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É triste!

por Moedas, em 02.07.10

Estava ontem sentado na sala a fazer zapping televisivo, quando me deparo com um programa chamado "Corredor do Poder" em que cinco jovens políticos davam a sua opinião sobre a actual polémica da Golden Share do Estado na PT. Fiquei deprimido com o programa e tentei imaginar um país em que de 5 políticos, ainda por cima jovens, 4 defendiam determinadamente a utilização da Golden Share. Três deles à esquerda porque acham que nacionalizar é bom, aliás a prova está nas excelentes administrações repletas de políticos, que destruíram muitas das nossas empresas no período pós-revolucionário. Esses mesmo políticos que continuam fazer excelentes papéis como representantes nas empresas privadas a que o estado tem acesso. Sim, nacionalizar é colocar os amigos à frente das empresas a gastar o dinheiro dos contribuintes (obviamente por razões estratégicas). Sim, o nosso dinheiro!! Porque será que a esquerda não percebe isso?! Mas o que mais me chocou, foi que o representante do CDS também defendia o uso da Golden Share. Imagine-se o partido mais à direita em Portugal a defender a Golden Share!! Sim, porque estar na Vivo é estratégico.  Obviamente, nenhum Brasileiro sabe que a PT existe no Brasil e os poucos que sabem estão conscientes que quem manda na Vivo é e sempre foi a Telefónica. Sim, porque como os outros países já utilizaram Golden Shares nós devemos utilizá-las. É como dizer que porque os outros roubam nós também podemos e/ou devemos roubar. Será que estamos conscientes que esta oferta da Telefónica correspondia a mais de três vezes o valor da Vivo em Maio quando a Telefonica anunciou a primeira oferta e 98% do valor de mercado da Portugal Telecom? Seguramente, o valor que a PT poderia extrair da Vivo através desta oferta nunca voltará a ser tão elevado. Mas claro, tudo isto é estratégico. Devemos explicar ao leitor mais desatento que, em Portugal, estratégico para os políticos significa a possibilidade de futuros lugares na administração das empresas!

Chamaram-me à atenção através do Twitter, que esta noite o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa parece ter feito afirmações que iriam no sentido de defender o cartaz do Bloco de Esquerda sobre os salários do gestores. Infelizmente, não vi o telejornal da TVI e por isso desconheço em que contexto as afirmações foram feitas ou se realmente iam em tal sentido. Gostaria apenas de acrescentar, ao que já afirmei e defendo no meu post "Alguém me explica este cartaz?", que o salário de um gestor de uma empresa privada é um assunto entre os accionistas e a direcção da empresa. Se a empresa estiver em dificuldades irá certamente cortar o salário dos seus gestores por necessidade e porque ao contrário do Estado os privados não podem viver acima das suas possibilidades, mas não necessita fazê-lo por decreto ou por imposição do Estado. É no entanto interessante analisar que se uma empresa diminuir os salários dos seus gestores, tal medida implicaria um aumento do lucro dessa empresa antes de impostos no mesmo valor. Este lucro adicional iria directamente para os accionistas, que no caso de uma empresa privada são entidades privadas. Não vejo como tal corte no salário de um gestor pode ajudar a sociedade, uma vez que vai directamente para o accionista. Aliás, se for mais longe no raciocínio, o salário do gestor será taxado em 42% (taxa marginal) e o lucro da empresa será taxado em 26.5%. Façam as contas e vejam o que mais contribui para a sociedade em termos de receita directa para o Estado!

Que alguém me explique este cartaz?

por Moedas, em 30.05.10

Hoje levantei-me cedo e ao atravessar a rua deparei-me de muito perto com este cartaz do Bloco de Esquerda. Eu até poderia compreender (apesar de não concordar) que um partido como o Bloco de Esquerda se queixe dos salários dos presidentes de empresas, em que o Estado detenha alguma percentagem accionista ou a chamada golden share (i.e. EDP, PT), mas o que não posso compreender é que um partido ataque presidentes de empresas privadas que nada têm que ver com o Estado. Quer este cartaz dizer que o Bloco de Esquerda quer eliminar a propriedade privada em Portugal? Quer este cartaz dizer que os empresários privados, que verdadeiramente criam emprego neste país, não podem ter lucros ou salários? Não conheço Paulo Azevedo, mas o papel que um grupo Sonae teve no nosso país nas últimas décadas é indiscutível e o salário do presidente da Sonae é um problema exclusivo dos accionistas da Sonae e não do Bloco de Esquerda. Cartazes como este assustam-me porque escondem intenções perigosas, populistas e de uma desonestidade intelectual inquietante.

 

Notas de fim-de-semana

por Afonso Azevedo Neves, em 20.04.09

Se pensarmos bem, se Cavaco Silva não fosse Presidente e se tivesse lembrado de dar recados nas páginas de uma qualquer revista, imaginemos mesmo que se atrevia a falar em boa e má moeda, tenho impressão que Sócrates lhe reservaria muito mais que um leve rosnar.

 

De medida em medida até à medida final

por Afonso Azevedo Neves, em 25.03.09

Estamos a na fase reboot do ciclo deste governo PS. Após quatro anos voltamos às velhas formulas de lidar com o mediatismo da crise, sem verdadeiras respostas, ensaiam-se manobras de diversão tão ao gosto dos spin doctors do Eng. Sócrates: um subsídio aqui, um protocolo ali, outra promessa acolá.

 

A simples proposta das chamadas causas fracturantes parece não ter colhido o entusiasmo esperado, até porque boa parte delas só fracturam  uma ínfima parte do eleitorado. Não chegava para o efeito pretendido, era necessário encontrar novas formas de distrair o português da desgraça que há muito estava anunciada.

 

Os velhos "truques" que deram resultado no início deste mandato foram reciclados e deram-lhes novas roupagens, deixam-se as consequências directas e indirectas do conjunto de medidinhas para a economia portuguesa para um futuro que, todos sabemos, não será risonho. Algo que parece confortar quem desenha esta estratégia.

 

Assim está garantida a programação para os próximos meses, de 15 em 15 dias no Parlamento, seremos brindados com mais uns estágios que servirão para fazer descer os números do desemprego até ao fim do ano, findos os quais o referido número irá disparar de um momento para o outro, com evidentes culpas de uma crise internacional em geral e "bota-abaixistas" em particular.

Paulada do dia

por Afonso Azevedo Neves, em 03.03.09

Ver José Sócrates apelar à moral na política é tão convincente quanto a defesa da monogamia por parte de Cicciolina.


JM Tavares

A tampa na caneta

por Afonso Azevedo Neves, em 13.02.09

Aquela frase de Manuela Ferreira Leite que a História (com maiúscula) lhe dará razão, não é só um argumento típico do desepero e da derrota como escreve hoje o VPV no Público, é o assumir dessa derrota.

Churchill a este propósito deu um dia a resposta do vencedor, a História seria boa para ele já que ele tinha intenções de a escrever. Manuela Ferreira Leite parece ter posto a tampa na caneta.

Sobre a América

por Afonso Azevedo Neves, em 20.01.09

Inciar a cerimónia com uma invocação e um pedido a Deus. Ou como diria F. com todos os artificios publicitários cristãos.

 

Dizem que o discurso de Obama estará carregado de alusões religiosas e passagens da Biblia Sagrada. Até que ponto se poderá dizer que a oratória politica americana é uma das mais ricas por recorrer muitas vezes à religião como suporte? Até que ponto se pode dizer que a oratória politica portuguesa não perde por ter medo de recorrer a ela?