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o que faz um governo?

por Rodrigo Moita de Deus, em 17.08.07

Filipe,

 

Um governo não é uma espécie de Lusa. Um governo não informa. Nem tem de informar. Se um governo não informa, não pode desinformar.

 

Um governo, qualquer governo, é um agente activo no debate político. Não é passivo, nem neutro, nem mudo. Dentro das regras, tem o direito de emitir comunicados, escrever comentários em blogs, fazer vídeos no youtube ou alterar entradas na wikipedia.

 

É claro que podemos sempre levantar a questão da diferença de meios colocados à disposição do governo e de quem se opõe ao governo. Mas isso é um problema das pessoas que votaram no governo.


lavagem de mãos e outras medidas profiláticas

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De António de Almeida a 17.08.2007 às 16:05

-O governo, ou os seus algozes, não param no disparate, cada vez que intervêm causam mais danos do que os que pretendiam evitar. Cada tiro cada melro, aplica-se que nem uma luva neste caso.
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De Filipe a 17.08.2007 às 19:52

Rodrigo, não acho que tenhas razão. Um governo tem que ser transparente sobre o que faz, informando o público. Não pode é andar a policiar o que se diz na net. Para mim a questão resume-se a isto.
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De Rodrigo Moita de Deus a 17.08.2007 às 23:05

Filipe,

Dizes policiar, como se o Primeiro-Ministro não fosse parte interessada no assunto. José Sócrates não tem o direito de editar a entrada que lhe diz respeito na wikipedia?
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De Anónimo a 17.08.2007 às 21:30

Pois é Rodrigo, o salazar tinha a mesma opinião. Mas pelo memos ele, devido à distorcida ideia de personificação pessoal do melhor interesse nacional, assumia abertamente a manipulação da informação. Estava institucionalizada e toda a gente sabia o que era a censura prévia e não havia quem duvidasse, concordando ou não, de que os jornalistas não podiam livremente dizer o que queriam.
Estes "democratas", no sentido soares-chavez do termo, depois de controlarem totalmente a comunicação social, metendo nos lugares- (tachos)- chave os seus pregoeiros, que depois nomeiam outros pregoeiros ou gente sem carácter para se opôr ao que necessariamente tem de ver à frente dos seus olhos (só assim acontecem supostas "entrevistas" como aquela da rtp ao primeiro-ministro sobre a sua aldrabada licenciatura), depois deste total controlo, não assumido, da comunicação social, ainda se dão ao trabalho de adulterar deliberadamente o que bem ou mal é expresso por cada um de nós, com toda a liberdade a que temos direito. Temos direito, não são esses corruptos que no-la dão ou não.
Se não tivessem surgido, graças ao desenvolvimento tecnológico internacional, tecnologias novas que nos tornam a todos cada vez mais intervinientes e nos possibilitam, com esforço e teimosia, mesmo sem meios, irmos sendo ouvidos, neste momento o controlo da informação em Portugal seria muito superior ao que aconteceu no tempo do salazar, precisamente porque ele já não é exercido declaradamente pelo poder, mas por uma parceria de interesse comum entre o governo e os sem carácter que fazem carreira à conta não de informarem mas de manipularem a informação. De tal forma que para os esbirros do governo até sobra tempo para tentarem manipular a informação, a opinião, ou o que fôr, debitado por cada um de nós.
Em que ano estamos? 1984?! só não graças à tecnologia e sócrates nunca seria o grande irmão, no máximo o grande aldrabão, o grande calão, o grande cábula... a sua forjada licenciatura é disso um grande exemplo. Durante meses o assunto foi abafado na comunicação social e só acabou por transparecer por não ter desaparecido da blogoesfera. Agora é abafado nos tribunais. Substituiu-se deus, pátria, família, por poder para este, poder para aquele, poder para o outro, desde que sejam todos membros da mesma cáfia.
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De Rodrigo Moita de Deus a 17.08.2007 às 23:12

Caro Anónimo,

Concordo consigo. Sim. Existe uma tentativa deliberada de manipular os meios de comunicação social. Sim. Existe uma tentiva deliberada de manipular a economia privada. Sim. Têm tendências controleiras. Sim tudo isso. Até porque o governo move-se pela zona cinzenta das regras dúbias...como a "isenção" da imprensa ou a participação do estado em empresas privadas.

Mas isso não retira o direito - e muito menos a necessidade - de um governo comunicar. Como disse, o governo tem um papel activo no debate político. Bom seria que que jogasse respeitando as regras. Melhor ainda seria que as regras fossem claras. E não são.

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De Anónimo a 18.08.2007 às 01:09

Caro Rodrigo:

Comunicar não é deturpar e manipular a informação debitada por outrém.
Façam um blogue, façam o que quiserem para repsonderem, não para mudarem ou apagarem as perguntas. Isso é aldrabar, censurar, enganar, mentir, etc., etc., etc., todos comportamentos impróprios de pessoas de bem, que é o mínimo que se exige a qualquer um, quanto mais a quem exerce funções governativas.
O chavez também comunica, o hitler era óptimo comunicador, o castro faz discursos de mais de 7 horas e todos eles são, simplesmente, bandidos, crápulas, sem escrúpulos, canalhas.
A democracia não pode funcionar ou existir se fôr essa a sensação, mesmo que inconsciente, que os cidadãos têm de quem exerce funções governativas. Mas é evidente que eles não querem que a democracia funcione, querem é exercer o poder em seu benefício pessoal. Foi isso que fizeram os canalhas dos seus avós e que nos levou a 50 anos de ditadura. Se calhar tenho de mudar de opinião e há gentalha que deveria pedir perdão pelo que fizeram os seus antepassados. Mas não é pelo que esses fizeram, é pelo que eles próprios estão a a fazer
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De Rodrigo Moita de Deus a 18.08.2007 às 01:21

Caro Anónimo,

No caso concreto, ninguém "mudou" uma pergunta ou "aldrabou" um texto. Alguém editou uma entrada editável sobre o primeiro-ministro. E editou a dita entrada de acordo com o que o próprio primeiro-ministro diz de si próprio. Conhece algo mais legítimo?

Parece-me é que a sede de bater no governo é tanta que já se perde o norte às coisas. Quer bater no governo? Há coisas melhores para isso. Muito melhores. Pessoalmente não gosto de abrir precedentes e este é o precedente perigoso. E se amanhã eu quiser editar a minha entrada na wikipedia. Entrada que, por exemplo, diz que os meus antepassados foram uns canalhas que levaram o país a 50 anos de ditadura? Não posso?
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De Anónimo a 18.08.2007 às 01:54

Os canalhas dos seus avós não se refere aos seus avós Rodrigo, que eu nem sei quem é, nem por maioria de razão quem foram eles, mas à canalhada da primeira república (que fique já entendido que não sou, nunca fui e espero nunca vir a ser monárquico) que com todos aqueles jogos criou as condições em que as pessoas ansiavam por "alguém que metesse isto na ordem". Foi isso que criou as condições à implantação da ditadura. Os canalhas dos seus avós refere-se a esta canalhada que exerce o poder (governo, deputados, etc) que, beneficiando da democracia, todos os dias, pelas suas atitudes a minam, enquanto se reclamam republicanos e democratas.
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De Anónimo a 18.08.2007 às 01:55

Dos seus avós, como à partida de todas as pessoas até prova em contrário, imagino que fossem uns santos senhores!
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De Anónimo a 18.08.2007 às 01:59

Foram apagar o que era polémico mas legítimo e por isso o prejudicava. Aldrabaram!
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De Anónimo a 18.08.2007 às 02:02

E deviam estar a governar, que é para isso que são pagos e é disso que a história se fará. Se fossem honestos poderiam ter adicionado um comentário de resposta, não apagar (mesmo que se lhe chame editar) o dos outros.
Penso eu de que.
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De Rodrigo Moita de Deus a 18.08.2007 às 23:20

Santíssimos.
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De JPG a 17.08.2007 às 21:41

Na minha opinião (evidentemente), não é possível que o "Governo" tenha dado ordens para que semelhante coisa se fizesse; é demasiadamente estúpido para ser verdade; ainda para mais através de IP sem qualquer espécie de despiste. Ninguém é tão imbecil assim. Tudo isto (as alterações e sequelas) poderá mesmo ter sido feito por alguém interessado em lançar a confusão, servindo a própria polémica de arma de arremesso política. Note-se que, por exemplo, a "reprimenda" da Wikipedia (de quem, ao certo?) foi agora apagada por um tipo qualquer (via Novis).
É possível "adquirir", assumir, simular tecnicamente endereços de IP. Tudo é possível, em resumo. Começo a achar que há aqui demasiada precipitação, imensa pressa em retirar ilacções. Eu próprio acho agora que me precipitei, de alguma forma. Porque, repito, no essencial, tudo isto é demasiadamente estúpido para ser verdade. E nem mesmo este Governo poderia cair de tão evidente cavalo abaixo.
Aquilo lá terá sido um tipinho qualquer mais ocioso que se entreteve a "corrigir" umas coisinhas que lhe não agradavam e que - na sua confusa e preocupada cabecinha - lhe pareceu poderiam pôr em causa o seu tachito lá na repartição, ou coisa que o valha.
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De Rodrigo Moita de Deus a 17.08.2007 às 23:16

Caro JPG,

Vamos por a coisa ao contrário: ficaria mal impressionado com um governo que se diz tecnológico e que depois não tivesse uns rapazes a monotorizar o que na net se diz dele.
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De JPG a 18.08.2007 às 00:13

Compreendo, mas não entendo...
Pela 3a vez o digo, é estupidez a +. Nem o próprio Diácono Remédios seria tão bronco. Monotorizar não é o mesmo k censurar
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De Rodrigo Moita de Deus a 18.08.2007 às 01:23

Diz que uma vez puseram um processo disciplinar público a um professor que tinha insultado o primeiro-ministro.
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De JPG a 18.08.2007 às 15:21

Pois diz, pois diz. E bem se viu o resultado! É da mais básica ciência política a perigosidade do bajulador para com o seu "chefe"; perigosidade para o "chefe", bem entendido. E quem diz bajulador, diz quadro intermédio (ansioso por mostrar serviço e agradar ao dito chefinho) ou diz, pior ainda, quadro superior com poderes executivos. Pois diz, pois diz.

Mas vamos supor - hipótese meramente académica ou simples teoria da conspiração - que o tal funcionário, de virtual lápis azul em punho, era (ou é) afinal, alguém da "oposição"...
Não será completamente disparatado presumir que nem todos os funcionários do CEGER (ou de qualquer outro organismo do Estado) serão, forçosamente, militantes ou simpatizantes do Partido que é, neste momento, Governo. Presume-se por conseguinte que não existirá uma razia completa, de cada vez que muda o Partido no Poder, em toda a estrutura do Estado.
Comparando os custos (previsíveis) com os (putativos) benefícios de tão espalhafatosa e desastrada manobra ("corrigir" entradas wiki sobre o PM), fácil será concluir que a mesma (manobra) - interessando muito mais à "oposição" do que ao "governo" - poderá perfeitamente ter resultado de pura contra-informação: um presente envenenado, também ele típico da luta política e figura de eleição dos respectivos manuais.
O próprio Governo dar-se à maçada de alterar wikis (que valem o que valem, o que vem a ser muito poucochinho), bem, isso é que não parece nada plausível.
Ou então, sabe-se lá, a julgar pela catadupa de acontecimentos recentes, as sucessivas argoladas de (ir)responsáveis oficiais, os diversos tiros nos pés que o PM e seus apoiantes vão dando... pois sim, então lá teremos de admitir a terrível verdade: está tudo passado da cabeça, lá pelas altas esferas governamentais. Quando o Governo deixa de governar o país e se dedica exclusiva ou essencialmente a governar-se a si próprio - para se manter como tal - não faz mais do que adiar o inevitável. Ou, por outra, precipitar o inevitável.
É nesta acepção que utilizo a expressão "ninguém poderia ser assim tão estúpido".
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De Anónimo a 18.08.2007 às 18:11

Guterres foi assim tão estúpido e muitos destes ministros, incluindo o "primeiro" ve dum governo assim tão estúpido.
Visto pelo ponto de vista dos "estúpidos" em democracia qualquer governo é a prazo, mas os estúpidos (incompetentes sem escrúpulos) entretnto, em vez de governarem, governam-se! e vão minando o estado (nomeando apaniguados políticos sem espinha; quantos casos deste governo quer?) para poderem influenciar mesmo que não tenham sido eleitos e para criarem condições para lá voltarem rapidamente. Depois repetem o ciclo com uma grande parte das mesmas caras.
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De JPG a 19.08.2007 às 02:31

Ok, pronto. I'll rephrase my sentence. Quase ninguém poderia ser assim tão estúpido.
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De Anónimo a 19.08.2007 às 11:59

O que desde logo invalida completamente a tese de que o governo não pode ter nada a haver com o assunto, porque supostamente ninguém o faria... deviam dar uma explicação. Ma sjá houve tantos assuntos em que eles deviam ter dado uma explicação... desde logo o que originou este, o canudo e o que deram foi uma farsa de entrevista, combinada! (como é que os dois jornalistas que se prestaram à farsa, não fazendo as perguntas pertinentes, não ficaram de imediato queimados? só pode ser muita incompetência (que se sabe que não é) ou mistiifcação que é grave violação de conduta deontológica!).
No meio disto tudo vão escapando mas cada passo que dão queima tood o terreno à sua volta. Quando finalmente sairem do governo já não haverá país mas um campo de minas ingovernável.
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De Rodrigo Moita de Deus a 18.08.2007 às 23:23

Á única parte em que discordamos, com saúde, é sobre a importância do acto. É sinal de inteligência que o governo se dedique a essas coisas. Aquela entrada tem mais importância que dez minutos de televisão. Os tempos mudaram.

Abraço amigo

Deus (o outro)
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De Anónimo a 19.08.2007 às 01:50

Não sei se isto se refere a mim ou ao JPG (Se se referir a mim de qualquer maneira há outra coisa em que discordamos, na forma. Um artigo de resposta é de gente que se sente, apagar, alterar, modificar em seu proveito é iguala ameaçar com processos os jornais e rádios que divulgassem a história do canudo mal tirado (mas bem comprado).
De qualquer maneira ainda bem que ficou esclarecida a referência aos avós!
Um abraço e até à próxima
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De Anónimo a 18.08.2007 às 13:17

Curiosamente o diácono remédios, que fazia todo o sentido como uma crítica ao padre melícias, o franciscano (que se orgulha de ser rico!) ligadíssimo ao ps (mais do que interligado, poder-se-ia mesmo dizer com a "carreira pública" interpenetrada com o ps), aparece numa rábula a limpar-lhes a imagem. herman josé, no tempo do governo guterres, retira força ao seu personagem, fingindo-o o contrário daquilo que ele representava.
O personagem perdeu força mas herman teve muita no processo casa pia e a vida muito facilitada. Coincidências!
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De Anónimo a 18.08.2007 às 00:49

Se as coisas têm de ser provadas neste momento é o governo que tem de provar que alguém se apropriou do endereço de ip, ou qualquer outra tramóia.
O arguemnto de que nem eles seriam tão estúpidos não é argumento, porque é uma generalização que se poderia dizer de qualquer pessoa. Não há o gene da estupidez, há atitudes individuais.
Um endereço de ip ligado ao governo foi utilizado, há admissão por parte do cerne ou do raio que o parta de que poderia ter sido alguém do gabinete. Se isto fosse um país civilizado eles agora teriam de mostrar que não foram eles e, obviamente, teriam essa oportunidade. Quem quer apostar que vai ser tudo abafado e não vai ser dada qualquer explicação???
Além dos indícios fortíssimos encaixa-se na sua maneira de actuar. São estúpidos? ou têm simplestamente a noção de que sairão sempre impunes?
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De Anónimo a 17.08.2007 às 22:44

Salazar fez o que fez por estar convencido que era o melhor para o País. Se estava certo ou errado isso é outro campeonato.
Os de hoje fazem o que fazem por estarem convencidos que é o melhor para eles sendo o País apenas mais um meio para atingir um fim.
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De Anónimo a 17.08.2007 às 23:13

Diria de outra maneira: Salazar ao menos tinha uma ideia de país. Péssima ideia. Mas tinha. Estes senhores nem isso.
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De Anónimo a 18.08.2007 às 00:57

É exactamente isso: entendem o país como um baú para saquearem a seu gosto e o poder delegado pelo por todos nós (a democracia representativa) como a chave do baú. Enquanto durar o poder é um fartar de vilanagem. Destróiem o país e a democracia. Mas onde está a admiração? as leis fizeram-se para as pessoas honestas que as querem cumprir. A gatunagem sempre se rodeou de advogados sem escrúpulos para saberem como as distorcer em seu proveito. A canalhada agora rodeia-se também de jornalistas, para que se não fale nisso.

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