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encontramo-nos na São Caetano?

por Rodrigo Moita de Deus, em 03.06.07

O que realmente interessa no Bloco de Esquerda não passou nesta convenção. Pelo menos não se passou no palco. As minorias são para “public display” e é dentro da maioria que a discussão acontece. Entre os “moderados do manifesto” e os PSRs de Francisco Louçã.

 

Importa lembrar que Francisco Louçã é um trotskista. Por código genético, controlador, vaidoso e desconfiando. Geneticamente não diz o que pensa. Geneticamente tudo é uma traição. Geneticamente não sabe o que é o exercício do poder. Na história nunca um trostkista teve a oportunidade de exercer poder. A influência social é um objectivo em si e que dispensa os perigos da social democratização inerentes ao exercício do poder. Ele bem disse no seu discurso que o caminho do Bloco é para “fazer sozinho”.

 

Do outro lado, os moderados. Eles sabem que é possível chegar ao poder e que o caminho para o poder está no centro. Eles também sabem que vem aí a redução do número de deputados e talvez os círculos uninominais que fará com que o Bloco perca influência. O tempo urge: “é entre quem votou no PS que está a base social de esquerda com o qual temos de falar”, disse Daniel Oliveira no seu discurso acrescentando que o Bloco não pode ser “a extrema esquerda com um lifting”. Se o bloco falar a linguagem dos eleitores do PS então estará pronto para exercer o poder acompanhando o PS.

 

É por essas e por outras que Daniel Oliveira está de saída da direcção. Social democratizou-se. Daniel Oliveira, e muitos outros, vão fazer o caminho que Jorge Sampaio, Pina Moura ou Barros Moura também fizeram antes. E não é mau caminho. Uns chegam a presidentes da república. Outros a administradores da Media Capital. Portugal não é a Roma antiga. Por cá o arrependimento sempre foi recompensado.

 

O Bloco ficará com Louçã e os seus PSRs. Vai perder graça.