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Um país com dificuldade em lidar com a verdade

por Carlos Nunes Lopes, em 18.05.11

O INE dá-nos nota que descobriu mais desempregados que não tinham contabilizado.

O Governo justifica que o valor parece elevado porque foi aplicada uma nova metodologia (entrevista telefónica e não presencial) para apurar o número de desempregados. Estamos a falar de pessoas, de pessoas reais que estão sem um emprego. Descobrir que o país tem mais desempregados do que julgamos é razão de lamento e não de argumentos técnicos estéreis.

O rídiculo é tal que o INE até disponibiliza o número virtual de desempregados caso a nova metodologia não tivesse sido aplicada.


lavagem de mãos e outras medidas profiláticas

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De João. a 18.05.2011 às 20:11

Eu sou de centro-esquerda e admito que Sócrates tratou esta questão levianamente quando prometeu não sei quantos mil empregos, mas a direita não o trata menos levianamente ao sugerir que o problema do desemprego tem raiz nos 6 anos de governo do PS, porque não tem. A questão é que produtos tem o nosso tecido empresarial privado que sejam de tal modo desejados lá fora que uma simples redução da TSU sirva para inundar as nossas empresas com encomendas?

O que produzem as nossas maiores empresas privadas - Sonae e Jerónimo Martins? Hipermercados, ou seja, mercearias glorificadas. Vamos exportar mercearias. Muito bem. Em que é que essa exportação vai aumentar a demanda na nossa agricultura? Será que são as batatas, as couves e os enlatados portugueses que irão para as prateleiras da Polónia? E nós vamos lá com batatas, couves e enlatados.

O resultado do desemprego, parece-me, deve-se ao desinvestimento na indústria de produtos de grande valor acrescentado, resultado do desprezo pelo ensino e formação em tecnologias avançadas em Portugal. E uma recuperação dessa capacidade, ou melhor, uma criação dessa capacidade, que nunca tivemos, senão quando construíamos Caravelas há 500 anos, demora o seu tempo e não é de um dia para o outro que passamos a ter indústrias de produtos avançados.

A nossa agricultura poderá melhorar a ponto de aumentar a sua presença no mercado interno, mas não temos sequer o espaço para produzir excedentes que mobilizem as exportações.
Precisamos de criar produtos diferenciados com alto valor acrescentado que tenham demanda forte no exterior e isto não vai lá com meras reduções da TSU, vai lá com formação e criatividade que depois, aí sim, pode ser apoiada pelo Estado. Mas sem produtos para vender de que serve, por si só, a redução do custo do trabalho?
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De Guilherme a 18.05.2011 às 21:03

João,

Concordo que o problema do desemprego não é um fenómeno dos últimos 6 anos. Porém, o aumento exponencial da taxa de desemprego, é! Atente à politica económica do governo no que concerne ao tecido empresarial português (maioritariamente PME) e tire as suas conclusões. Eu, não me consigo recordar de nenhuma que tenho produzido qualquer impacto positivo... mas que fecharam muitas, é uma evidência.

Depois, gostaria de esclarecer que a Sonae e o Jerónimo Martins não são só Hipermercados... A Sonae é (só) o líder mundial no segmento dos aglomerados (madeiras) e é um player respeitável nas telecomunicações e multimedia. Quanto ao Jerónimo Martins, detem uma posição invejável no retalho polaco (que aliás refere), e detem importantes participações na industria nacional, nomeadamente: gelados (olá), margarinas e óleos alimentares (vaqueiro, becel), azeite (gallo), detergentes (skip) entre outros.

As empresas existem para gerar riqueza, através do trabalho que geram, dos dividendos que distribuem e dos impostos que pagam. E todas são necessárias!

Como não professo a política do "bota-a-baixo", isto é, apenas dizer mal sem avançar com propostas de solução, acredito que poderia ser implementada uma medida económica que traria óbvias vantagens para as empresas, sem grandes impactos de médio/longo prazo para o estado. Refiro-me à questão do pagamento do iva ao estado. Hoje, as empresas liquidam iva sobre as facturas emitidas, estejam elas pagas ou não pelos seus clientes. A proposta seria liquidar o iva apenas após a cobrança efectiva dos clientes. Muitos dos problemas de endividamento das empresas seria resolvido.

 
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De João a 18.05.2011 às 21:25

Caro Guilherme,

Admitamos que o governo cometeu erros, mas há outros factores que não estão em jogo nesta campanha, o que indicia que todos os partidos mascaram as coisas de acordo com as conveniências. Ou seja, parece-se ser um facto que o descalabro do emprego começou antes da crise aguda da dívida pública nacional, mas, no entanto, logo depois da crise internacional. Eu moro no Brasil e lembro-me de diariamente ler sobre o despedimento de centenas de trabalhadores, de que resultou, o despedimento de dezenas ou centenas de milhares, e isto, como disse, antes da crise do rating da dívida pública portuguesa.

O que me parece ter acontecido foi um puro e simples pôr a nu da fragilidade das nossas empresas privadas, nomeadamente as PME e enquanto esta questão servir apenas para duelos eleitorais ela não é tratada na sua raíz.

Em políticas de curto prazo há muito pouco que os governos podem fazer para reformar a capacidade proditiva da nossa economia e as políticas de médio e longo prazo (digamos para uma e duas gerações) implicam uma continuidade reformista de que nunca fomos capazes.

Cada novo governo, se muda o partido, parece que começa por anular quase tudo o que o governo anterior fez e não há uma perspectiva e um trabalho de correcção e aprimoramento de reformas dentro de alguma continuidade, mas um contínuo começar de novo.

Ou seja, trabalhamos apenas o curto prazo e o que se vê na falta de competitividade das nossas empresas pode resultar deste abandono das visões e trabalhos continuados de longo prazo.

Eu estranho muito que alguma direita já queira terminar o programa das renováveis que pode vir a ser um segmento, que ainda está em aberto no mundo, onde Portugal tenha alguma presença importante.

O mesmo na mobilidade eléctrica, que dizem não servir para nada, quando, cada vez mais, as marcas consagradas de automóveis mostram que estão a lançar uma aposta nos veículos eléctricos. 

O resultado disto pode ser o do costume. Que daqui a 50 anos estejamos a importar os postos de abastecimento eléctrico de automóveis que poderíamos estar a exportar se não abandonássemos o bom trabalho que tem sido feito nesta área.

Cumprimentos.
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De inider a 18.05.2011 às 22:08

sempre que é conveniente, os vigaristas alteram a "metodolgia"...
além disso, muitos desempregados e muitos cidadãos deixaram de ter telefone...
por isso, estes números, aliados a outras maroscas, são completamente martelados!
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De Algarve a 19.05.2011 às 00:27


Existe pessoas que simplesmente não teem emprego,eu já fui um desses,e existe pessoas que estão no desemprego e não querem trabalhar,eu tambem já fui um desses.Enquanto houver subsidios de desemprego de mais de 600euros há-de haver sempre desempregados.Eu ganhava 900euros no desemprego e estava sempre "dezando" para que ninguem me chamasse para trabalhar.Alem de que fazia alguns trabalhos em que ganhava mais ou menos 600euros extra.Foi a fase que vivi melhor.
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De Algarve a 19.05.2011 às 00:28


"rezando"!

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