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Um homem que tem problemas

por Henrique Burnay, em 07.12.06


Gosto de Rui Rio. O presidente da Câmara Municipal do Porto tem a invulgar característica na política portuguesa de não ser redondo. Tem opiniões, responde às perguntas, diz o que sabe que não é considerado correcto, responde pelo que diz pensar. Rui Rio tem arestas, é amável e criticável, está de um lado ou de outro nas discussões, mas essa é uma virtude rara, sobretudo ali para os lados do centralão laranja, onde se diz tudo e o seu oposto.
Discordando de alguma direita, não são as declarações sobre a cultura e os subsídios que me agradam. Pelo contrário. Tudo aquilo me parece vagamente demagógico e populista (os teatros vazios contra as agremiações de bairro que salvam meninos da droga é de uma honestidade intelectual duvidosa). Tal como me desagrada a conversa do “como é lindo o jornalismo que a minha câmara faz”, quando fala da revista da CMPorto e das regras sobre as “entrevistas” que lá se publicam. Mas é por ser criticável, por não estar sempre a procurar o acordo, o consenso, o meio-termo razoável, que gosto de Rio.
Em 2001, quando foi eleito pela primeira vez, o Francisco José Viegas fez-lhe uma entrevista na Grande Reportagem com o premonitório título: “Este homem vai ter problemas” – ou coisa que o valha. Lembro de então ter dito que era por isso que gostava dele. Cinco anos depois, mantenho-o. Entrevistado por Judite de Sousa, Rui Rio responde coisas com as quais se pode concordar ou discordar, mas diz coisas. E sorri com satisfação. E disso também gosto.  


lavagem de mãos e outras medidas profiláticas

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De Henrique Burnay a 08.12.2006 às 17:05

Disse que não o procura.

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