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Os dias da rádio (I)

por Augusto Moita de Deus, em 06.10.18

Cresci literal e musicalmente a ouvir os programas do António Sérgio, o Rolls Rock e o Som da Frente. Mas também o quase desconhecido Dois Pontos. Eram duas horas, essencialmente dedicadas à passagem integral de dois álbuns. Os apresentadores eram o Jaime Fernandes, o Rui Morrison, o Humberto Boto, o Jorge Lopes e quiçá outros. Se bem me lembro tinha dois jingles, um de início e outro de fim, sendo que um deles tenho 99% de certeza que era o "Little Martha" que está aqui ao lado.

 

Que delícia era descobrir todos os dias (úteis) música nova. E música na forma de um álbum e não a redução da obras dos artistas a 2 ou 3 hits de 3 ou 4 minutos de duração, como se vê e se ouve na actualidade. Cada álbum era uma viagem, semelhante a um filme. Ou melhor, essa experiência era e é certamente mais parecida a ver a um episódio duma série, em que a discografia do artista ou banda é a série. 

 

Com o Dois Pontos (que anteriormente acho que se chamava Módulo) o ritual era: começar a gravar o programa às 11 e picos (depois das notícias) e... se a música não fosse do agrado, era só parar e fazer rewind e esperar pela hora (ou pelo programa) seguinte. Mas se a música agradasse, era mesmo para deixar gravar até ao fim, que normalmente as finanças eram curtas para comprar álbuns meramente em modo de exploração. As cassettes serviam precisamente para isso, para explorar e para ouvir as músicas com grande portabilidade (sim que os gravadores audio eram muito mais fáceis de transportar que os gira-discos). Em alguns casos a visita à loja dos discos (a discoteca, pois então) acabava por tornar-se inevitável.

 

Era aborrecido era se o álbum tivesse mais de 45 minutos, pois aí a cassette acabava com o álbum ainda a tocar...

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