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Viva a Festa Brava!

por João Ferreira do Amaral, em 19.01.12

A petição com 7000 assinaturas que pretendia ver proibidas as corridas de touros em Portugal foi categoricamente chumbada no Parlamento.

Só o BE e o PEV estiveram ao lado dos peticionários. PSD, PS, CDS e PCP afirmaram-se contra a proibição. Ainda bem!


lavagem de mãos e outras medidas profiláticas

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De Tiago Azevedo Fernandes a 20.01.2012 às 17:08

Não vejo o que é que "meiguice" tem de antropomorfização. Acha que só os humanos percebem o que é "meiguice"? Se quiser pense num cão ou num gato, é mais intuitivo. O touro tem comportamento diferente, naturalmente. Um cão é diferente de um gato, também. Além disso cada indivíduo, dentro da mesma espécie, reage de forma diferente, tem a sua personalidade própria. Mas o ponto aqui é: é ou não evidente que o touro sofre fisicamente? A ausência de fuga, por exemplo, não é sinónimo de ausência de dor. Isso até nos humanos se passa. Há quem fuja a 7 pés à primeira chapada, há quem vá à luta e aguente o que for preciso. Cada indivíduo é diferente.
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De JV a 20.01.2012 às 17:20

Cá está o nó do problema. De facto, só os humanos é que percebem o que é meiguice. O que não quer dizer que os animais não sejam capazes de comportamentos que qualificamos - nós - como meigos. Nem sempre o que é  (ou parece) intuitivo é verdadeiro.
O ponto não é se o animal sofre. É se o sofrimento é como o de um ser humano, por um lado, e, por outro, se causar sofrimento é animais é sempre ilegítimo.
Sendo cada indivíduo diferente, há comportamentos comuns em cada espécie. E a agressividade na defesa do território é uma característica comum aos toiros bravos. Ao realizar uma corrida de toiros o homem não espera do toiro comportamentos ou sentimentos humanos mas procura aproveitar dele os seus comportamentos e instintos naturais.
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De Tiago Azevedo Fernandes a 20.01.2012 às 17:25

Vida inteligente

No máximo seremos colaboradores de Deus na Obra da Criação, mas Ele já deve estar arrependido...

Quem vive com cão ou gato sabe que o bicho tem consciência de si, percebe quando está a fazer asneiras, constrói pequenas estratégias de brincadeira e tem personalidade diferente de outros indivíduos. Já se provou que macacos e golfinhos possuem cultura, ou seja, passam conhecimentos de geração em geração, usam instrumentos. Nós, humanos, afinal não somos tão diferentes deles como pensávamos. Nada legitima a nossa apropriação da Natureza. Somos apenas os mais inteligentes, mais poderosos, e por isso responsáveis pelo uso que fazemos da Terra.

Por que razão se deve proteger uma criança com dois meses de idade? Por ser "propriedade" dos pais, ou porque tem em si própria dignidade que lhe confere direito à vida e a ser bem tratada? Se qualquer gato adulto é em muitos aspectos mais sofisticado que uma criança dessa idade, não lhe deveríamos reconhecer alguns direitos? Os deficientes mentais profundos, que nem sequer a inteligência de um macaco conseguem atingir, devem equiparar-se a "bichos sem direitos"? Qual a linha divisória? A diferença entre humanos e animais não justifica tudo para uns, nada para outros - Darwin ensinou-nos que há muitos graus de evolução.

Soube recentemente do projecto de um biotério na Azambuja (http://tv1.rtp.pt/noticias/?article=174316&headline=20&visual=9) para 25 mil animais destinados a experiências científicas. Não duvido das boas intenções dos promotores, mas chocou-me a ênfase no facto de ser "dos maiores da Europa" e "ter capacidade para serviços comerciais". Tenho perfeita noção do que os humanos perdem ao evitarem-se experiências com animais, mas aqui terão sido ultrapassados os limites do indispensável. O tema transcende o estatuto dos animais e leva-nos à ânsia contemporânea do Homem por um nível de conforto ilimitado, à sua dificuldade em encarar a doença, a dor e a morte como necessárias à vida.

O Homem, por prudência e humildade, não deve assumir-se como "Deus" na sua relação com os animais. "Encarregado de educação" fica melhor. No máximo seremos colaboradores de Deus na Obra da Criação mas, constatando a maneira como nos comportamos, Ele já deve estar arrependido...

(publicado no JN de 2009/07/30 (http://jn.sapo.pt/Opiniao/default.aspx?content_id=1320736&opiniao=Tiago%20Azevedo%20Fernandes))

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