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desculpem lá texto mais longo mas estou mesmo irritado

por Rodrigo Moita de Deus, em 08.11.17

 

Não costumo acompanhar estas questões da Saúde e passei ao lado deste tema da Legionella. Até hoje de manhã. 

E acho que não percebi muito bem. Há mais de uma semana que existe um surto de Legionella. Há mais de uma semana que as autoridades sabem que o foco desse surto é o Hospital São Francisco Xavier. Desconhecem a origem, mas sabem que o foco está no Hospital.

E, mesmo assim, o hospital continuou aberto. E o número de vítimas passou de 12 para 19. De 19 para 26. De 26 para 30. De 30 para 38. E, mesmo assim, o hospital continuou aberto. As autoridades não sabem qual a origem, mas o hospital continua aberto. Com cidadãos a entrarem e a saírem. Pelo meio morreram duas pessoas. E alguém explicou que as pessoas só morreram porque estavam “debilitadas”. Umas conferências de imprensa, umas preocupações e uns lamentos, mas o hospital aberto. Pergunto: quem foi a intrépida autoridade que decidiu manter aquele hospital aberto?

É que vale a pena pensar, por um minuto, o que aconteceria se este surto de legionella tivesse sido detetado na CUF Descobertas ou no Hospital da Luz. O que aconteceria? Alguém permitiria que uma unidade privada de saúde colocasse em risco a vida dos seus utentes. Exagero? Há uns anos o mesmo Estado mandou encerrar “preventivamente” as fábricas da Casa do Forte, em Vila Franca, enquanto não se descobrisse a origem do surto de legionella. Uma decisão tomada com base no perigo para a saúde pública de trabalhadores e moradas da zona. Uns meses depois havia nove arguidos. Incluindo os diretores da fábrica que devem perceber tanto de torres de refrigeração como eu percebo de adubos.

Mas o ponto é o ponto. O Estado, o mesmo Estado, que encerrou preventivamente fábricas e fez de engenheiros arguidos, permite agora que um hospital público permaneça aberto. Um hospital público é menos perigoso que uma fábrica. E o administrador hospitalar do Estado é menos perigoso que o engenheiro dos adubos. Imagino eu.

Quando falamos de um hospital público, o estado julga em causa própria. Tudo é estado. O hospital é estado, o médico é estado, a direção geral de saúde é estado, o polícia que foi buscar os corpos é estado. Daí que fosse recomendável uma avaliação independente. Para saber qual das partes do estado fez asneira. E na orgânica da saúde até existe um regulador. Independente e com estas responsabilidades.

Fui ver o site da ERS (entidade reguladora). Uma semana depois de ter sido noticiado um surto de legionella num hospital público anunciaram hoje um processo. De inquérito? Não. Claro que não. De recrutamento. 27 colaboradores. Enviem as vossas candidaturas. Não se ganha mal e trabalha-se pouco.


lavagem de mãos e outras medidas profiláticas

Sem imagem de perfil

De Anónimo a 09.11.2017 às 09:54

Excelentes observações! Permita fazer uma correcção, não é Casa do Forte mas Forte da Casa. Passámos mais de um mês a mergulhar chuveiros em lixívia aqui na zona para apenas se poder tomar banho e um hospital mantém a rotina? Ridículo.

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