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Gaspar Castelo-Branco, finalmente - 30 anos depois

por Manuel Castelo-Branco, em 15.02.16

Fotografia Pai compress.jpg

Gaspar Castelo-Branco era director-geral dos Serviços Prisionais quando a 15 de Fevereiro de 1986, véspera da segunda volta das eleições presidenciais, foi assassinado a sangue frio pelas FP-25 Abril, com dois tiros na nuca.

 

A partir desse dia o País apercebeu-se que o terrorismo era uma ameaça real. Nos dias seguintes, Cavaco Silva, então primeiro-ministro mudou-se com a família para a residência oficial em São Bento. Todos os ministros, sem excepção, passaram a andar com guarda-costas e vários seguranças pessoais. Os juizes e Procuradores do processo FP-25A passaram a ser guardados dia e noite, pernoitando, às vezes, em locais alternados e sempre secretos. Quem sabe se por essa razão, nem o primeiro-ministro Cavaco Silva nem o Presidente da República em exercício Ramalho Eanes ou o recém eleito Mário Soares estiveram presentes no enterro.

 

Gaspar Castelo-Branco não cedeu à greve da fome das FP-25A. “Em países ocidentais os governos não cedem às greves da fome” dizia. Nessa altura, tal como hoje, as greves da fome eram apanágio de grupos extremistas, que por força da manipulação e demagogia, tentavam conquistar janela de atenção nos media.

 

Mas por cá, era constantemente pressionado pela Comissão Parlamentar de Direitos Liberdades e Garantias e em particular por alguns deputados socialistas. Era particularmente contestado pelos terroristas por ter imposto medidas de segurança estritas nas cadeias em que aqueles réus se encontravam, principalmente desde Setembro de 1985, quando um grupo dos mais perigosos terroristas se evadiu da Penitenciária de Lisboa.

 

Contextualizando, é bom recordar que no período anterior à fuga, os terroristas das FP-25A, por excesso de tolerância e fraqueza politica, estavam em regime de cela aberta e misturados com presos de delito comum. Após a fuga de Setembro, foram impostas condições duras de isolamento e separação entre reclusos. O País acobardou-se e quinze dias após o seu brutal assassinato, os presos retomaram a cela aberta durante o dia, apenas fechada durante a noite. Conforme escreveu na altura José Miguel Júdice, parecia que afinal o assassinato teve uma justificação e uma razão de ser.

 

Perante a demissão dos seus responsáveis políticos, nomeadamente do fraquíssimo, esguio e dúbio Ministro da tutela, Mário Raposo, que perante uma comunicação social manipulada, declinava responsabilidades encaminhando-as para o seu Director Geral, como se a orientação da direcção geral não fosse tomada de acordo com o Ministro, Gaspar Castelo-Branco assumiu sozinho as responsabilidades, que verdadeiramente não lhe cabiam, em circunstancias particularmente difíceis. Tornou-se o bode expiatório e pagou-o com a vida.

 

Gaspar Castelo-Branco não foi assassinado por se opor ou discordar das FP-25 Abril, mas porque no exercício da sua função, ao serviço do Estado, cumpriu o seu dever, acatou ordens com coragem, determinação e sentido de dever e assumiu responsabilidades quando outros delas sedemitiram. Era o homem certo no lugar errado e por isso foi morto. Foi o mais alto funcionário do Estado a ser morto no exercício das suas funções e provavelmente o único um que caiu nos últimos 40 anos, na defesa dos valores da liberdade e democracia e justiça.

 

No entanto, a sua morte de nada serviu. O País não se indignou, não houve um gesto visível de apoio público à vitima pelos seus superiores hierárquicos.

“Se me derem um tiro, como reagirão os defensores dos direitos humanos, os mesmos que pretendem condições mais brandas para os terroristas?” afirmava numa entrevista a um jornal 15 dias antes de morrer. A verdade, é que a sua profecia se realizou e desses movimentos não houve um único acto de repúdio público dos ditos movimentos.

 

O julgamento desta organização terrorista foi o maior fracasso do estado de direito do Portugal democrático. Otelo Mouta Liz, Pedro Goulart, Helena Carmo entre outros, foram julgados e os seus crimes provados em tribunal, bem como o facto de serem membros operacionais da organização terrorista. Facto julgado e provado em tribunal.

 

As FP-25A não foram, o custo da estabilização do regime democrático e muito menos a face negra da revolução.  Foram antes, consequência das acções comandadas por Otelo Saraiva de Carvalho, que se aproveitou da fraqueza das instituições do estado, para tentar conquistar o poder, pela força das armas.

 

O processo das FP-25A foi o maior falhanço da justiça, desde o 25 de Abril, sendo o primeiro grande sinal de impunidade para alguns. Os crimes foram julgados e provados em tribunal - apesar da sentença nunca ter transitado em julgado –  os seus membros não cumpriram a pena.   Foram indultados e mais tarde amnistiados, por crimes que nunca se arrependeram.

 

Apesar disso e vergonhosamente, Otelo foi promovido a Coronel por despacho conjunto do Ministro da Defesa- Nuno Severiano Teixeira e Fernando Teixeira dos Santos então Ministro das Finanças, com uma indemnização três vezes superior aquela que receberam as famílias das vítimas que assassinou.

 

Mário Soares, com uma visão muito própria sobre a justiça, preferiu primeiro indultar e depois amnistiar as FP-25A com total passividade do governo PSD. Preferiu cumprimentar Otelo Saraiva de Carvalho após a sua saída da prisão e recusou uma legítima condecoração, proposta pelo governo, para o membro do mais alto Órgão de soberania a cair no cumprimento do seu dever, no Portugal democrático.

 

Hoje, Gaspar Castelo-Branco é finalmente condecorado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, no dia em que faz 30 anos sobre a data em que foi assassinado. Primeiro ostracizado, depois ignorado e finalmente esquecido, para que no final, após 30 anos, a verdade seja reposta e a injustiça parcialmente reparada.

 

PS as FP 25 de Abril foram responsáveis por 17 atentados mortais, entre os quais um bebé de dois anos (apelidado pela organização como um erro técnico). A última vitima foi o Álvaro Militão agente da Direcção Geral de Combate ao Banditismo em 1986. Mas não foi só aos mortos que o País não mostrou a sua gratidão: agentes da Judiciária, da Direcção Geral de Combate ao Banditismo, juízes como Martinho de Almeida Cruz, Adelino Salvado e procuradores como Cândida Almeida, entre outros.


lavagem de mãos e outras medidas profiláticas

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De Manel a 15.02.2016 às 13:38

Faltam palavras para comentar a monstruosidade que foi a amnistia dada aos terroristas das FP-25. Os "defensores dos Direitos Humanos" nunca comparecem no funeral das vítimas dos terroristas, nem expressam o mínimo pesar. Pelo contrário, o que eles lamentam é a prisão dos terroristas.

Mário Soares, com a sua bonomia habitual, comentava há uns anos que já se incomodava quando os seus "colegas" políticos europeus lhe perguntavam sobre Otelo: "Então, e o teu Sakarov?".

De maneiras que Otelo passa à História com uma aura de heroísmo romàntico, como o Che Guevara e outros assassinos psicopatas, ao passo que Gaspar Castelo-Branco ou Álvaro Militão são uns reaccionários, uns agentes do "sistema".

O Comunismo/Socialismo, como ideia, como teoria, é aceitável. Na prática, é uma doença mental perigosa, uma inversão de valores total, uma forma de esquizogfrenia que leva as mesmas pessoas a defenderem uma coisa e o seu oposto, consoante as circunstâncias.

A minha homenagem sentida às vítimas do bando terrorista de Otelo, e aos terroristas, esperem pela pancada, que o karma é lixado.
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De Miguel Faria a 15.02.2016 às 13:58

Pois.....diz-se que o caso da pedofilia entre os xuxalistas já era antigo....e, aquando da discussão das penas com o governo de Mário Soares, foram-lhes mostradas fotos de destacados xuxalistas em actos de pedofilia.....e eles, para que as fotos não viessem a público, tiveram de os amnistiar a todos, nas condições que os próprios criminosos exigiram.
https://www.youtube.com/watch?v=8FPLhDFaylc - este vídeo é pequeno

https://www.youtube.com/watch?v=x3o1jmOXur4 - este vídeo é mais extenso, se puder veja todo mas veja especialmente os 5 minutos a partir do minuto 27
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De Republica das bananas a 15.02.2016 às 16:02

De facto foi uma monstruosidade aquilo que as FP 25 de Abril fizeram.
O mesmo se passou com aqueles que utilizando as mesmas FP (membros da extrema direita fascista) fizeram e ainda do ELP e do MDLP que também assassinaram pessoas e destruíram património com armas e explosivos roubados e desviados das Forças Armadas Portuguesas.
Todos foram amnistiados e perdoados.
Até Spínola e Alpoim Calvão foram agraciados e condecorados
A memória, ou a falta dela, tem destas coisas...
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De Paxeco a 16.02.2016 às 08:43

O macaco, perante evidências, não podia dizer outra coisa senão fazer comparações
São macacos como este que propiciam o aparecimento de criminosos monstruosos
Curiosamente nunca nenhum partido dito de esquerda se demarcou destes criminosos
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De Republica das bananas a 16.02.2016 às 17:00

Macaco foi o que montou a tua progenitora e te enganou dizendo que o teu pai era outro!
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De Dr. Miguel B. a 24.02.2016 às 16:04

Vc. deve ser uma pessoa muito infeliz (corno, salta à vista que é; filho da puta, também; bicha recalcada, idem aspas) que procura aqui alguma atenção, ainda que na forma de desprezo e asco, que é a única coisa que as suas intervenções despertam. Um dia destes afinfam-lhe dois bufardos nesse focinho de porco, e aí é que vai ser o diabo.
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De Dr. Miguel B. a 25.02.2016 às 12:13

República das Bananas, cornito ressabiado, bichona recalcada, venha à consulta...
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De Antonio Castro a 15.02.2016 às 16:55

E não esquecer que o Sampaio, na qualidade de PR , condecorou a dirigente das FP25 , Isabel do Carmo, com a Ordem, pasme-se, da Liberdade! Esta senhora foi condenada a pena de prisão pelos Tribunais, amnistiada por Soares, e mais tarde condecorada por Sampaio. E agora vem com tretas dizer que o partido socialista é o partido do estado de direito da igualdade e da liberdade!!!
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De rs a 15.02.2016 às 17:36

A Isabel do Carmo foi dirigente das BR, nunca das FP25, que surgiram quando a própria estava na cadeia, e contra a sua vontade.
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De Antonio Castro a 15.02.2016 às 18:59

Obrigado pela correcção, que, em nada invalida ou desmente o restante do comentário.
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De Paxeco a 16.02.2016 às 08:47

Percebe-se perfeitamente que és camarada do república das bananas.
O mesmo farelo, o mesmo mau cheiro
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De Republica das bananas a 16.02.2016 às 17:02

Tu queres é que o macaco te cubra!
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De Alfredo Osório a 24.02.2016 às 21:18

Essa fixação com "coberturas"... aí anda muita bichice recalcada. Está a precisar de ir ao trampolineiro do Quintino Aires, que ele trata-o e "trata de si".

Agora a sério, a qualidade dos trolls pagos anda a decair assustadoramente.
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De TrapDoor Coir a 15.02.2016 às 20:29

Pai da ex-secretaria estado do tesouro Isabel Castelo Branco
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De José Domingos a 15.02.2016 às 21:41

Assassinado com dois tiros na nuca. Tiveram bons professores, estes camaradas.
Era assim, que actuava a nkvd, com a nagan.
Os "bons" tempos da urss.
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De Republica das bananas a 16.02.2016 às 17:03

Era o método utilizado pela PIDE/DGS!
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De Oliveira Garfo a 25.02.2016 às 12:16

E foi pena não o terem utilizado em ti e nos teus camaradas todos. 100 milhões de mortos causou o Comunismo no século XX. Cada comunista é um criminoso.
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De Republica das bananas a 26.02.2016 às 09:49

Vai abrir a caça ao PIDE.
Volta pró esgoto, antes que te encontrem!
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De JMS a 15.02.2016 às 23:03

Quem é uma gaja chamada Irene Pimentel? Historiadora? Dass!...
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De Alopes a 16.02.2016 às 16:35

Dizem que é historiadora! O que é de certeza é XUXA!
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De João José Horta Nobre a 18.02.2016 às 04:40

Usei alguns excertos do seu artigo aqui:

http://historiamaximus.blogspot.pt/2016/02/enfiar-balas-em-nucas-e-fixe-pa-desde.html

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