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Deturpação certificada?

por Nuno Gouveia, em 09.07.12

A imprensa portuguesa está a atravessar uma grave crise, que se tem reflectido nas vendas dos jornais. Os últimos dados são verdadeiramente assustadores, não só para quem trabalha no meio, mas também para todos aqueles que desejam uma imprensa forte e credível. Haverá muitas razões para esta crise, umas de maior importância do que outras. Mas a credibilidade da imprensa aos olhos dos portugueses já teve melhores dias. O facto de alguns jornalistas se terem transformarem em colunistas que se envolvem na política activa não contribuiu para fortalecer o meio. Se é perfeitamente normal que jornalistas tenham colunas de opinião - e eu gosto particularmente de ler alguns, como o Ferreira Fernandes, o Henrique Monteiro ou o Pedro Santos Guerreiro, por exemplo, mesmo quando não concordo com eles - não posso dizer o mesmo daqueles que fazem combate político/partidário nas páginas dos jornais. E alguns estão perfeitamente identificados.

 

Esta semana na sua coluna no DN, a jornalista Fernando Câncio, que nos últimos anos se destacou sobretudo pela defesa cega de todas as acções de José Sócrates e do seu governo, simplesmente adulterou as palavras que Pedro Santana Lopes teria dito sobre o caso de Miguel Relvas. Na verdade, Santana Lopes queria dizer algo bem diferente do que é indicado no artigo. Uma táctica que serviu sobretudo para deturpar o que o antigo líder do PSD disse, e desse modo inserir as suas declarações numa narrativa argumentativa previamente engendrada. A jornalista/colunista enganou os leitores do DN, deliberadamente ou não, com o intuito de provar a sua “verdade", a sua tese sobre esta matéria. Esta situação, que nem é novidade na jornalista em causa, afecta necessariamente a reputação do jornal em que escreve. E a imprensa, toda ela, neste momento o que mais precisa é de credibilidade. Este não é o caminho e o DN não sai prestigiado de casos como este. 

 

PS: quem tiver paciência pode comparar o que a jornalista afirmou e o que Pedro Santana Lopes disse