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Tenham medo: vem aí mais legislação

por Zélia Pinheiro, em 06.05.12

Para mim é seguro que os trabalhadores do Pingo Doce podem fazer o que quiserem aos feriados, incluindo trabalhar.

Também é pacífico que as pessoas em geral podem fazer o que quiserem, e se lhes apetecer perder um feriado em bichas de horas num supermercado para comprar whisky ou lagosta em saldo é com eles; se não for para comprar whisky e lagosta mas  arroz e feijão, por acharem que lhes convém comprá-los mais baratos, também não temos nada a ver com isso.

Em ambos os casos, podemos apenas fazer os nossos juízos de valor, que também são livres, sobre o estado de necessidade de uns ou a opção de outros.

Simplesmente, a mim não me parece muito relevante discutir os trabalhadores do Pingo Doce ou os clientes do Pingo Doce. São o elo mais fraco e nem uns nem outros têm grande poder de auto-determinação nesta história. O que eles fazem ou fizeram decorreu de uma decisão da administração da empresa. Essa decisão é que deve ser analisada e não as suas consequências.

Ora, a decisão da Jerónimo Martins limitou-se a inovar na continuidade. O caminho já estava traçado e o grito de guerra tinha sido dado no final do ano passado, com o anuncio da parceria entre o Continente e a EDP. 

Ou seja, o que está em causa é a concorrência na distribuição alimentar. E o que podemos perguntar é se temos a concorrência que queremos ter e, se a resposta for negativa, se podemos fazer alguma coisa para a mudar.


Uma coisa é certa, nada disto é beliscado com a criação de "taxas de segurança alimentar", nem com a ministra Cristas a responder ao caso, só porque se fala dele nos jornais, com entrevistas a prometer a "produção de legislação".

(Originalmente publicado aqui)


lavagem de mãos e outras medidas profiláticas

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De Pedro Caseiro a 06.05.2012 às 23:37

O Banco alimentar, quando distribui alimentos grátis (!!!) também deve estar a fazer dumping... Espero que se acabe de vez com estas práticas vergonhosas.
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De Duarte Andrade a 07.05.2012 às 00:29

Mas desde quando é que o problema da criação desta suposta taxa de segurança alimentar está relacionada com questões de concorrencia? So a ministra é que fez esse relacionamento, num raciocinio algo surreal onde tentou justificar carga fiscal com uma promoção pontual.
O mal não precisa de ir além da simples criação de (mais) uma taxa, que resultará invariavelmente num aumento do preço de bens de primeira necessidade para o consumidor (isto para não falar nos objectivos da taxa em si, que também são errados). E o pior, é que como se isso não bastasse, a ministra ainda revela intenções de "produzir legislação" que impeça a existencia de promoções que promovam um ambiente concorrencial (que eventualmente até poderiam suprimir o acrescimo dessa malfadada taxa de segurança alimentar). Esta apetencia da ministra a produzir legislação é preocupante, sobretudo em coisas tão mal reflectidas, e com fundamentações que fazem lembrar as do anterior governo.

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