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O 'Estádio' Social de Sócrates

por Carlos Nunes Lopes, em 22.05.11


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De João. a 23.05.2011 às 05:58

Homem d'ontem: "a competitividade na empresa, e em portugal, a falta dela, está relacionada com os patroes que decidem comprar ferraris em vez de maquinas, com os gestores que ficam com os lucros de um produto que nao ajudaram a fabricar, e com os administradores que perferem mao de obra pouco qualificada, mal remunerada, e por isso vulneravel e influenciavel em vez de apostarem na formaçao e qualificaçao de trabalhadores que tanto gosta de mencionar."

O resultado da falta de competitividade das nossas empresas, meu normal, começou há muito tempo e não se muda só com remédios de curto prazo. Sem uma qualificação generalizada do povo assente num bom sistema público de educação simplesmente não há infraestrutura humana, digamos assim, para sustentar um aumento de qualidade das nossas empresas.

Será que a relação entre a fragilidade do nosso tecido empresarial e o facto de muitos de nossos empresários virem ainda do Estado Novo, com pouca formação escolar e técnica é uma mera coincidência?
O Estado Novo é o exemplo do que eu disse atrás. Umas elites industriais e um povo de Evaristos de retrosarias e de Zé povinhos criadores de galinhas. Os quadros médios  industriosos eram pouco significativos e eram absorvidos pelas ditas elites, e assim sem capacidade de iniciativa própria por falta de mão de obra qualificada e de acesso à tecnologia.

Não percebo em que é que o ensino público impede a existência de ensino privado. Que eu saiba existem em Portugal variadísimas instituições privadas de ensino e a melhora do ensino público em nada afecta a sua existência.

Quanto à ciência remeto-o para as declarações que uma cientista portuguesa já premiada internacionalmente fez no Prós e Contras em que participou Eduardo Catroga e Pedro da Silva Pereira. É nessas declarações e nos artigos felizmente cada vez mais recorrentes de bons exemplos da nossa ciência que leio nos jornais que eu me baseio.

Já você, quanto a isto, apenas vem com meias palavras.

Que muitos cientistas têm de completar a sua formação no estrangeiro é sinal de haver ainda muito trabalho a fazer, mas que mais hoje do que ontem haja trabalho reconhecido a ser feito em Portugal sinaliza por seu lado que se tem feito trabalho de casa.

O facto da Fundação Champalimaud ter sido inaugurada hoje e não ontem por si já mostra que hoje há mais confiança nas capaciadades científicas portuguesas do que havia ontem.
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De O Homem D'ontem a 23.05.2011 às 06:29


vamos deixar uma coisa bem clara.
voçe apareceu aqui a defender o PS e o Querido lider.
e depois, usa argumentos que nao sao compativeis com as politicas do partido que apoia, numa tentativa (se isto fosse um meio politico usava o termo "populista") de cantar os louros aqueles que teem vindo a prejudicar, como um indeciso bem intencionado, ou qualquer coisa do genero "nenhum cidadao será descriminado face a outro pois para ser considerado cidadao, todos terão de lavrar a terra" ou "o trabalho liberta".

"O resultado da falta de competitividade das nossas empresas, meu normal, começou há muito tempo e não se muda só com remédios de curto prazo."

remedios a curto prazo...até parece que o PS tem vindo a apresentar alguma coisa a longo prazo..
16 dos ultimos 18 ou 19 anos foram de governaçao socialista, e o que mais nao falta nesse periodo sao medidas de caridade, esmolas e pensos rapidos nos problemas. mas agora querem que os vejam como arautos do carril recto.

"Sem uma qualificação generalizada do povo assente num bom sistema público de educação simplesmente não há infraestrutura humana, digamos assim, para sustentar um aumento de qualidade das nossas empresas."

isto é irracional.
primeiro, porque o sistema de ensino vigente nao prepara ninguem para o mercado de trabalho. o que nao falta é malta a trabalhar em areas diferentes da sua area de formaçao. e segundo,porque hoje em dia a maior parte das competencias profissionais dos trabalhadores so adquiridas no local de trabalho...aquele onde se resiste a investir na formaçao do trabalhador. porque se nao ha um curso que ensine a ser apanhador do tomate, devia haver, o mano que aprenda sozinho.

"Será que a relação entre a fragilidade do nosso tecido empresarial e o facto de muitos de nossos empresários virem ainda do Estado Novo, com pouca formação escolar e técnica é uma mera coincidência?
O Estado Novo é o exemplo do que eu disse atrás. Umas elites industriais e um povo de Evaristos de retrosarias e de Zé povinhos criadores de galinhas. Os quadros médios  industriosos eram pouco significativos e eram absorvidos pelas ditas elites, e assim sem capacidade de iniciativa própria por falta de mão de obra qualificada e de acesso à tecnologia."

se nao me engano o estado novo terminou há 40 anos... bem sei que somos lentos, mas 40 anos parece mais que suficiente para mudar mentalidades.
e se os decisores politicos nao tiveram tempo tempo para o fazer, entao deviamos chamar os tais cientistas, porque algo se passa.
mais peculiar ainda é o facto de em quase 20 anos de governaçao, ja na "modernidade", o partido que esteve no poder mais de 3 quartos desse tempo nao só ter sido incapaz de o fazer, como apenas toma medidas que asseguram a que as coisas se manteem na mesma...


"Não percebo em que é que o ensino público impede a existência de ensino privado. Que eu saiba existem em Portugal variadísimas instituições privadas de ensino e a melhora do ensino público em nada afecta a sua existência."

entao depreendo que quando fala em relaçao ao "querem acabar com o ensino gratuito", fala por carneirismo politico.
se aquilo que afirma é verdade, porque é que continuam a pintar a situaçao dessa maneira? porque bem sabemos que isso nao é verdade.
"O facto da Fundação Champalimaud ter sido inaugurada hoje e não ontem por si já mostra que hoje há mais confiança nas capaciadades científicas portuguesas do que havia ontem."

esta é genial! entao, segundo a mentalidade de um gajo que vota socrates, a fundaçao champalimaud, nao foi criada graças a iniciativa e meios privados de alguem que faz o que o estado devia fazer, mas sim pelo proprio estado incompetente. genial.
ainda mais genial se nos lembrar-mos que assim que a inauguram, dizem tencionar construir um centro hospitalar que a torna redundante...



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De João. a 23.05.2011 às 15:14

Você é que, não sei porque razão, pensa que as pessoas de centro-esquerda são favoráveis a algum totalitarismo de Estado ou à nacionalização de toda a economia privada. Mas aí, eu não posso fazer nada, já que para você ou se é de direita ou se é estalinista. É por isso que se mostra (ou finge mostrar) surpreendido.

Por isso, desculpe lá, mas nunca foi dito que se é contra a iniciativa privada, antes pelo contrário, a mim parece-me que a qualificação e a potenciação da iniciativa privada é fundamental.

E é evidente que a qualificação do trabalho dentro da empresa é muito importante mas há um passo anterior a esse que é a qualificação geral das pessoas e é aqui que para mim o desenvolvimento do sistema público de educação é fundamental, porque o desinvestimento do público para financiar o privado vai resultar na estagnação da escola pública e de toda a infraestrutura criada.

O governo do PS nesta matéria não é sem alguns erros importantes que é necessário corrigir, mas eu prefiro que se corrija por dentro do sistema e não por fora. Um destes erros é o facilitismo excessivo, aliás parece-me ser o erro principal do governo na educação. Já o que me parece bem feito é a aposta na qualificação das infraestruturas escolares e na avaliação dos professores. E o que falta juntar a isto é, como já referi, a compatibilização da avaliação dos alunos com o grau que frequentam.

Uma outra iniciativa com que concordo é a reintrodução do ensino técnico e profissional porque responde duplamente a uma necessidade geral e a necessidades de pessoas que tendo pouca vocação para o ensino regular têm uma opção profissionalizante - ou seja, o que de comum se diz "aprender um ofício".

Sim o Estado Novo acabou há 35 anos mas muitos de nossos empresários, como se sabe, são pouco qualificados, ou seja, não houve ainda um impacto generalizado no tecido empresarial das gerações melhor qualificadas.

Portugal sai do Estado Novo com uma desvantagem enorme face à competição nos mercados europeus e mundiais e em 35 anos fizemos muita coisa mas ainda não conseguimos atingir um patamar de iniciativa capaz de alimentar-se de sua própria dinâmica sem a chamada do Estado ao estímulo directo ao desenvolvimento. É por isso que para mim não resulta ainda uma política ao modo do republicanismo americano em que meros estímulos fiscais sejam por si só especialmente eficazes, já que o risco é que estes estímulos resultem não no reinvestimento na empresa mas em consumo.

Claro que se podem fazer ajustes nesta matéria, mas estes ajustes devem ser um complemento a políticas capazes de introduzir no mercado da iniciativa privada jovens qualificados com capacidade de inovação e com propostas de produtos com maior ciência e tecnologia agregada.

Por exemplo, no caso da introdução das novas tecnologias nas escolas, que deve ainda ser melhor implementada, nomeadamente a partir do feed-back dos professores após algum tempo de experiência com a sua utilização, o Estado poderia estimular a criação de uma indústria de conteúdos e até de software a serem aplicados nas escolas.

O Estado pode solicitar a universidades, a grupos multidisciplinares, que criem estes instrumentos e uma vez criados podem ser lançados no mercado internacional. Uma encomenda deste tipo do Estado pode começar por dar dimensão à iniciativa a partir da qual ela reúna recursos para depois competir no exterior.
No caso das renováveis a mesma coisa.

Nós com a cortiça, o vinho, o azeite, os vidros, os texteis, não precisamos de especial intervenção do Estado senão por exemplo em incentivos fiscais que promovam a exportação, mas na criação de novas indústrias, nomeadamente as de maior incidência tecnológica, assim me parece, precisamos ainda de estímulos directos do Estado.

Você discorda. Ok. É por isso que temos opções políticas diferentes, mas a opção pelo centro-esquerda não é movida por tachismo, ou seja, por tachismo pode ser movida tanto quanto outra opção política qualquer, mas fundamentalmente porque existem leituras diferentes quanto ao papel do Estado.

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