Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




2008-2012

por Nuno Gouveia, em 22.07.12

Em 2008 a campanha presidencial americana prendia às televisões, aos jornais ou aos blogues a atenção de centenas de milhares de pessoas. Em Portugal havia disputadíssimos debates sobre os candidatos, com Barack Obama a arrebatar a maior parte dos opinion makers, de esquerda mas também de direita. Passado quatro anos tudo mudou. Poderia dizer-se que não se fala tanto da campanha americana devido à desilusão que Obama representou para parte dos que o apoiaram. Não será fácil para muitos defender a prisão de Guantánamo, o aumento do contingente militar no Afeganistão ou o incremento brutal na utilização de Drones para assassinatos selectivos. Mas não é essa a minha opinião. Na verdade, o debate actualmente centra-se sobretudo em temas nacionais, sendo que a Europa passou definitivamente a fazer parte desse “diálogo”. 

 

Muito mudou desde 2008. Nesse ano, Portugal atravessava, apesar de tudo, um período calmo e as preocupações das pessoas eram bem menores. O governo Sócrates começava a entrar em declínio, mas ainda não se falava abertamente em crise. Com um debate nacional morno, os portugueses tinham tempo e disposição para se preocuparem com a campanha presidencial americana, sendo que muitos encaravam essa eleição como se sua se tratasse. Hoje tudo é diferente. As eleições na Grécia e na França, bem como a situação política na Itália ou na Espanha, são acompanhadas bem mais de perto do que a campanha americana. Há quatro anos havia a sensação que o nosso futuro, bem como do mundo, dependia particularmente do nome do ocupante da Casa Branca. Com a crise financeira, o descalabro do Euro ou o desemprego galopante, isso passou para segundo plano. Se consderarmos a agenda mediática, deixámos de ser cidadãos do mundo e passamos a ser sobretudo cidadãos europeus, sendo que a política nacional está hoje completamente misturada com os assuntos europeus. Há quatro anos simplesmente não se discutia a Europa em Portugal. Ainda nas eleições europeias de 2009, debatia-se tudo menos a União Europeia. Agora, palavras como o Euro, Tratados Europeus, Eurogrupo ou BCE fazem parte do dia a dia da discussão nacional. Não que a Europa não fosse relevante para o país em 2008. Bem pelo contrário, o Portugal há muito devia discutir estes assuntos, mas a crise só agora nos obrigou a abraçar a realidade. 

 

Eu tenho uma visão ligeiramente diferente desta tendência mediática. Penso que é tão importante acompanhar o que se passa em Madrid ou Berlim como em Washington. Compreendo que os media se foquem mais nos assuntos nacionais e europeus, mas ninguém duvide que os Estados Unidos continuam a ser uma força fundamental no rumo dos acontecimentos mundiais. Talvez a partir das Convenções Nacionais e com a realização dos debates entre Mitt Romney e Barack Obama, a atenção mediática em Portugal se desvie um pouco em direcção aos Estados Unidos. Talvez. O que posso adiantar é que podemos estar a assistir a uma das eleições mais renhidas da história americana. O que será este país na próxima década será, em parte, decidido a 6 de Novembro. Talvez seja um bom motivo para acompanhar mais de perto.