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O conselheiro Acácio do Sec XXI

por Manuel Castelo-Branco, em 23.05.11

 

 

O conselheiro Marcelo Rebelo de Sousa, é um homem respeitado na democracia Portuguesa.Burgês, bem parecido, culto e com óptima prestação televisiva. Ao contrário do conselheiro Acácio que citava tudo e todos com total banalidade, Marcelo é muito inteligente criativo e divertido - cria frases, conceitos e ideias que são citadas e adoptadas em vários contextos da vida política e social.

 

Patriota convicto, defensor da boa moral Acácio foi nomeado conselheiro por El Rei. Marcelo Rebelo de Sousa ex-líder partidário, militante activo do PSD, é nomeado pelo Presidente da República para Conselheiro do Estado. Junta esse cargo ao de “enternainer” televisivo – uma mistura de analista político com o crítico literário e comentador desportivo. Funções que desempenha com brilhantismo, mas nem sempre com a devida neutralidade e equidistância. Nunca é capaz de despir a sua camisola laranja de militante, de ex-líder ou ex-ministro. E aqui o conselheiro Acácio e o conselheiro de estado Marcelo parecem gémeos siameses, duas faces da mesma moeda.

 

Isto, porque o conselheiro Marcelo, gastou 17 minutos da sua crónica da TVI de dia 15 de Maio, supostamente isenta e distanciada a comentar e denegrir o CDS. Ontem dia 22, Marcelo, mais subtil, não deixa de dar mais uma estocada desmentida pela realidade: “Quando o CDS baixa o PSD sobe. Quando o PS baixa, o BE sobe. E vice-versa.”

Ora, segundo a sondagem da Intercampus para a TVI e Publico acontece precisamente o contrário. Senão vejamos:

 

 

Sondagem Intercampus              
  27-Mar 06-Mai 09-Mai 13-Mai 16-Mai 20-Mai 20-Mai   Amplitude maxima
PSD 42,2 37 36,2 33,9 36,1 35,7 39,6   6,5
PS 32,8 34,8 35,1 36,8 35,4 34,1 33,2   4
CDS 8,7 10,5 10,9 13,4 12,6 12,8 12,1   4,7
CDU 7,9 7,9 7,7 7,4 7,3 7,5 6,6   1,3
BE 7,1 7 6,5 6 6,2 6,8 5,6   1,5
                   
CDS+PSD 50,9 47,5 47,1 47,3 48,7 48,5 51,7  

 4,6

                   
PS+BE 39,9 41,8 41,6 42,8 41,6 40,9 38,8    4,0

 

 

  • A maioria de centro direita tem amplitudes de 4,6%, muito menores que a amplitude existente do PSD (6,5%) e semelhante da do CDS. Ou seja, hoje o CDS conquista votos ao centro esquerda tal como o PSD. A descida do PSD nao significa necessariamente a descida da potencial coligação.
  • A tendência é maioritária é o PS descer e o PSD+CDS subirem e não apenas um dos partidos. Ou seja é o CDS que consegue, em ambiente de queda do PSD, sustentar a votação da suposta coligação.   
  • A votação mais baixa do PSD corresponde à mais alta do CDS, mas também à mais alta do PS. Ou seja, indicia que é o PSD que perde mais votos para o PS.
  • A transferência de votos entre o PS e BE parece ter uma correlação próxima de um. O mesmo não acontece entre o CDS e PSD, facto absolutamente normal entre dois potenciais parceiros de governo.

O conselheiro Acácio não percebia de sondagens, mas o conselheiro Marcelo, até pelo cargo que ocupa, não pode nem deve, induzir o voto dos espectadores da TVI.

Não há almoços grátis nem comentários inocentes, Sr Conselheiro.


comentários

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De Joaquim Amado Lopes a 24.05.2011 às 02:26

Marcelo: "Quando o CDS baixa o PSD sobe. Quando o PS baixa, o BE sobe. E vice-versa."
Manuel: "Ora, segundo a sondagem da Intercampus para a TVI e Publico acontece precisamente o contrário."


Por favor, consultem a tabela apresentada pelo Manuel. Vale uma boa gargalhada. 
(uma pista: a única excepção à regra é a evolução de 20 de Maio para 23 de Maio - há uma gralha na data - em que PS e BE descem)


Confirma-se que o Marcelo Rebelo de Sousa até percebe de sondagens e que o Manuel Castelo-Branco nem sequer sabe ler uma tabela.

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De Manuel Castelo-Branco a 24.05.2011 às 11:27

Talvez deva gastar o seu tempo numa analise mais profunda do quadro. De facto, à excepção de 13 de Maio que parece indiciar que o crescimento do CDS tem origem no PSD, todos as outras variações provam exactamente o contrário.
Ou seja, qd o PSD desce a coligação sobe, o PSD sobe e a coligação também sobe, o PSD desce e a coligação mantém  inalterada e apenas na ultima sondagem ( publicada posterior ao comentário do Marcelo) em que o PSD sobe e a descida do CDS, é de 18% dessa subida Em todas as outras datas, a % varia, mas nunca ultrapassa os 50% 

Ou seja havendo naturalmente transferência de votos entre o PSD e CDS, a verdade é que ambos os partidos conseguem ir buscar - com a mesma força e magnitude - parte do seu eleitorado ao PS. Assim, a teoria que o CDS se alimenta no PSD está errada e demonstra uma analise superficial, tal como o seu comentário.
Quem ri por ultimo!!!
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De Joaquim Amado Lopes a 24.05.2011 às 14:01

Manuel,

1. Marcelo Rebelo de Sousa não falou de nenhuma coligação (até porque não existe nenhuma), apenas referiu um FACTO indesmentível (considerando as sondagens da Intercampus): quando o PSD sobe o CDS desce e vice-versa. Não diz (pelo menos na parte citada) que o crescimento do PSD é unicamente à custa do CDS.

2. Nenhuma análise "mais profunda" pode inventar "dados" que não existem. Estas sondagens não incluem qualquer informação sobre quais foram as alterações no sentido do voto mas apenas o total das intenções de voto. "Concluir" sobre quais foram essas alterações é pura especulação.

3. "qd o PSD desce a coligação sobe, o PSD sobe e a coligação também sobe"

Se o Manuel gastasse mais tempo a ver os números e tivesse um pouco mais de cuidado, de certeza que escreveria menos disparates.

A tabela apresenta 7 sondagens, com 6 evoluções. Em 4 dessas 6 evoluções, o PSD desce. Dessas 4, a "coligação" desce em 3.


4. Rigorosamente NADA na tabela indica que PSD e CDS "conseguem ir buscar - com a mesma força e magnitude - parte do seu eleitorado ao PS". Pelo contrário, TUDO indica que o PSD perde e ganha votos ao PS, ao CDS e aos indecisos.

Pretender que o CDS "troca" mais votos com o PS do que com o PSD é simplesmente ridículo.

 

5. FYI, sou militante do PSD e, nestas eleições, vou votar CDS.

Pedro Passos Coelho teve demasiadas contradições, rodeou-se de pessoas que são o oposto do que Portugal e o PSD precisam e não posso aceitar o verdadeiro insulto que é propôr para Presidente da Assembleia da República alguém como Fernando Nobre, sem qualquer experiência parlamentar e com ideias mais próximas do BE do que do PSD.

Quando digo "vou votar CDS" na realidade quero dizer que AINDA estou a pensar em votar CDS. É que "análises" imbecis como a sua fazem-me ter dúvidas.

 

6. "Quem ri por ultimo!!!"?

Bem, muitas vezes são os imbecis.

P.S. (post-scriptum)
Normalmente procuro evitar usar termos como "imbecil" (nem sempre com sucesso). Neste caso, é mesmo deliberado porque é o adjectivo que a sua resposta merece.
 
 
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De Antonio a 24.05.2011 às 16:49


Caro Joaquim,

Parece que o MCB calou e consentiu.

E sim, concordo consigo Joaquim, não deu a bota com a perdigota...
e MCB até tinha uma tarefa fácil pela frente: chamar a atenção para a parcialidade que MRS de tempos a tempos não consegue esconder.
Parece-me evidente que o comentário político de MRS às vezes é tendencioso e na maior das vezes em beneficio do psd, mas tentar demonstrá-lo com alegadas contradições que afinal - bem vistas as coisas - até nem o são, é apenas triste. Mais triste ainda quando os dados que o acusador oferece sustentam a tese do acusado!

Pode-se discutir se numa ou outra vez a tese de MRS não tem correspondência com os dados, mas a realidade - incontornável - é que a contradição não existe e mesmo que existisse, nunca seria assim tão evidente. logo, parece-me perfeitamente aceitável que se subscreva a tese de MRS.

MCB, presumo que tenha o coração ao lado da boca, mas tente não o ter na ponta dos dedos... pense antes de escrever.
também vou (devo) votar cds, mas com "postas" assim pode ser que pense duas vezes, afinal, MCB tem uma posição relevante no partido e eu sou muito adepto da sabedoria popular: "diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és".

talvez promover uns workshops de intervenção politica e social nos media/blogs não fosse mal pensado. é que há muita gente no cds que é expert na coisa, pode ser que (o) ajude.


Aquele abraço
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De Manuel Castelo-Branco a 24.05.2011 às 19:12

Em apenas duas vezes o PSD vai buscar 50% do ganho ou perda do CDS e vice versa. Há momentos em que essa relação é de 18% outros de 35% e apenas um de 100%. A diferença pode ser explicada pela capacidade transferências directas entre o PS e o CDS ou seja pela capacidade que o CDS tem de ir roubar votos ao PS. Poderíamos ainda fazer uma análise de regressão. Temo que a serie não é suficientemente longa para ter relevância estatística. O CDS rouba votos ao PS e a descida do PSD não representa uma descida na mesma proporção da coligação. A força do CDS a conquistar votos ao PS é muito semelhante à do PSD.
Veja o quadro no post seguinte
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De Joaquim Amado Lopes a 24.05.2011 às 21:02

E, naturalmente, o facto de o desempenho da campanha do PSD ter um efeito directo nas intenções de voto nesse partido, captando mais ou menos dos votos que flutuam entre o PS e o PSD e entre o PSD e o CDS (o que se reflectiria em o PS e o CDS descerem quando o PSD sobe e vice-versa - precisamente o que a evolução das sondagens demonstra) é demasiado simplista para si.

A verdade tem que ser o PSD e o CDS irem "roubar" votos ao PS com a mesma "força", apesar de o CDS descer sempre que o PSD sobe.

E ainda vem falar em "análise de regressão" e "relevância estatística". Não devia começar por aprender a fazer contas de somar e subtrair?

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