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Que País é este?

por Moedas, em 01.10.10

Que País é este, em que uma empresa privada passa as responsabilidades com planos de pensões regulamentares e respectivos Fundos de Pensões para o Estado sem que ninguém se revolte? Que país é este em que ninguém vê que atrás dessa receita estamos mais uma vez a endividar o futuro dos nossos filhos? Será que alguém nos explicará a verdadeira mecânica desta habilidade contabilística, que apenas troca receita presente por responsabilidades futuras?

 

Porque será que os accionistas da PT na grande maioria privados e muitos estrangeiros não se opõem a esta medida? Será que é porque querem ajudar o país ou será apenas um bom negócio para eles? Porque não nacionalizar todos os fundos de pensões das empresas privadas em Portugal? Isso geraria mais receita. Certo?

 

Sempre defendi que uma das grandes causas da crise actual global foi o produto das chamadas habilidades contabilísticas, mais conhecidas como “off-balance-sheet- tricks”. Isto é, maneiras de colocar fora do balanço dívidas e responsabilidades futuras. Foi  esse o caso das securitizações sub-prime, que mais não eram do que uma maneira de retirar discretamente as dívidas dos balanços dos bancos, dos sale-and-lease-backs imobiliários, que transformam dívida presente em rendas futuras e tantos outros instrumentos que apenas escondiam a verdadeira situação das empresas. Esta receita extraordinária para o estado cheira-me ao mesmo, cheira-me a chutar para à frente, cheira-me a uma geração que só pensa em si e num presente que já não existe. Chegou a hora de pedir contas a uma geração que nunca resolveu nada, apenas empurrou com a barriga.

Sinto-me revoltado!

por Moedas, em 04.09.10

Acabei agora de ouvir José Sócrates no seu discurso em Matosinhos. Falou de um estado social que eu nunca vi, nem vivi; de uma escola pública em que tudo funciona às mil maravilhas, mas que eu nunca conheci; de um projecto para o país extraordinário de criação de oportunidades, as mesmas que já prometeu mas nunca aconteceram; de um país com uma lei laboral perfeita em que só se despede alguém por justa causa, a tal causa justa que nenhum gestor sabe exactamente o que é, porque nunca ninguém a viu.

 

Tentei ver até ao fim mas não consegui. Pensei num país em que há 600.000 desempregados que sonham em ter um emprego, mas oferecem-lhes um estado social como miragem. Um estado social que os vai salvar! Um país em que há 20% de jovens desempregados que sonham com um emprego e oferecem-lhes novas oportunidades e um sistema educativo perfeito. O sistema educativo que os deixou no desemprego! Um país que é apontado por todos os relatórios do FMI como tendo uma lei laboral de tal forma rígida que desincentiva a criação de emprego e em que os empresários têm medo de criar postos de trabalho, porque criar um posto de trabalho em Portugal é como casar sabendo que não nos podemos divorciar.

 

Sinto-me revoltado!

Um amigo chamou-me à atenção para o artigo de Theo Vermaelen ontem no Financial Times. Theo Vermaelen é um professor de finanças no INSEAD em Fontainebleau que vem pôr a vivo a questão dos incentivos económicos dados aos políticos. A realidade é que hoje os nossos políticos são mal pagos e não têm qualquer incentivo para tomar decisões acertadas ... aliás eu diria que têm todo o incentivo para não tomar decisões. Em política tomar decisões tornou-se mais arriscado do que não as tomar e por isso o grande objectivo de um político que se preze passou a ser a sua reeleição no curto prazo. Para garantir tal reeleição nada como endividar o estado, utilizar a dívida para aumentar benefícios sociais a determinadas camadas da população, garantindo assim mais votos potenciais e logo um futuro político. O problema é que essa dívida que se vai acumulando não será paga por eles mas por nós. Theo Vermaelen propõe, que por um lado os políticos fiquem responsáveis através de garantias pessoais sobre a dívida que incorrem ao longo do tempo, por outro lado que parte do salário seja condicional aos resultados obtidos por estes. Por exemplo, poderíamos condicionar parte do salário de uma equipa de governação a um determinado rácio de dívida publica. Obviamente que estas medidas são académicas e em certos casos impraticáveis. No entanto, a verdade é que, mais tarde ou mais cedo vamos ter que repensar como podemos dar os incentivos certos aos nossos políticos para que não pensem apenas no curto prazo, mas que apostem em medidas estruturais que nos garantam um futuro sustentável. Muitas vezes não são os políticos que são maus, são os incentivos que lhes damos que estão errados.

Conclusões de ontem à noite

por Afonso Azevedo Neves, em 22.04.09

Se Cavaco Silva faz criticas ao Governo não foi, com certeza, ao meu. Qualquer interpretação diferente visa instrumentalizar o PR e é, para não dizer mais, abusiva.

Se os outros países estão mal é natural que também estejamos mas isso de estarmos pior que os outros, é uma interpretação vossa e que é, para não dizer mais, abusiva.

O investimento público salvará a nação como o fez no passado, se alguém julga que eles foram parte do problema que vivemos hoje, é uma interpretação vossa e que é, para não dizer mais, abusiva.

Se eu digo que muitas auto-estradas para o mesmo sitio não são muitas qualquer interpretação em contrário é, para não dizer mais, abusiva.

Se eu digo que processo difamadores é porque processo difamadores, se todos os difamadores são jornalistas é mera coincidência e prova da cabala, qualquer interpretação diversa é, para não dizer mais, abusiva.

Eu sei bem onde o/a senhor/a jornalista quer chegar, eu sei! Se julga que eu não sei bem onde quer chegar está enganado, a sua pergunta é uma interpretação da realidade que é, para não dizer mais, abusiva.

PeC

por Afonso Azevedo Neves, em 21.04.09

O Prós & Contras de ontem foi um memorável momento televisivo e não o escrevo a brincar. Foi mesmo. A gritaria ajudou e muito, a perceber ao que vinham os candidatos.

 

Se Ilda Figueiredo falou para o seu partido, na prática estar ali ou sozinha numa sala a falar para uma câmara era igual, sendo que se era esse o objectivo esteve lindamente.

 

Miguel Portas veio no entanto com uma agenda bem diferente, falou para fora e sobretudo contra o PS, o fim foi atingido e a espaços assumiu uma clara liderança no debate.

 

Nuno Melo começou melhor que os restantes candidatos mas, ao longo do programa, foi perdendo “pontos” e assim que foi interrompido pareceu-me ter perdido o registo o que não deixa de ser estranho para um deputado.

 

Vital Moreira foi o que mais me surpreendeu, sendo certo que hoje já não usufrui das vantagens da k7 – uma autêntica muleta quando não se quer dizer nada – a sua proverbial independência foi totalmente desmentida pela argumentação coxa em defesa do governo a que foi forçado por Rangel, logo secundado por Porta e Melo. Houve mesmo momentos algo confrangedores que reforçam a ideia exposta no Insurgente: realmente a melhor coisa que o PS pode fazer é esconder o seu candidato e garantir que a sua imagem se mantêm mais ou menos intacta até às eleições.

 

Paulo Rangel demorou algum tempo a sair do seu registo algo formal mas assim que o fez, sacrificando alguma objectividade por um discurso mais agressivo, a sua prestação melhorou muito e foi com surpreendente facilidade que expôs as fragilidades do seu adversário.

As sondagens valem o que não valem as ideias do actual PSD

por Afonso Azevedo Neves, em 11.02.09
Este artigo de Fernado Sobral

termina com a frase que dá título a este post. Infelizmente para o PSD, o caminho que se avizinha e que Marcelo veio agora adivinhar, não parece ter alternativas viáveis. Diz-se por aí a possibilidade de antecipação de eleições legislativas, a necessidade de legitimar um novo programa de governo saído do Congresso do PS, face à urgência de novas soluções para responder a uma crise que o actual PM conseguiu catalogar de imprevista, serão parte da justificação. A ser assim e cumprindo o mandato que legitimamente lhe foi conferido, Manuela Ferreira Leite enfrentará um resultado eleitoral - provavelmente em Junho - que lhe dará pouca margem de manobra para permanecer na liderança até às autarquicas. Nessa altura se verá quem estará disposto a “apanhar os cacos” de mais um resultado humilhante, recorde-se que Marques Mendes sempre foi visto por boa parte da actual liderança como alguém que só serviria para esse serviço. Seja como for, Santana Lopes respira uma saúde política que ninguém que votou Ferreira Leite adivinharia e Passos Coelho já fez todos os alertas que podia ter feito. Não sei se já é tarde, sei é que quem está a ditar o tempo na agenda política chama-se José Sócrates e só isso devia fazer pensar o PSD.