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Republicanos e República

por João Ferreira do Amaral, em 04.10.11

De ano para ano, vai-se tornando mais confrangedora a ausência de conteúdo nos discursos evocativos da revolução de Outubro de 1910. Não que isso signifique uma eventual escassez de tribunos ou de mestres da retórica. A razão é simples e tem apenas a ver com aquilo que a História e os 101 anos volvidos inexoravelmente revelaram: A implantação da república não corrigiu nenhum dos problemas de Portugal, criou muitos outros e representou um retrocesso civilizacional que levou 66 anos a recuperar.

A genialidade de Eça de Queiroz e de Fernando Pessoa, no primeiro caso antes da revolução e no segundo já no início da rebaldaria da primeira república, fizeram o retrato exacto daquilo que os portugueses podiam esperar dos republicanos e da república. Vale sempre a pena recordar.

Advertia Eça de Queiroz:

"O Partido Republicano em Portugal nunca apresentou um programa, nem verdadeiramente tem um programa. Mais ainda, nem o pode ter: porque todas as reformas que, como Partido Republicano, lhe cumpriria reclamar já foram realizadas pelo liberalismo monárquico. (...) A república não pode deixar de inquietar o espírito de todos os patriotas."

Lamentava Fernando Pessoa:

"E o regimen está, na verdade, expresso naquele ignóbil trapo que, imposto por uma reduzidíssima minoria de esfarrapados mentais, nos serve de bandeira nacional - trapo contrário à heráldica e à estética, porque duas cores se justapõem sem intervenção de um metal e porque é a mais feia coisa que se pode inventar em cor. Está ali contudo a alma do republicanismo português - o encarnado do sangue que derramaram e fizeram derramar, o verde da erva de que, por direito natural, devem alimentar-se."


lavagem de mãos e outras medidas profiláticas

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De viscondes e barões a 05.10.2011 às 23:13

Eram tantos os patriotas inquietados, que a monarquia caiu de podre. Bastaram meia dúzia de republicanos para a fidalguia se pôr a milhas.  Aquilo é que era uma inquietação. Pois é, amigo.  E quanto ao encarnado do sangue, não chega aos calcanhares de todo o sangue derramado pelos bandoleiros ao serviço de suas realezas nas guerras civis do século XIX. Gente fina é outra coisa.

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