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O dia do Pai...dos outros.

por Afonso Azevedo Neves, em 19.03.12

O Rodrigo já tinha aludido a esse facto extraordinário: as escolas organizam no Dia do Pai uma espécie de flash mob entre as 9h e as 11h cujo objectivo apenas poderá ser o da humilhação do dito pai.

Como ele, eu também tenho três crianços, só que eu tenho duas miúdas e isso faz toda a diferença. Toda e passo a explicar.

Fui confrontado pela enésima vez com um recinto atulhado de pais numa frenética actividade que consiste em tentar cortar uma série de cartões em coisas identificáveis – hoje era um castelo – ao mesmo tempo que tentam desviar-se de um magote de crianças a correr com as mãozinhas cheias de tinta e com a súbita necessidade de as limpar aos casacos dos pais do colega do lado.

Em simultâneo desenrola-se uma disputa feroz entre qual dos pais tem mais jeito para construir um “coiso” com 5 folhas de cartolina, duas embalagens de iogurte e uma de bongo. E há sempre um camelo d’um pai que sabe fazer isso melhor que os outros, de olhos fechados e com todo o tempo do mundo. Depois há tipos como eu, a tentar agradar à respectiva criança que não disfarça a desilusão perante os esforços para fazer o raio do castelo em comparação com o super-perfeito-pai-porreiro, que deve lá estar desde as 7 da manhã e conseguiu construir uma réplica exacta do castelo da Cinderela para a sua filha.

Esse gajo devia ser abatido e arrastado pelo pátio do recreio a título de exemplo.

Não só porque não está a tentar agradar ou integrar a criança na elaboração do “coiso” como nitidamente nutre o inexplicável desejo de humilhar todos os outros pais cujas gravatas e casacos passaram a ter maravilhosos tons de amarelo, encarnado, cor-de-rosa e um verde parecido com aquele dos papagaios da amazónia.

É que, por exemplo, o meu castelo era um “coiso” digno desse nome, duro, robusto, com ameias e umas janelas para atirar óleo a ferver sobre o inimigo. Coisa fácil de fazer, mas a cara da minha filha dizia tudo. Fosse ela o rapaz e podia passar mas não, é uma menina e as meninas não ajudam nestas coisas.É que o castelo do lado era um “coiso” cor-de-rosa, com telhados bicudos (telhados bicudos, valha-me Deus?!) pintados às riscas azuis e brancas e até tinha uma princesa e tudo lá dentro.

Deviam mudar o nome disto para o Dia do Pai-porreiro-com-tempo-jeito-vontade de humilhar o próximo.

É que só esse tipo é que não saiu de lá com mesmo ar que quase todos tínhamos. Abatidos, cansados, nervosos e pintados às cores.


lavagem de mãos e outras medidas profiláticas

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De Anónimo a 19.03.2012 às 17:33

Afonso, podes sempre fazer como o Rodrigo, que vai no fim, não diz se vai ou não por isso não cria falsas expectativas e faz o toque e foge.
Vai mas não está.
Vai mas não participa.
Vai mas só para fazer o numero. Como nunca lá põe os pés, não sabe quem são os pais, não conhece as professoras elas também não fazem ideia de quem é. Por isso se ele aparecer eles ficam muito contentes, se não aparecer é porque "coitado do pai que está a trabalhar".

 
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De 3 filhos mixtos é melhor que 3 con medo a 19.03.2012 às 18:12

pelo menos as duas gaijas nã se arriscam a ser messias
ou 666...podem ser adeptas mas é mais provavel que acreditem nos vampiros

em vez dum castelo podiam ter feyto um palácio de belém ou uma marquise da travessa do possolo...

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