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It's the economy, stupid

por Zélia Pinheiro, em 01.08.12

Os políticos não gostam muito de economistas, que tendem a dizer-lhes que "não intervenham na economia", quando os políticos obviamente não foram para a política para estar quietos e gostam é de intervir.

A opinião pública em geral também não tem os economistas em grande conta e prefere os políticos. Afinal, são os políticos que defendem as coisas populares como os benefícios sociais, os "subsídios", os "apoios" e as "ajudas". Quem não gosta de ser beneficiado, subsidiado, apoiado ou ajudado? Os economistas na melhor das hipóteses  defendem coisas esotéricas como "flexibilidade laboral" ou "simplificação dos licenciamentos", para não dizer outras que, convenhamos, não interessam muito a ninguém.

Keynes é o economista preferido dos políticos porque fundamentou teoricamente a intervenção do Estado na economia. Com Keynes, os políticos respiraram fundo - afinal, a economia podia ser sua amiga. O Estado podia “criar” emprego. Keynes colocou expressamente a economia do lado da política e substituiu a mão invisível de Adam Smith pela mão visível dos governos, ajudando os políticos a ganhar eleições de uma forma simples. A “economia” intervencionada cresceu e multiplicou-se. Logo surgiu uma panóplia de instrumentos jurídicos dedicados: primeiro as “empresas públicas”, depois as “sociedades anónimas de capitais públicos”, por fim as “parcerias público-privadas”. Ao mesmo tempo cresceu a burocracia, uma forma ainda mais directa de criação de emprego: quando não podia criar empresas, o Estado criou institutos e agências ou mesmo fundações, nos casos de mais atrevimento. Todos juntos, a pouco e pouco, foram permitindo o “pleno emprego” de milhares de portugueses.

O único problema é que, a menos que se opte pelo colectivismo, a economia não é inteiramente domesticável e continua por aí a chatear. E convém que continue, porque, afinal, a propriedade pode ser o "direito terrível”, mas é ela que financia o “Estado de bem estar”. Ou, como já disse quem se sabe, o socialismo só dura enquanto dura o dinheiro dos outros. Alguém tem sempre que puxar da carteira. E este admirável mundo novo, no limite, não tinha quem o pagasse.

Vem isto a propósito deste post sobre a última reforma da legislação laboral - digo última porque entre nós é sempre a “última”, pois as reformas, já sabemos, são como as cerejas. Tratou-se, grosso modo, de reduzir férias e feriados (entre outras coisas, extinguindo um curioso bónus de férias por assiduidade criado há apenas meia dúzia de anos por um governo que devia ter sabido evitar estas asneiras), reduzir as remunerações devidas por trabalho suplementar (vulgo horas extraordinárias) e as compensações devidas por cessação do contrato de trabalho.

Nada disto é espantoso. Trata-se de aliviar a intervenção pública no mercado laboral. E se for um passo excessivo no sentido da liberalização, não o será tanto quanto foi excessivo o favorecimento dos trabalhadores nas últimas décadas, segmentando geracionalmente o mercado de trabalho e forçando as empresas a contorcionismos legais para a contratação. Agora, precisamos mesmo é de empresas e empresários e de quem esteja disposto a arriscar para criar riqueza.

E, por favor, não me venham falar em direitos adquiridos, a menos que estejam dispostos a falar também no direito dos que ainda não adquiriram direitos a poder vir a adquiri-los um dia. 

 


lavagem de mãos e outras medidas profiláticas

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De Rinka a 01.08.2012 às 17:12

Contra a intervenção do Estado na economia?
Presumo que seja contra as ajudas às escolas privadas, que seja contra os contratos com os boys laranjinhas ou contra os subsídios a n empresas.
Nada disto é espantoso. Trata-se de aliviar a intervenção pública no mercado laboral. E se for um passo excessivo no sentido da liberalização, não o será tanto quanto foi excessivo o favorecimento dos trabalhadores nas últimas décadas, segmentando geracionalmente o mercado de trabalho e forçando as empresas a contorcionismos legais para a contratação. Agora, precisamos mesmo é de empresas e empresários e de quem esteja disposto a arriscar para criar riqueza.

E, por favor, não me venham falar em direitos adquiridos, a menos que estejam dispostos a falar também no direito dos que ainda não adquiriram direitos a poder vir a adquiri-los um dia.

Quanto a estes parágrafos. Ainda não entendi no que estas medidas reduzem o papel do estado, não entendi qual o mal de favorecer trabalhadores (ai este pensamento marxista de luta de classes da nossa direita!) e já agora qual é o asco pelos direitos adquiridos?

E quando a reforma falhar a culpa vai ser de quem?
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De Alexandre Borges a 01.08.2012 às 18:19

Clap, clap, clap. Muito bom.
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De Clap é uma DST ou STD a 01.08.2012 às 19:59

Se o estado não intervier na economia esta colapsa.
Sem estado para subsidiar tudo até a cultura quem é que arranja emprego?
Basta ver o ex-director do Instituto da museu loggia nacional que passa a director com outros 3 da direcção do património do demónio.
Sem o estado a dar empregos a pessoal de grande indigência mental, como sobreviveriam esses desgraçadinhos?
É que os ciganos sempre têm as feiras e o gamanço.
Por falar nisso sem o estado para consultadorias e pareceres vocês andavam falidos ou tinham guito?
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De andresilva a 02.08.2012 às 00:07

Por isso, eu mandaria uns e outros para a Sibéria, e, em vez deles, uma ditadurazinha do proletariado.
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De Atónito a 02.08.2012 às 09:59

Ora, pelo lógica, até o vencimento pode deixar de ser facultado ao trabalhador, ou as férias, ou um horário de trabalho minimamente estruturado, ou...

Se não te podemos falar em direitos adquiridos, pode ser qualquer coisa, pá...
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De asCético a 02.08.2012 às 10:52

Se um dia o Estado acabar, os sacrossantos empresários serão os primeiros a chorara pelo seu regresso, pois apenas terão como clientes e consumidores os escravos que trabalhem para eles. Os que não trabalhem, andarão entretidos a roubá-los e a destruir-lhes as propriedades. Não seja ingénua e pense se estaríamos melhor se o Estado fosse entregue ao Belmiro ou ao Amorim!
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De a chorara? pelo seu às... a 03.08.2012 às 01:02

o estado não está entregue ao ti Balmiró e Amorin?
chiça parecie que si...
a esses e a dúzias de milhares iguaes a eles
têm é acertado é menos no eurromilõis ao pão de lõis
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De Miguel Madeira a 03.08.2012 às 00:28

"Nada disto é espantoso. Trata-se de aliviar a intervenção pública no mercado laboral."

Continua a ser intervenção pública - se antes os trabalhadores tinham 25 dias de férias porque a lei dizia que tinham 25 dias, e agora passam a ter 22 dias porque a lei diz que têm 22 dias, temos à mesma o Estado a decidir quantos dias de férias os trabalhadores têm.

Isto é relevante exactamente para os contratos que já existem - se o empregador e o empregado negociaram um dado salário e horário de trabalho no pressuposto que o trabalhador iria ter 25 dias de férias e 14 feriados, e depois o empregado passa a ter só 22 dias de férias e 10 feriados, isso significa que o Estado alterou os termos do contrato que as partes haviam estabelecido entre sí.

Chamem a isto o que quiserem, mas não lhe chamem "aliviar a intervenção pública" (é uma intervenção pública de sinal contrário ao habitual, mas não deixa de ser intervenção pública).
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De Jose Manuel Barroso a 05.08.2012 às 21:53

Eu bem me parecia que ainda havia um lobby albanês neste retangulo à beira mar plantado! leiam só os comentários rosinhas, rosas e vermelhuscos dos rapazes ofendidos! eles não aprenderam nada, mesmo depois de andarem a destruir a economia do país tantos anos, até chegarmos à pedincha de "a sra.Merkel e o FMI que paguem as contas do que gastámos"! clap, clap, clap, Zélia

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