/?t=Silva-Lopes-defende-maior-responsabilizacao-de-politicos.rtp&headline=20&visual=9&article=411839&tm=6) e/ou económicos, que deturpem ou mascarem cenários que não correspondem à realidade.

Por exemplo: porque carga d'água , neste caso, (http://movel.publico.pt/shownews.aspx?id=1484787&canalid=12) não foram apuradas as razões de não entrega de informação pertinente e em condições, a este grupo de trabalho? Desde quando, funcionários vinculados a um serviço público sonegam e retêm informação daquela forma? Será por incapacidade ou por manifesta má vontade? O resultado devera ser simples: ou xadrez ou rua!
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De Anónimo a 27.03.2011 às 13:36


Caro concidadão:
Se quiser participar neste exercício de cidadania, vá ao site da Presidência da República Portuguesa (http://www.presidencia.pt/?action=3 (http://www.presidencia.pt/?action=3)) e, na rubrica Escreva ao Presidente, preencha o formulário e coloque a seguinte mensagem:

Excelência, a preocupação com o estado do país, e das finanças públicas em particular, leva-me, enquanto cidadã responsável e cumpridora das minhas obrigações, a apelar a V. Exa no sentido de ver esclarecidas as questões que abaixo apresento e que, não sendo de minha autoria, subscrevo na íntegra.
Maia Helena Rodrigues

Três perguntas.
1. Podemos ter acesso aos números verdadeiros, aos números da dívida, aos gráficos da evolução da dívida e das execuções orçamentais, ao excel da despesa pública, aos números do endividamento por causa das PPP – enfim, às contas públicas? Podemos saber quanto se deve, quanto se gasta, quanto os portugueses pagam de impostos, quanto dos seus impostos é aplicado e onde (educação, saúde, justiça, segurança – e empresas públicas, obras públicas, institutos & observatórios, comunicação e mordomias)?
2. Podem esses dados ser reunidos por uma entidade independente, fiável, «certificada»?
3. Se a resposta for negativa, podemos saber porquê?
Nota - Será bom dar conhecimento aos grupos parlamentares todos. Os endereços de e-mail estão na net.
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De Jorge Gaillard Nogueira a 27.03.2011 às 14:10

A coisa chegou a tal ponto que a meu ver só com uma acção corajosa e frontal se pode chamar a atenção das autoridades mundiais, pois as nacionais e europeias já não merecem crédito pelos abafamentos, verdadeiros actos de omertá e os contínuos atentados ao Estado de Direito e à República (das bananas, talvez, mas ainda República constitucional).
 Sugiro que durante 30 dias, todos os dias, entre pelo menos um cidadão/cidadã em greve da fome. Apesar do Estado em geral e o governo em particular ter pelas pessoas um desprezo manifesto, o impacto seria de tal ordem que eles teriam de abrir um inquérito à coisa, ou ficariam com a desvergonha à mostra.
 Proponho-me ser o primeiro a fazê-lo.
 Isto já não se aguenta. Temos de pegar os bois de frente!
Viva Portugal!

 
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De lucklucky a 27.03.2011 às 23:12

"Os lusos gostam de sentir, ou não passam sem, uma mão forte no cachaço. "
vs
"Um povo que não se governa nem se deixa governar."


Ou seja um povo com graves dificuldades com a lógica. Sempre pronto para usar a primeira frase feita que lhe vem à cabeça mesmo quando é contrário ao sentido do que está dizer.
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De João Martins a 28.03.2011 às 00:05

Acho que as duas frases se incluem. É o milagre da portugalidade.
A chamada contradição criativa que faz do feroz engenheiro realmente um lulu da pomerânia mansinho e do povo, que é manso, um manso perigoso e com espuma na boca.
 Como dizia St. Agostinho. 

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