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O momento

por Nuno Gouveia, em 31.08.12

Th End

por Nuno Gouveia, em 31.08.12

O último dia da convenção ficou marcado pelo discurso de Mitt Romney e pela intervenção do mítico Clint Eastwood, numa apresentação que gerou tanto entusiasmo no público como estupefação nos media americanos. Antes, Marco Rubio proferiu um poderoso discurso e mostrou que o futuro do Partido Republicano poderá passar por ele. Num cenário preparado para elevar a imagem de Mitt Romney perante os eleitores indecisos, o discurso tentou cumprir três objectivos: aumentar a sua popularidade, convencer os eleitores desiludidos com o mandato de Obama e manter a discussão na economia. Nos próximos dias saberemos se convenção teve impacto nas sondagens. Para a semana virá a resposta democrata a esta semana de festividades. Termino aqui a emissão especial desde Tampa. Durante o fim de semana escreverei algo mais sobre esta Convenção. 

Persistência

por Nuno Gouveia, em 30.08.12

Ron Paul esteve ausente do palco da convenção, mas sua presença foi notada por todos em Tampa. Dentro, mas sobretudo fora do pavilhão. Os seus seguidores são incansáveis. Um pouco por toda a baixa de Tampa encontram-se apoiantes, por vezes sozinhos, com placas do congressista texano. A paixão e quase fanatismo destes seguidores é, de facto, diferente do que estamos habituados a ver na vida política. Será interessante verificar no futuro quem irá emergir para substituir Ron Paul na liderança deste movimento. O seu filho, que ontem apoiou Mitt Romney, estará na pole position, mas tenho algumas dúvidas que as suas posições mais mainstream possam ter o apoio da maioria destes jovens. 

Fui visitar o Tea Party

por Nuno Gouveia, em 30.08.12

 

Li algures que a palavra Tea Party ainda não foi pronunciada por nenhum dos oradores na Convenção. Não será bem verdade, mas à excepção do senador Rand Paul, nenhum dos seus mais proeminentes líderes foi convidado para falar em Tampa. Por isso, hoje à tarde sai da convenção e fui assistir a um discurso de Michelle Bachmann, inserido na estreia de um documentário do jornalista conservador Andrew Breitbart, que faleceu este ano, sobre o movimento Occupy Wall Street. Devo dizer que foi o local onde estive com a segurança mais apertada, pois havia receio que fossem "invadidos" por manifestantes. Além da paranóia que encontrei, não desgostei: a comida estava boa, as bebidas fresquinhas e Bachmann fez um bom discurso. E jovens, muito jovens, ao contrário da ideia que por vezes transmitem do Tea Party. Quem organizou isto foi a Citizens United, a organização que forçou a alteração radical das leis de financiamento da política americana em 2010. 

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por Nuno Gouveia, em 30.08.12

James Carville, antigo assessor de Bill Clinton, logo após o discurso de Paul Ryan. Como habitual, com cara de poucos amigos. 

A nova geração chega ao poder no GOP

por Nuno Gouveia, em 30.08.12

 

O ambiente na convenção esteve verdadeiramente electrizante ontem à noite, especialmente na última hora, quando discursaram Condoleeza Rice, Susana Martinez e Paul Ryan. Se era de energia e entusiasmo que este partido necessitava, alcançou-o. Diferente é saber se esse sentimento irá passar para os eleitores indecisos que vão decidir esta eleição. Os ataques ao Presidente Obama têm estado afastados dos discursos do prime time, mas ontem Paul Ryan, cumprindo uma tradição dos candidatos a Vice Presidente, lançou um feroz ataque às políticas de Barack Obama. E fê-lo transparecendo optimismo e confiança no futuro, realçando uma mensagem positiva conforme mandam as regras. A equipa de Romney tem tentado sobretudo ultrapassar a imagem radical e divisionista dos últimos anos do Partido, e pelo que tenho visto e lido por aqui, tem-no conseguido. 

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Três agentes policiais sem nada para fazer

por Nuno Gouveia, em 30.08.12

Na casa dos neoconservadores

por Nuno Gouveia, em 30.08.12

 

A Foreign Policy Initiative é um think tank neoconservador, fundado em 2009 por Bill Kristol, Dan Senor e Robert Kagan. Numa iniciativa moderada por Bill Kristol e com Tim Pawlenty, antigo candidato presidencial e governador do Minnesota, agora conselheiro de Mitt Romney, pude verificar a razão para não se falar tanto de política externa nesta campanha. É que, apesar da retórica e de algumas diferenças em relação ao Irão, Israel ou Rússia, os republicanos não apresentam divergências substanciais em relação à Administração Obama. Kristol chegou mesmo a referir que os seus apoiantes de 2008 devem estar desiludidos com a política externa do Presidente.

 

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A noite de ontem teve duas partes bem distintas, destinadas a públicos diferentes, conforme se pode perceber pelo conteúdo dos discursos. As principais televisões nacionais (ABC, CBS e NBC) apenas transmitem em directo uma hora da convenção, pelo que é nesse período que são transmitidas as principais mensagens destinadas aos independentes e pessoas mais desafectas do processo político. Ontem os oradores nesse horário foram a esposa do governador republicano de Porto Rico, Luce Fortuño, Ann Romney e Chris Christie, governador de New Jersey. A primeira dama de Porto Rico, que introduziu Ann Romney, serviu essencialmente para dar um sotaque latino a este segmento. Como é tradicional, as esposas representam uma aposta das campanhas para apresentar o candidato de uma forma mais pessoal e emotiva. Foi isso que Ann Romney fez e, pelas reacções da sala, da imprensa e dos comentadores, saiu-se muito bem. Por vezes este tipo de discursos faz mais por um candidato que mil e um anúncios do género. Num momento mais político, e mais do meu agrado, seguiu-se a apresentação de Chris Cristie, um orador extraordinário que arrebatou por completo a audiência. O mais interessante é que não fez o típico discurso de "atack dog", que normalmente preenche o conteúdo do "Keynote speaker" da convenção, mas tentou transmitir uma mensagem optimista e de mudança para o futuro da América. E, como não podia deixar de ser, lançou excelentes soundbites. O meu preferido, sem dúvida: "Real leaders don't follow polls. They change polls". O país encontra-se perto de um abismo financeiro e os republicanos prometem tomar as decisões difíceis para alterar a situação. Bem, se o passado não os favorece muito, como a equipa de Obama tem tentado relembrar os eleitores, o presente, com diversos governadores republicanos como Chris Christie, que têm vindo a equilibrar os orçamentos nos seus estados, podem contribuir para dar essa força que Romney desesperadamente necessita. Christie, tal como outros governadores que falaram antes dele, tentou demonstrar que o estilo de governança de Romney será do género pós 2010 e não como George W. Bush. O que se pode retirar destes dois discursos? Os americanos gostam de líderes fortes capazes de tomar decisões difíceis e foi essa a mensagem que tentaram transmitir. Se as reacções foram muito boas para o republicano, o seu verdadeiro impacto também dependerá dos números de espectadores que estiveram ligados à televisão. 

 

Um fim de tarde com o Politico

por Nuno Gouveia, em 29.08.12

 

O Político, tal como outros grupos de comunicação social, alugou um espaço num edifício perto da Convenção para organizar eventos e receber convidados. Ontem ao final da tarde estive numa sessão onde esteve presente o filho mais velho de Mitt Romney, juntamente com os jornalistas Mike Allen e Jonathan Martin. Uma sessão de campanha onde Tagg Romney (um nome, como o próprio reconheceu, não muito feliz) tentou vender a imagem do seu pai. Histórias de vida, curiosidades e anedotas sobre episódios do candidato e da sua família. Uma conversa suave destinada à audiência, composta sobretudo por jovens republicanos. Serviu essencialmente para entender melhor como a família de Romney tem vindo a fazer campanha pelo país. Para se ter uma ideia, ele disse que desde que o pai anunciou a candidatura não parou de percorrer os Estados Unidos em acções de campanha, entrevistas e angariações de fundos, tendo deixado de trabalhar na sua empresa. Por fim, devo dizer que a comida japonesa, juntamente com os cocktails que serviram, estava óptima. E, também importante, tinha uma magnífica vista para a baía de Tampa. Pena o clima não ter ajudado à sua observação. 

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por Nuno Gouveia, em 28.08.12

Passei há pouco pelo Jon Voight. Ainda estive para lhe perguntar se a sua filha ia passar por Tampa, mas estava tão furioso a falar de Joe Biden e Barack Obama que concluí que não iria receber uma boa resposta. Até ao momento, celebridades por aqui só mesmo do mundo das notícias. Esta foi a primeira e não me parece que vá ver muitas mais. Esse é o campo dos democratas.

Estratégias, sondagens e eleitores

por Nuno Gouveia, em 28.08.12

Ron Kaufman, John Dickerson e Ron Fournier

 

O pequeno almoço desta manhã foi passado numa sessão que contou com o conselheiro de Mittt Romney, Ron Kaufman, entrevistado por John Dickerson da Slate e Ron Fournier do National Journal. O mais interessante deste tipo de sessões é que os assessores, apesar de tentarem "vender" o seu candidato aos convidados presentes, a maior parte jornalistas, é que por vezes levam com perguntas bastante complicadas e comprometedoras. O melhor deste painel foi uma acusação de Fournier, ao dizer claramente que a campanha de Romney tinha mentido num anúncio. Durante uns minutos o assessor de Romney tentou desviar o assunto, mas Dickerson rematou a discussão, afirmando que as campanhas mentem e cada vez mais, dando exemplos de mentiras de ambas as candidaturas. Foi o momento mais tenso da conversa, que andou por muitos outros assuntos. Kaufman mostrou-se confiante que Romney irá conseguir ultrapassar as divisões de Washington, fazendo o mesmo que Bill Clinton e Ronald Reagan, que conseguiram governar em ambientes hostis e fazendo acordos com os adversários. Afinal de contas, foi isso que Mitt Romney fez quando era governador do Massachusetts, com o poder legislativo 85 por cento democrata. De resto, os três membros deste painel testemunharam há três momentos decisivos numa campanha presidencial: a escolha do Vice Presidente, as convenções e os debates. E, segundo Kaufman, no primeiro momento Romney passou com distinção e está tudo a decorrer como planeado (na verdade, ninguém esperava que dissesse outra coisa).

 

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As boas vindas dos Democratas

por Nuno Gouveia, em 27.08.12

Primeiras impressões de Tampa IV

por Nuno Gouveia, em 27.08.12

 

Uma convenção não se limita ao circo que os media e as campanhas criam ao seu redor. Não se percebe o que é uma convenção americana sem mergulhar no meio das manifestações. Hoje fui dar uma volta por um protesto nos arredores do Tampa Bay Times. Não eram muitos e nem pareciam muito furiosos (à excepção destes na foto). Havia idosos, provavelmente veteranos dos protestos dos anos 60, pessoas de meia idade e muitos jovens. Passado pouco tempo, numa outra rua, apanhei três senhoras com os seus 70 anos que vinham de um outro protesto. Elas calmamente explicavam que tiveram de aproveitar hoje para se manifestarem contra Mitt Romney pois nos próximos dias aquilo vai ficar “complicado” e será confusão a mais para elas. 

Primeiras impressões de Tampa III

por Nuno Gouveia, em 26.08.12

Por esta altura não deve haver local mais seguro no mundo do que Tampa. Hoje o que mais vi nas ruas foram agentes de segurança: políticas municipais, do condado, militares da Guarda Nacional, agentes dos Serviços Secretos e ainda barcos e helicópteros a rondar o local da Convenção. Várias zonas de segurança onde apenas podem entrar pessoas credenciadas, e há quarteirões inteiros com o trânsito cortado. Os americanos não brincam com segurança. 

Primeiras impressões de Tampa II

por Nuno Gouveia, em 26.08.12

O Partido Republicano cancelou o primeiro dia da convenção, na segunda-feira, devido a uma tempestade tropical que se aproxima da Florida. Em conversa com um taxista, perdi qualquer receio que poderia vir a ter sobre a tempestade. Segundo me explicou, os republicanos são uns “pussies”, pois na Florida tudo que não tenha categoria de furacão não merece sequer consideração. 

Primeiras impressões de Tampa I

por Nuno Gouveia, em 26.08.12

Primeiro diálogo, logo no Aeroporto:

 

Eu: Can you tell me where’s the shuttle to claim the baggage?

Ela: Perdón señor, yo no hablo ingles.

 

Minutos depois, com o taxista:

 

Eu: I am from Portugal, Porto, and I am here for the Convention.

Ele: Oh, do you speak Spanish? I’d prefer. 

 

Conclusão: devia ter treinado mais o meu espanhol. O inglês aqui é língua secundária.