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Lenine escreveu que os intelectuais tinham de guiar os operários abrutalhados e os camponeses analfabetos no caminho para a revolução. Porque eles não sabiam o que era melhor para eles. E Lenine acrescentou: a revolução serve os operários e os camponeses. Esta é a matriz genética de todos os socialismos.  

 

Algures na história de uma qualquer internacional os intelectuais deixaram de ter paciência para os operários. Por todo o mundo nasceram os blocos de esquerda. Partidos, grupos, tendências de gente com formação universitária, fortemente doutrinados e intelectualizados. Do outro lado ficaram os operários e o campesinato.

 

Esta dicotomia encontra expressão se compararmos o Bloco de Esquerda com o Partido Comunista Português. Ideologicamente as diferenças não são assim tantas. Mas de um lado está o professor universitário Louça. Do outro o operário Jerónimo de sousa. De um lado estão os meninos universitários que leram e correram mundo. Do outro a massa da festa do Avante que nunca saiu do Seixal. De um lado está um partido cheio de ideias e sem músculo. Do outro um partido cheio de músculo e sem uma única ideia. Sim, isso mesmo, a esquerda caviar e a esquerda do coirato.

 

A síntese é quase impossível. E a história do caminho para o socialismo é aziaga para os intelectuais. Estaline, Mao Tse Tung ou Ho Chi Min resolveram o problema da intelectualidade com assassina eficácia.

 

É mais fácil dizer que os operários têm medo das ideias e de quem as produz. Mas no exercício do poder o que interessa é "quem manda".

 

E se há alguns operários que não se importam de ser mandados por intelectuais, ainda está por nascer o intelectual que goste de receber ordens de um operário. E sem a metafísica cristã que o justifique, a noção de igualdade entre um operário e um intelectual é quase insultuosa.  

 

Chegamos pois ao cerne. Os intelectuais querem a revolução em nome dos operários e dos campesinos mas toleram com dificuldade a companhia das massas e não aceitam a partilha de poder. Afastam-se. Isolam-se. A revolução pelas massas sem o apoio das massas torna-se numa incongruência ideológica que consome lentamente o esforço revolucionário até ao seu desaparecimento. Foi assim um pouco por toda a Europa onde os blocos nascem e extinguem-se com cruel rapidez.

 

Excepção foi a Alemanha. Os verdes encontraram uma solução para o problema. Adeririam ao sistema, formaram governo, tornaram-se poder. E como o poder corrompe, institucionalizaram-se. E por isso vai nascer um novo “bloco” para ocupar o seu espaço anti-sistema. Talvez os ortodoxos estejam mesmo certos. Não há revolução dentro do sistema. E não há caminho para o socialismo sem revolução. Tudo o resto é uma vagarosa concessão à social-democracia.   


lavagem de mãos e outras medidas profiláticas

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De ZedoBe a 05.06.2007 às 01:23

Há três maneiras de se estar na vida:
ou se vai à luta, ou se desiste, ou faz-se o pior critica-se quem vai à luta e bebe-se mais um copo em frente ao espelho. As razões podem ser muitas:
anticomunismo primário, pseudo intelectualice secundária, ou apenas falta de tomates para se suicidarem, dor de corno, eu sei lá!
Mas podem ir perguntar à rapaziada da Auto Europa se eles querem aprender alguma coisa convosco, ou se estiveram à espera de ordens de alguem para resolverem a vida.
Betos, vão dar sangue.
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De Anónimo a 05.06.2007 às 01:50

Qual luta? Para que fins? Com que meios? Feita por quem e para quem? Quais as suas consequências práticas? O problema é esse. E resta saber se depois da luta ainda haveria Auto-Europa para empregar a dita rapaziada.

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