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Talvez

por Nuno Gouveia, em 18.06.12

O Carlos Guimarães Pinto tenha razão. Numa visão cínica, e concedo que realista, Francisco Louçã poderá acabar por sair vencedor das eleições de ontem, pelos argumentos que explica no seu post. Apesar de vitória do Syriza ter sido um desejo de muito boa gente, para assim a esquerda radical ter uma oportunidade de implementar o seu programa num país (e que teria consequências dramáticas para a Grécia, estou certo disso), confesso que não desejava isso aos gregos. Nem a nenhum país. Ainda por cima, com as consequências imprevisíveis que poderiam advir daí para o resto da União Europeia.

 

Mas tenho bastantes dúvidas que Louçã pense que obteve uma vitória, ele já que já tinha mandado dizer que iria colaborar com o programa do Governo grego. Tal como os media portugueses, também Louçã estava convencido que o Syriza já tinha ganho as eleições antes delas acontecerem. De resto, está por provar que o Bloco de Esquerda (ou o PCP) possam capitalizar o descontentamento da situação do país em relação ao PS. Na última sondagem publicada pelo Expresso este fim de semana, o PCP estava com 9% e o BE com 6%, ainda longe dos valores que juntos chegaram a ter em 2009. Na mesma sondagem, os três partidos favoráveis ao memorando da Troika chegam perto dos 80%, muito diferente da situação grega. Mais, estando o PS na oposição, não há indicações que esteja a ser "engolido" pelo PCP e BE, como aconteceu com o PASOK, e nem me parece sequer crível a sua desagregação, a única forma do Bloco de Esquerda aspirar a ser algo mais do que o pequeno partido de protesto que tem sido. Espero que a realidade não me venha a desmentir.