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importante é que exista um problema

por Rodrigo Moita de Deus, em 03.07.12

- O ministro não tirou o curso. Escandalo!

- Afinal o ministro tirou o curso. Escandalo!


lavagem de mãos e outras medidas profiláticas

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De PorOutroLado a 03.07.2012 às 23:07

Senso Comum PorOutroLado.com )

Em jeito de fait divers a propósito de um comentário de um lider político, que na Revista do Expresso de 30 JUN /12, refere "...acho miserável a perseguição pessoal a Sócrates, que foi um adversário político que se bateu". Nesse mesmo jornal, na rubrica "Gente", aparece uma noticia em que na montra da loja de moda "mais cara do mundo", se identifica esse ex-primeiro ministro português como um "dos clientes habituais", que como se sabe vive há vários meses em Paris, num estilo que foi objecto tambem de uma noticia no mesmo Expresso que refere " José Sócrates declarou às Finanças 44 mil euros de rendimentos em 2011, o que lhe daria para manter o estilo de vida que tem em Paris por apenas tês meses, noticia hoje o jornal "Correio da Manhã"".

A todo este propósito faz sentido recordar os dados conhecidos mas tão conveniente e/ou frequentemente esquecidos, retirados, por exemplo, de um estudo do economista Eugénio Rosa :
"A elevada e crescente divida externa é determinada pelo elevado défice da Balança de Pagamentos. Só nos 5,5 anos de governos de Sócrates Jan2005 Jul2010 ) a soma destes défices atingiu -96.135 milhões €, ou seja, o correspondente a 56,5% do PIB. Uma parte muito significativa dele resulta do défice permanente da Balança Comercial Portuguesa. Em cinco anos de governos de Sócrates (2005/2009), a soma dos défices da Balança Comercial atingiu -72.176 milhões €, ou seja, 84% do défice acumulado da Balança de Pagamentos durante o mesmo período (o resto são fundamentalmente de juros e lucros), o que determinou que a Divida Liquida externa tenha passado, entre 2005 e 2009, de 104.681 milhões € para 182.767 milhões €."

Observando assim, ainda que sumariamente, os resultados da governação num passado recente e o presente actualmente vivido por este ex-primeiro ministro, torna-se dificil encontrar algum senso comum no tal comentário contra a " miserável perseguição pessoal a Sócrates, que foi um adversário político que se bateu". O que se dizer então dos processos, esses sim persecutórios, a tantos combatentes da liberdade e direitos humanos, por esse mundo fora Chen Guangcheng , Wilman Villar , Suu Kyi , ....)?

E assim vemos diariamente as nossas elites políticas envoltas numa redoma de luta retórica do poder pelo poder, redoma que parece ficar mais baça ao longo das respectivas carreiras partidárias, contribuindo tantas vezes para uma visão distorcida, enviesada e afastada do senso comum e das necessidades de longo prazo das populações e do país. Diria que os nossos antropologos tem uma imensa matéria prima disponivel para o case study de como em Portugal está tão disseminado que o ganho de senso comum pode ser inversamente proporcional ao crescimento numa carreira partidária.

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