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Dia de "tiras"

por Sofia Bragança Buchholz, em 17.04.11

Simão, o Hipocondríaco (II)

 

• O Sr. António, empregado do restaurante (aka Simão)
• O Cliente (aka Eu)


Um destes dias, em casa da minha irmã, preparo-me para jantar. O Simão faz-me companhia.
A certa altura, resolvemos brincar “ao faz de conta”: eu sou o cliente que vai ao restaurante jantar; o Simão é o Sr. António, o empregado do estabelecimento.
Depois de ter encomendado o prato − note-se, devidamente aconselhado pelo Sr. António − preparando-se para o saborear, o Cliente resolve fazer conversa com o Empregado.


Cliente: − Então Sr. António, como vai essa vida? Tudo bem com o seu filho?
Sr. António: − Não, o meu filho está muito doente!
Cliente: − Ai, sim? Não me diga! O que lhe aconteceu? − Suspiro, conhecendo a “peça”, preparando-me para o que aí vem.
Sr. António: − Caiu. Partiu a cabeça e estes dentes todos − faz o gesto indicativo dos respectivos dentes. − Tem a cabeça toda… como é que se diz … com aquelas coisas brancas?!
Cliente: − Ligada? Ai, credo que horror, Sr. António!
Sr. António: − Tem de ser, senão o cérebro fica muito solto e todo baralhado.
Cliente: − Pois, isso de ter o cérebro solto deve ser, de facto, terrível. − E levo eu as minhas mãos à cabeça com tanto disparate.
Sr. António: − E dorme com várias almofadas: uma muito fofinha, uma de gelo, outra muito fofinha, outra de gelo …
Cliente: − Bem, mas tirando isso, está tudo bem, não está? A sua esposa? − Pergunto, tentando desviar o assunto daquela desgraceira.
Sr. António: − Está muito mal! Foi ontem ao hospital. Tem o baço muito mal.
Cliente: − O baço??? − Levanto os olhos do prato, espantada com o termo, duvidando que um miúdo de cinco anos, mesmo com pais médicos e adorando ver o Dr. House, saiba o que é o baço. Tranquilizo-me ao ver que ele indica o braço.
Sr. António: − Está todo partido!
Cliente: − Ó Sr. António, no meio de tanta desgraça valha-me, aí, o senhor, que está com muito boa cara e fresco que nem uma alface! − Exclamo, não desistindo do meu dever de o afastar daquela fixação pelas doenças. Mas ele arrumou comigo:
Sr. António: − Eu? Eu estou muito doente! E, olhe, saiba o senhor, sou o único que não pode ir ao hospital porque tenho de tomar conta do restaurante!

 

 

© Sofia Bragança Buchholz (Simão no Facebook: aqui)


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