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O resistente

por Nuno Gouveia, em 17.03.12

Rui Ramos escreveu oportunamente no Expresso que Álvaro Santos Pereira é um privilegiado, pois desfruta da oportunidade de ler regularmente obituários nos jornais à sua ainda curta carreira política. Desde que chegou ao Governo tem sido o ministro mais atacado, à esquerda e à direita, mas especialmente em certos grupos de interesses. Por ser novo na arena e também por não ligações nenhumas aos habituais grupos de pressão, Álvaro rapidamente ficou na linha de fogo. Normal num país que tem o historial de enxovalhar os outsiders na política. E também sei que algumas pessoas sentem saudades de Manuel Pinho, especialmente os que usufruiram das suas benesses e dos seus subsídios. Será justo dizer que a inexperiência política de Álvaro também terá contribuído para algumas polémicas (na maior parte das vezes completamente estéreis) em que esteve envolvido e nem sempre se tem protegido como o deveria ter feito. 

 

Mas Álvaro Santos Pereira continua firme no governo, e como reparei hoje na boa entrevista que deu ao Expresso, está empenhado em fazer as reformas necessárias. Gostei de o ouvir falar nas rendas excessivas pagas no sector da energia, mas também noutros sectores da economia. Não se esqueceu de apontar algumas evidências sobre o passado, que alguns nos dias que corre querem fazer com que sejam esquecidas, e deu algumas pistas para o futuro. E, importante, não cometeu o erro de prometer a retoma económica com um prazo definido (o fantasma de Pinho parece ter sido afastado). Agora é esperar mais reformas - renegociação das PPPs, rendas da energia, privatizações e transportes. Veremos se tem capacidade de levar até ao fim esta hercúlea tarefa. Resistência e vontade já a provou ter.