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Em Lisboa, é já amanhã

por Sofia Bragança Buchholz, em 16.12.11

 

Dizem que os "croquetes", ainda são melhores do que os do Porto! Apareçam!

 

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No Porto, é já amanhã e o Simão convida

por Sofia Bragança Buchholz, em 09.12.11

 

 

Apareçam! Há "croquetes" e, com esta crise, sempre dá para forrarem o estômagozinho antes do jantar.

 

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Momento publicitário do dia

por Sofia Bragança Buchholz, em 17.11.11

O meu novo livro "Simão, o Fantástico!" sai no dia 22 de Novembro e a editora está a fazer uma pré-venda com 50% de desconto. Para o conseguirem a este preço têm apenas que se registar no site da Presença (ou, quem já está, efectuar o login).

Após a encomenda feita, paga e expedida, 50% do seu valor é devolvido para a vossa conta. A conta-cliente é uma espécie de poupança, associada a cada utilizador, que serve como modo de pagamento no site da Presença. Assim, o valor a devolver será de 6.45€, ou seja 50% do valor pago pelo livro. A devolução é feita para a conta-cliente só após a expedição do livro (isto é, a partir de 22/11). 

 

Esta pré-venda tem a validade de 24h, ou seja, termina amanhã às 12h. Aproveitem!

 

Já agora, conheçam também a página do Simão no Facebook.

 

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Dia de "tiras"

por Sofia Bragança Buchholz, em 12.06.11

Simão, o Sexista

 

Passamos em frente ao Tribunal da Relação do Porto. Imponente, a enorme estátua em bronze que se ergue defronte do Palácio da Justiça, chama a atenção do Simão.

Curioso, ele pergunta:
 
– O que é aquilo?
– Aquilo é a estátua da Justiça. É uma obra magnífica feita por um escultor chamado Leopoldo de Almeida – explico, enquanto nos aproximamos para a observar melhor. – Vês a balança que tem na mão? Significa que a justiça deve pesar bem as provas apresentadas de forma a tomar correctamente as suas decisões. Do outro lado, tem uma espada, vês? Esta representa a sua capacidade de exercer o poder de decisão.
Ele fica a admirá-la, por um momento, em silêncio. Depois, arrogante, exclama, recomeçando a andar:
– É a Justiça, a República, a Liberdade… Tudo mulheres! Depois como é que querem que estas coisas funcionem bem?!

 

 

© Sofia Bragança Buchholz (Simão no Facebook)

 

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Dia de "tiras"

por Sofia Bragança Buchholz, em 23.05.11

Simão e o Desporto

 

No clube de golfe, o Martim e o Simão têm uma aula de golfe com um instrutor.
Enquanto o primeiro executa tudo na perfeição, o segundo debate-se com o seguinte cenário:

 

− Flecte os joelhos…

− Não, menos!…

− Não, mais!…

− Estica os braços…

− Mais, mais…

− Sim…

− Não movas as ancas!

− Sim…

− Não!

− Não movas as ancas! Só o tronco!

− Não!

− Olha, assim:

 

 (swing perfeito do instrutor)

 

 (seguido de swing imperfeito, do Simão, claro!)

 

− Nãaaaao! Não movas as ancas!

− A mão esquerda agarra o taco... a direita sobre a esquerda... assim...

− Dedo mindinho direito entre o dedo médio e indicador esquerdo…

− Nãaaaao!...

− Assim! Olha!

− Estica os braços!

− Não! Assim como se fossem cortar o mindinho…

− Não!

− Sim!

− Não!

− Polegar direito sobre o esquerdo…

− Sim! Boa!

− Não! Oh, que estavas a fazer tão bem!...

− Vá lá, tenta outra vez…

− Não! Nãaaaao!

 

(longo suspiro, enfastiado, do Simão, seguido de decisão irrefutável):

 

− Olhe, vai desculpar-me, mas vou, ali, antes para a piscina dar um mergulho, ok?!

 

 (Só faltou acrescentar: não estou para o aturar!)


 

 

 

© Sofia Bragança Buchholz ( Simão no Facebook )

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Dia de "tiras"

por Sofia Bragança Buchholz, em 08.05.11

Simão o… o… ah!, "ganda", Simão, como eu te compreendo!

 

Ao entrar em casa da minha irmã, vejo o Simão sentado, à mesa da cozinha, a fazer os trabalhos de casa.
Pergunto:

 

 − Então, como é que vai essa vida?
E ele desanimado:
− A vida vai bem. O que dá cabo de mim são estes trabalhos de casa!


 

 

 

© Sofia Bragança Buchholz (Simão no Facebook: aqui)

 

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Dia de "tiras"

por Sofia Bragança Buchholz, em 25.04.11

Simão, o Economista

 

• Simão
• Eu

 

O Simão chega a minha casa para passar o dia comigo. Na mão, traz um brinquedo novo, acabadinho de comprar. Eu gabo-lho:

 

− Ena, que giro! Compraste o Zorro e o seu cavalo Tornado?
Ele, orgulhoso:
 − Sim.
Eu, lembrando-me de outro boneco da mesma colecção que tinha visto há uns tempos, que consistia num Zorro pendurado num mastro, a salvo, e metade de um tubarão, simulando uma saída da água para o atacar, pergunto:
− Viste lá um, com um tubarão?
Ele, entusiasmado:
− Vi. O tubarão tinha moooooontes de dentes!
Eu, reagindo ao seu entusiasmo:
 − E, então, não gostaste mais do outro?
E logo ele com uma expressão indignada:
− Achas?! Era MEIO tubarão! Eu lá ia dar dinheiro por MEIO tubarão!!!

 

 

 


© Sofia Bragança Buchholz (Simão no Facebook)

 

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Dia de "tiras"

por Sofia Bragança Buchholz, em 17.04.11

Simão, o Hipocondríaco (II)

 

• O Sr. António, empregado do restaurante (aka Simão)
• O Cliente (aka Eu)


Um destes dias, em casa da minha irmã, preparo-me para jantar. O Simão faz-me companhia.
A certa altura, resolvemos brincar “ao faz de conta”: eu sou o cliente que vai ao restaurante jantar; o Simão é o Sr. António, o empregado do estabelecimento.
Depois de ter encomendado o prato − note-se, devidamente aconselhado pelo Sr. António − preparando-se para o saborear, o Cliente resolve fazer conversa com o Empregado.


Cliente: − Então Sr. António, como vai essa vida? Tudo bem com o seu filho?
Sr. António: − Não, o meu filho está muito doente!
Cliente: − Ai, sim? Não me diga! O que lhe aconteceu? − Suspiro, conhecendo a “peça”, preparando-me para o que aí vem.
Sr. António: − Caiu. Partiu a cabeça e estes dentes todos − faz o gesto indicativo dos respectivos dentes. − Tem a cabeça toda… como é que se diz … com aquelas coisas brancas?!
Cliente: − Ligada? Ai, credo que horror, Sr. António!
Sr. António: − Tem de ser, senão o cérebro fica muito solto e todo baralhado.
Cliente: − Pois, isso de ter o cérebro solto deve ser, de facto, terrível. − E levo eu as minhas mãos à cabeça com tanto disparate.
Sr. António: − E dorme com várias almofadas: uma muito fofinha, uma de gelo, outra muito fofinha, outra de gelo …
Cliente: − Bem, mas tirando isso, está tudo bem, não está? A sua esposa? − Pergunto, tentando desviar o assunto daquela desgraceira.
Sr. António: − Está muito mal! Foi ontem ao hospital. Tem o baço muito mal.
Cliente: − O baço??? − Levanto os olhos do prato, espantada com o termo, duvidando que um miúdo de cinco anos, mesmo com pais médicos e adorando ver o Dr. House, saiba o que é o baço. Tranquilizo-me ao ver que ele indica o braço.
Sr. António: − Está todo partido!
Cliente: − Ó Sr. António, no meio de tanta desgraça valha-me, aí, o senhor, que está com muito boa cara e fresco que nem uma alface! − Exclamo, não desistindo do meu dever de o afastar daquela fixação pelas doenças. Mas ele arrumou comigo:
Sr. António: − Eu? Eu estou muito doente! E, olhe, saiba o senhor, sou o único que não pode ir ao hospital porque tenho de tomar conta do restaurante!

 

 

© Sofia Bragança Buchholz (Simão no Facebook: aqui)

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Dia de "tiras"

por Sofia Bragança Buchholz, em 10.04.11

Simão, o Machista

 

 • Simão

 • Eu

 

Porque os pais iam estar fora toda a tarde e ele tinha uma festa de aniversário de um colega do colégio − aonde eu o ia levar − o Simão ficou comigo naquele sábado.

Depois de ter sido, já, várias vezes, chamado para vir almoçar, resistindo sempre, entregue à magia do telejornal (leia-se: canal Panda), ele senta-se à mesa e diz:

 

– Tenho sede. Traz-me águ… − Sorri, e emenda: − Uma cerveja!

Eu olho-o de soslaio, mas alinho na brincadeira. Vou ao frigorífico e retiro uma cerveja. Pergunto-lhe:

− Esta serve?

Ele ri-se, entusiasmado, e sussurra:

− É a fazer de conta…

Pouso a cerveja. Levo-lhe a água e sento-me. Ele comunica-me, muito compenetrado:

− Hoje tenho uma reunião muito importante (onde se lê reunião, deve, ler-se festa num desses espaços que organizam divertimentos para crianças).

− Ah, sim?! − Faço-me de surpreendida. − E quem é que vai a essa reunião?

− Só rapazes − e apanha-me desprevenida com o argumento: − É que vamos falar de coisas MUITO importantes!

 

 

 

© Sofia Bragança Buchholz (Simão no Facebook: aqui)

 

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Dia de "tiras"

por Sofia Bragança Buchholz, em 03.04.11
Simão, o Hipocondríaco
 

• Simão
• A mãe do Simão
• Eu

 

Na sala, eu e a minha irmã conversamos. Ao nosso lado, o Simão brinca. Eu, cautelosa, já batida nas consultas de ortopedia desde os dezanove anos de idade, advirto:

 

− O Simão anda a queixar-se da coluna. Não achas que o devias levar ao médico?
− Qual quê, é treta! − Exclama ela, conhecedora do filho que tem. − Queres ver? − E, para me tranquilizar, pergunta-lhe:
− Simão, dói-te a coluna?
− Dói − responde ele sofrido.
− E os ovários?
− Também.
 
 

© Sofia Bragança Buchholz

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Publicidade Institucional (ou SPAM, se preferirem)

por Sofia Bragança Buchholz, em 25.03.11

Pronto, o outro já se demitiu; é fim-de-semana, vamos lá descontraír e conhecer a página do Simão no Facebook.

 

 

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É um pássaro? É um avião? Não, é o fantástico Simão!

por Sofia Bragança Buchholz, em 20.03.11

 

Agora no Facebook, com ilustrações. `Bora, ele está à vossa espera!

 

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Simão, o Senhor das Terras

por Sofia Bragança Buchholz, em 05.02.11

Personagens:

• Simão

• Eu

 

Cenário:

Para falar verdade, entrei no FarmVille por causa dos meus sobrinhos. Custava-me vê-los ali, esfalfarem-se por uma propriedade fictícia e eu, de braços cruzados, sem lhes dar uma mãozinha. Sendo eles a minha descendência – uma vez que não tenho filhos – senti-me responsável por lhes deixar uma herança: terra, tecto, meios de subsistência, mesmo que num mundo virtual. Criei uma quinta minha, para lhes poder enviar árvores, animais, presentes. Depois, vendo-me facilmente ultrapassar-lhes o nível, senti-me culpada e providenciei a posse das suas passwords para os poder ajudar ainda mais. Ou melhor, da sua password – a do Simão – porque o Martim, na sua independente adolescência, ma negou. Assim, todos os dias, alimento os seus animais, colho as suas frutas, lavro as suas terras. Todos os dias deixo a “herdade” do Simão um brinco. Mas o meu empenho foi proporcional ao seu desleixo. Arranjada a “caseira”, sua excelência dedicou-se ao ócio e apenas lá vai de vez em quando para “controlar” as actividades. Sentindo-me injustiçada, confrontei-o com o facto. Ele, com a soberba de um grande latifundiário, respondeu:

 

Acção:

 – Nunca lá vou porque não tenho tempo. Sou um homem muito ocupado.

 

Só lhe faltou estar refastelado numa poltrona, com o cachimbo ao canto da boca. Aos pés, até já tinha o labrador.

 

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Martim, o craque em História

por Sofia Bragança Buchholz, em 20.10.10
Personagens:
• Martim
, 11 anos (6º Ano do Ensino Preparatório)
• Eu

Cenário:
A escola do meu sobrinho Martim é um desses colégios privados que figuram nos primeiros lugares do ranking nacional.
Fazendo jus à fama, estamos satisfeitíssimos com os conhecimentos que ele lá adquire.
A prova foi-me dada há uns tempos, quando, incumbida de o ajudar a estudar para um teste de História, lhe perguntei que matéria estava a dar, e, ele, convicto, me respondeu sem hesitar:

Acção:
– As revoluções Pombalbinas.


Viram? Lá está, revoluções destas não se ensinam no ensino público!
 

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Simão, o Pragmático

por Sofia Bragança Buchholz, em 14.09.10

Personagens:

• Simão, 9 anos
• Mãe do Simão

• Eu

 

Cenário:

No clube de Golf o Simão queixa-se que os seus tacos já são muito pequenos. A mãe admite que precisa de lhe comprar um novo set. Eu comento que, para aquelas idades, deviam ser extensíveis para se irem adaptando à medida que os miúdos crescem. O Simão elucida-me, pragmático:

 

Acção:

− Não percebes… o golf não é para se jogar. O golf é para gastar dinheiro!

 

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Simão e o Futuro Primeiro-Ministro

por Sofia Bragança Buchholz, em 28.07.10

Personagens:

• Simão, 9 anos

• Eu

 

Cenário:

Um destes dias estive num almoço de bloggers com Pedro Passos Coelho. Na véspera, no carro, a caminho do cinema com o Simão, ocorreu-me que poderia ser engraçado saber que questões uma criança de nove anos gostaria de colocar a um candidato a futuro primeiro-ministro e perguntei-lhe, se fosse ele a estar no encontro, o que gostaria de lhe perguntar. A resposta surpreendeu-me:

 

Acção:

"− Pergunta-lhe se quando estiver no governo vai voltar a dar esperança financeira aos portugueses."

 

 

Assim mesmo, ipsis verbis.

 

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Simão, o Aprendiz de Intelectual (parte II)

por Sofia Bragança Buchholz, em 17.06.10

Personagens:
• Simão, 9 anos

• Uma data de miúdos e pais nervosos

• Eu (como narrador)

 

Cenário:

O Simão vai fazer exame para entrar para o Conservatório de Música. Na sala, uma data de miúdos esperam, nervosos. O “meu”, que raramente fica nesse estado, bufa e suspira, ansioso, e, confessa, até, que nunca dormiu tão mal na vida. Sabem que ali não é a brincar: têm consciência que não há os facilitismos da escola, que não existem boas notas porque os paizinhos vão reclamar, que não passa quem não merece. Vêem-se meninos a saírem com negativas, mães desanimadas, avaliadores impiedosos, indiferentes à fragilidade dos petizes.

As crianças esforçam-se: sentados no chão, revêem as peças que vão tocar. Em frente ao Simão, a menina russa − aquela que tocou Bach, quando ele tocou o “Balão do João”, no início do ano, lembram-se? − ensaia num teclado imaginário desenhado no soalho da sala. O Simão também. Exercita os dedos e mostra uma destreza ameaçadora, de fazer inveja a qualquer um dos presentes. Só que, para mal dos seus pecados, a jogar um jogo num Game Boy.

 

 

Post Scriptum: E, passou!

 

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Amanhã vou ver o Papa com o Simão

por Sofia Bragança Buchholz, em 13.05.10

Preparem-se para posts hilariantes.

 

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Simão e as Desculpas Esfarrapadas

por Sofia Bragança Buchholz, em 10.05.10

Personagens:

• Simão, 9 anos

• Eu

 

Cenário:

Estou na sala com o Simão. Do outro lado do vidro, no jardim, o cão da casa suplica por atenção, dando saltos descoordenados e lançando-nos olhares irresistíveis de ternura.

Eu reclamo:

 

Acção:

– Coitado do Pipe! Vocês não lhe ligam nada. Não devias estar aqui a ver televisão: devias estar lá fora a brincar com ele!

O Simão argumenta, com a desculpa mais esfarrapada que alguma vez lhe ouvi:

– Eu? Eu não, o meu irmão! Eu nunca quis um labrador chanfrado. Eu queria era um Bulldog francês.

 

Foto retirada daqui
 

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Simão, o Perspicaz

por Sofia Bragança Buchholz, em 24.02.10

 Personagens:
• Simão, 9 anos
• Eu

Cenário:
Passamos em frente de uma joalharia. Eu paro para namorar, na montra, os meus relógios predilectos: os Cartier. O Simão, ao meu lado, espreita-os, e, sarcástico, desdenha, continuando a andar:

Acção:
– Tão chiques, tão chiques, e tão ignorantes. O quatro em numeração romana não é assim que se escreve.

 

(também aqui)

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Simão e a ternura da infância*

por Sofia Bragança Buchholz, em 30.11.09

Personagens:

• Simão, 9 anos
• Eu
 
Cenário:
O Simão ia ter um teste de Estudo do Meio. Fui dar com ele deitado no sofá do quarto dos brinquedos, com o seu livro na mão, a estudar. Falava em voz alta, explicava o que era a Península Ibérica, contava que povos a haviam invadido, como havia sido formado o Condado Portucalense. Lia pausadamente, dava ênfase aos acontecimentos mais importantes, e, no fim de cada tema, resumia a matéria por palavras suas. Ao seu lado estava sentado o Riscas, o seu tigre de peluche, para quem, frequentemente, se voltava e perguntava didacticamente, como um professor empenhado:
 
Acção:
– Percebeste?
 

 

* ou “E quem é que pensava que só o Calvin tinha um amigo tigre?”
 

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Simão, o Aprendiz de Intelectual

por Sofia Bragança Buchholz, em 04.11.09

Personagens:
• Simão, 9 anos
• Eu

Cenário:
Recomeçaram as aulas de música. Ao fim da tarde, vejo o Simão entrar em casa, cabisbaixo, [surpreendentemente] pouco falador, depois da primeira lição de piano deste ano.
Estranhando, pergunto-lhe:

Acção:
– A aula correu bem?
– Sim, correu – responde desanimado.
– O que é que estiveram a fazer? – Interrogo para tentar entender o motivo de tal desmotivação.
– Tivemos de tocar uma música para a professora perceber o que ainda sabemos. – E, depois, como se aquilo o estivesse, ali, a entalar, acrescenta: – Tenho uma colega nova. Russa.
Eu repito entusiasmada:
– Tens uma colega nova russa???! – E, curiosa, quero saber: – E o que é que vocês tocaram?
Ele responde resignado:
– Eu toquei o Balão do João. Ela... – suspira profundamente – tocou Bach.

 

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O Simão chama à CDU...

por Sofia Bragança Buchholz, em 11.10.09

o partido Centenas Dezenas e Unidades.

 

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Simão, e o outro lado da Força. Ou não.

por Sofia Bragança Buchholz, em 01.10.09

Personagens:

• Simão, 8 anos
• Eu

 
Cenário:
Eu, uma Vader convicta aqui da Armada, tenho uma confissão [séria] a fazer-vos: nunca vi a “Guerra das Estrelas”.
Ontem, ao reparar, pousados na mesa do quarto dos brinquedos, em dois livros sobre o assunto, resolvo pedir ao Simão um breve e resumido – pensava eu – esclarecimento que me elucide de uma vez por todas.
Durante uma explicação longa e pormenorizada, repleta de uma catrefada de personagens horrendos e sinistros que jamais serei capaz de memorizar e que se renovam ou multiplicam a cada novo filme, eis que surge um miudinho loirinho, de ar inocente, que o meu sobrinho me assegura ser o Darth Vader. Desconfio. “Tão ignorante também não sou”, argumento. Para mim, tal maléfico personagem, usa uma máscara escura e uma capa – como tantas vezes tenho visto à rapaziada cá da casa – e respira ofegante e lentamente, quase como o país nos últimos tempos devido à tão célebre asfixia democrática. O Simão indigna-se, diz que, sim, que é ele, que está certo das suas afirmações, que é Darth Vader em criança, nessa altura intitulado Anakin Skywalker, filho de uma tal Shimi Skywalker e de um caçador que a violou (foi isto que ele me impingiu, juro, apesar da wikipédia desmentir). Céptica, interrogo-o:
 
Acção:
– Então, e a máscara?
– A máscara e aquele corpo só lho puseram mais tarde. Depois de lhe terem sido cortados os braços e as pernas e de ter ficado com a cara toda desfeita com lava.
E a cada explicação faz, convictamente, nos seus, o gesto dos membros a serem amputados e da face a ser desfigurada.
Eu, incrédula, questiono:
– Cortaram-lhe os braços e as pernas?
– Tudo! – Exclama, dramático. – E para tornar mais convincente a sua explicação, acrescenta: – Se queres que te diga, acho até que lhe cortaram a pila. Cá para mim, puseram-lhe depois uma pila robótica!
E, pronto, meus caros camaradas, perante esta explicação, não quis saber mais nada. Sobre o Darth Vader, fiquei esclarecida.
 

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Simão, o Homem de Negócios

por Sofia Bragança Buchholz, em 21.09.09
Personagens:
• Simão, 8 anos
• Martim, 11 anos
• A minha irmã
• Eu

Cenário:
Ao jantar, especulo com a minha irmã sobre o que fazer se me sair o fabuloso jackpot do Euromilhões. Os meus sobrinhos ouvem-nos. Não fazem mínima noção de quanto representa a quantia em causa. Em todo o caso, o Simão aconselha o seu investimento:

Acção:
– Por que não compras duas farmácias? Não existe melhor negócio do que o dos medicamentos!


[Eu juro que não sei onde eles aprendem isto!]
 

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Simão, o Homem dos Sete Instrumentos

por Sofia Bragança Buchholz, em 07.07.09

Personagens:
• Simão, 7 anos
• Eu
• Um grupo de amigos e os seus filhos

Cenário:
Verão, férias, calor, e um grupo de amigos reúne-se, depois do jantar, no bar do hotel, ao pé da piscina, para tomar café e conversar. Os seus filhos brincam por ali. O Simão é um deles.
De tronco nu, vejo-o brincar com duas palhinhas de plástico.
A certa altura dirige-se à nossa mesa e diz:

Acção:
– Vejam só o que eu inventei!
Debaixo de cada um dos braços – dobrados como se imitasse as asas de uma galinha – trás, enfiadas nas axilas, uma das extremidades das palhinhas. Nas outras, que segura com as mãos e que com agilidade faz chegar até à boca, sopra, alternadamente, à medida que mexe ligeiramente para cima e para baixo os braços, como se ensaiasse o bater dos membros das ditas aves. Emite um som estranho, oco, gasoso, ritmado pelo movimento dos braços que nos faz desatar a rir. Ufano com o feito, ele explica:
– Chama-se Saxo-sovaco!

 

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Simão, o Sexista

por Sofia Bragança Buchholz, em 03.06.09
© Foto: Sofia Bragança Buchholz
 
Personagens:
• Simão, 8 anos 
• Eu
 
Cenário:
Passamos em frente ao Tribunal da Relação do Porto. Imponente, a enorme estátua em bronze que se ergue defronte do Palácio da Justiça, chama a atenção do Simão. Curioso, ele pergunta:
 
Acção:
– O que é aquilo?
– Aquilo é a estátua da Justiça. É uma obra magnífica feita por um escultor chamado Leopoldo de Almeida – explico, enquanto nos aproximamos para a observar melhor. – Vês a balança que tem na mão? Significa que a justiça deve pesar bem as provas apresentadas de forma a tomar correctamente as suas decisões. Do outro lado, tem uma espada, vês? Esta representa a sua capacidade de exercer o poder de decisão.
Ele fica a admirá-la, por um momento, em silêncio. Depois, arrogante, exclama, recomeçando a andar:
– É a Justiça, a República, a Liberdade… Tudo mulheres! Depois como é que querem que estas coisas funcionem bem?!
 

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Simão e Francisco os Metrossexuais???

por Sofia Bragança Buchholz, em 17.05.09
Personagens:
• Simão
• Francisco
• Eu

Cenário:
Mais um serão a tomar conta dos meus sobrinhos.
Sentada na sala, leio tranquilamente um livro. Ao longe, vindo provavelmente do quarto dos brinquedos, oiço como ruído de fundo o habitual som das brincadeiras de dois miúdos que se adoram, mas que se tratam como cão e gato: gritarias, lutas, gargalhadas, esboços de choradeiras, enfim.
De repente, apercebo-me que a casa ficou silenciosa. Estranho. Chamo-os, mas nenhum me responde. Adivinhando prenúncio de asneira da grossa, levanto-me e galgo a escada num pulo. Do último andar reconheço, vindo da casa de banho, um som metálico, contínuo, que não identifico. Chamo-os novamente e, no mesmo instante, o ruído desaparece. Entro na casa de banho e vejo-os sentados, de rostos angélicos a olharem para mim. Desconfiada, pergunto:

Acção:
– O que estavam a fazer?
– Estávamos aqui a conversar – responde o mais pequeno, mestre na arte de endrominar.
– Que barulho era aquele? – Insisto.
– Barulho, que barulho? – Devolve-me a pergunta novamente o treteiro mais novo.
– Aquele que parecia uma máquina… – reparo que, estranhamente, têm as calças de pijama arregaçadas até aos joelhos e que o mais velho esconde alguma coisa atrás das costas. Imediatamente inquiro:
– O que tens na mão, aí atrás, Francisco?
Hesita, mas, acaba por confessar:
– Estávamos a experimentar a máquina de tirar pêlos da mãe – esclarece, ao mesmo tempo que estende a mão para ma mostrar.
Eu, atónita, olho para a máquina. Depois, olho para eles. Vejo nas suas caras a súplica pelo segredo. Volto a olhar para a máquina e… solto uma sonora gargalhada!
– Ó rapazes, isso não é uma máquina para tirar pêlos das pernas! Isso é um aparelho para tirar borboto às camisolas!
 

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Simão e a Puberdade Precoce

por Sofia Bragança Buchholz, em 12.05.09

Personagens:

• Simão

• Eu

 

Cenário:

E foi assim, de repente, que, no histórico do Magalhães dele, dou de caras com a seguinte pesquisa:

 

Acção:

“Gajas boas com mamas e cunas

 

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Simão, o exagerado

por Sofia Bragança Buchholz, em 29.01.09
Personagens:
• Simão
• Eu
• Avó
• Empregada
• Avô (como figurante)
• Mãe do Simão (como figurante)

Cenário:
A avó materna espatifou-se pelas escadas abaixo. Queixava-se de um braço, por isso chamou-se o 112. Foram executados todos os procedimentos da praxe: depois de imobilizada, foi colocada numa maca para ser transportada para o hospital.
Já no carro do INEM, ouço o Simão fatalista, do lado de fora, sussurrar, pesaroso, à empregada:

Acção:
– Pronto! Já está ligada às máquinas!
 

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E não é que o tipo foi mesmo entrevistado pela televisão?!

por Sofia Bragança Buchholz, em 14.01.09

O Simão apareceu na RTP1, no Jornal da Tarde, um destes dias.

E, pronto, é nestas ocasiões que perdemos a total capacidade de discernimento e ficamos embevecidos com a meia dúzia de palavras tímidas que as nossas crias balbuciam para as câmaras. [Que triste figura a nossa!] 

 

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Simão e o Pai Natal

por Sofia Bragança Buchholz, em 02.01.09

Personagens:

• Simão
• Mãe do Simão
• Eu (como narrador)
 
Cenário:
Este ano, pela primeira vez, o Pai Natal não apareceu em casa da minha família. Ninguém se fantasiou, ninguém fez “OH OH OH…”, ninguém fingiu descer pela chaminé às zero horas do dia 25 de Dezembro. Tal, deveu-se ao facto do Simão – que é o membro mais novo do clã – nos ter confessado ao jantar que já não acreditava na personagem.
A mãe, fingindo-se indignada, argumentou:
 
Acção:
– Mas, então, se já não acreditas no Pai Natal, por que ainda lhe escreves cartas a pedir presentes?
E ele injustiçado:
– Por que é que achas?! Olha, porque me obrigam na escola!
 

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Simão, a Personalidade do Ano

por Sofia Bragança Buchholz, em 28.12.08

Personagens:

• Simão
• Eu
 
Cenário:
Telefono ao meu sobrinho a dizer que acaba de receber um prémio na blogosfera. Ele sabe o que esta é e que frequentemente escrevo sobre ele na Internet. Explico-lhe que um senhor chamado Vasco M. Barreto lhe atribuiu o galardão “Prémio Personalidade”. “Assim como o Barack Obama ou como o Cavaco e Silva”, enfatizo, na brincadeira, entusiasmando-o.
Do outro lado da linha adivinho-lhe um largo sorriso. Depois oiço-lhe em tom soberbo:
 
Acção:
– E quando é que mandam cá a casa as revistas e a televisão para me entrevistarem?
 

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Simão, o Deserdado

por Sofia Bragança Buchholz, em 26.12.08

Personagens:
• Simão
• Eu

Cenário:
Numa loja, pergunto à empregada se tem a parka que seguro na mão num tamanho mais pequeno, ao que ela responde: “vou ver menina”.
O Simão está comigo e depois de ouvir aquilo diz-me, inocentemente:

Acção:
– Reparaste? Ela tratou-te por menina. Mas tu já tens quarenta! Tu já não és uma meni…
Nem o deixei continuar. Agarrei-me ao seu pescoço, simulando um estrangulamento:
– Olha, lá, pá, tu não queres ter presentes no Natal, pois não?! Pior, tu queres ser deserdado?!!!

 

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Simão e o Natal

por Sofia Bragança Buchholz, em 23.12.08

Personagens:

• Simão

• Eu

 

Cenário:

No início do mês de Dezembro, dei ao Simão e ao Tomás um calendário de Natal. Para quem não sabe, este é, assim, uma espécie de “amortizador de ansiedade” da miudagem, constituído por 24 janelinhas, cada uma das quais com um chocolate dentro, que se vai retirando, um de cada vez, claro, todos os dias, até 24 de Dezembro, dia esse, em que as crianças terão direito, então, ao tal presente a sério, o tão, ansiosamente, esperado. Contudo, o Simão não resistiu e alguns dias depois foi apanhado pela mãe a lambuzar-se com o vigésimo quarto chocolate.

Quando soube, eu, a gozar, mas num tom sério a armar-me em moralista, repreendi-o:

 

Acção:

– Comeste os vinte e quatro chocolates todos de uma vez?! Que vergonha, Simão! Que vergonha!...

E ele, com um sorriso meio atrapalhado, mas com a maior das latas:

– Então, o Natal não é quando um homem quiser?!

 

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Simão, o [Estafermo] Materialista

por Sofia Bragança Buchholz, em 12.12.08

Personagens:
• Simão
• Eu

Cenário:
Enquanto, no quarto, a arder em febre, me desfaço com uma gastroenterite, ouço, esperançada, na sala ao lado, a voz do Simão, a brincar. Antevejo, feliz, a minha salvação e desidratada suplico-lhe:

Acção:
– Simão, fazes-me um grande favor? Vais lá abaixo, à cozinha, buscar-me água?
A hesitação da sua resposta parece-me uma eternidade e a sentença da mesma, mata-me:
– Só vou se me deres três moedas.
 

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Um bom método para esquecer a tristeza

por Sofia Bragança Buchholz, em 04.12.08
Personagens:
• Simão, 8 anos
• Eu
 
Cenário:
Apesar de ele garantir que este era eficaz, optámos por outro método, para combater a minha tristeza:
 
Acção:• LEGO Technic 8296 Dune Buggy
• 199 Peças
• Mais de hora e meia despendida na construção
•Contém também instruções para ser construído como tractor. [Ele que não se lembre!]
 
E ainda tive direito a um “mimo” quando me perdia com as peças minúsculas: “Porquê que as pessoas de idade nunca vêem bem? – Simão dixit
 
Não há melhor remédio, acreditem: sentirmo-nos miseráveis é, seguramente, a melhor forma de nos esquecermos que estamos mal!

 

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É tramado ser-se Adulto

por Sofia Bragança Buchholz, em 30.11.08

Personagens:

• Simão, 8 anos
• Eu
 
Cenário:
Um destes dias, o Simão apanhou-me de lágrimas nos olhos. Quis saber o que tinha; respondi-lhe que nada. Insistiu, e expliquei-lhe que, às vezes, a vida dos adultos é complicada. Para desvalorizar o assunto, pedi-lhe a opinião e perguntei-lhe o que costumava fazer para se sentir melhor, quando estava triste. Respondeu-me convicto do seu método:
 
Acção:
– Bater no meu irmão.
 
[Ai, quem me dera! Quem me dera poder fazer o mesmo, caraças!...]

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Simão, o Actor Dramático

por Sofia Bragança Buchholz, em 28.11.08
Personagens:
• Simão, 8 anos
• Tomás, 10 anos
• O tio S.
• Eu
 
Cenário:
Sabendo do gosto – e queda – do Simão pelas artes dramáticas, resolvemos levá-lo – e ao irmão – ao teatro.
Era uma peça diferente, intitulada “Boca de Cena”, que decorria durante um jantar.
Várias vezes eram feitas alusões satíricas ao tipo de alimentação que fazemos, desde o pobre leitãozinho que só queria ser uma estrela e que acaba assado no forno a uma exorbitância de graus; até ao desafortunado Ronald McDonald que, deslizando nuns patins de rodinhas, aparece para nos trazer uma Happy Meal, e termina assassinado pelo cozinheiro de serviço. Foi exactamente nesta cena, em que este persegue de faca em riste o infeliz boneco, que o Simão – que adorou a peça, diga-se, e que estava previamente avisado que esta era pura ficção e dos eventuais sustos que algumas partes lhe podiam causar – atemorizado com a ideia da extinção da sua refeição favorita e do seu restaurante predilecto, não resiste, se levanta e, dramaticamente, grita, implorando aos actores:
 
Acção:
– Nãoooo! O McDonald não! Não matem o Ronald McDonald! Pleaseeee!
 
[vídeo com a cena em questão aqui]

 

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Simão, o Clássico

por Sofia Bragança Buchholz, em 26.11.08
Personagens:
• Simão, 7 anos
• O instrutor de golfe
• Eu (como narrador)

Cenário:
No clube de golfe, o meu sobrinho Simão tem aulas com o seu professor.
Depois de várias instruções e de múltiplas tentativas goradas, o Simão argumenta, sem querer dar o braço a torcer:

Acção:
– Eu tenho um estilo diferente. Digamos que é um estilo mais clássico de golfe.
 

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Simão, o Náufrago

por Sofia Bragança Buchholz, em 20.11.08

Personagens
• Simão, 7 anos
• Eu
• A minha irmã

Cenário:
Jantámos num restaurante. Já no fim do repasto, o meu sobrinho Simão, aborrecido, farto de ali estar, queixa-se que nunca mais vamos embora. Eu, entretida em conversas com a minha irmã, sugiro que ele brinque a qualquer coisa para se distrair. Contrariado, ele lá vai.
Vejo-o pedir uma caneta ao empregado. Vejo-o escrever qualquer coisa num guardanapo de papel que, de seguida, transforma num rolinho. E vejo-o enfiar o guardanapo numa garrafa vazia que, num frapé enorme, ao nosso lado, bóia no gelo já derretido.
Quando estamos quase a levantar-nos para sair, pergunto-lhe se posso ler o que escreveu. Ele, solícito, responde:

Acção:
– Claro!
E dá-me para a mão a garrafa a pingar.
Retiro-lhe com um estalido oco a rolha e recolho o papel que desenrolo com cuidado. Neste podia ler-se:
Socorro! Salvem-me, por favor! Estou preso num restaurante, "refain" de duas chatas!

 

[repost daqui]

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Simão e a Crise

por Sofia Bragança Buchholz, em 16.11.08
Personagens:
• Simão, 8 anos (aka, Senhor António)
• Eu

Cenário:
Ao entrar no quarto do meu sobrinho, pergunto-lhe, em forma de cumprimento:

Acção:
– Então, como é que vai a vida?
– Muito mal! Estou desempregado! – Responde em tom desolado.
– Ai sim? – E lembrando-me de que ele, nas suas brincadeiras de faz de conta, costumava encarnar um personagem que tinha um restaurante, alinho na dramatização:
– Mas, e o seu restaurante? O Senhor não tinha um restaurante?
– Faliu – informa-me, fatalmente.
– Oh, coitado, Senhor António!... – Lamento, dirigindo-me a ele no seu nome fictício.
Ao ver o meu desânimo, ele chama-me à parte e sussurra-me como quem conta um segredo que não se quer ouvido por mais ninguém:
– Vendi-o. Deu-me muito dinheirinho; está guardado. Mas, aqui entre nós, para todos os efeitos, para os outros, estou desempregado, ok?!

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Simão em: Ena, chegou a parte literária da coisa!

por Sofia Bragança Buchholz, em 07.11.08

Personagens:
• Simão, 8 anos (3ª Ano do Ensino Básico)
• Eu

Cenário:
O Simão ia ter teste de Estudo do Meio. Para o ajudar a preparar-se para tal, tento inteirar-me da matéria:

Acção:
– O que é que vai sair na avaliação da amanhã, Simão?
E ele, logo, prontamente:
– O Aparelho Digestivo e o Sistema Escritor.


[Aqui para nós, não vejo a hora de ele aprender a o Aparelho Reprodutor!…]

 

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Tomás em: "Linda de cair para o lado... da cadeira!"

por Sofia Bragança Buchholz, em 05.11.08

Personagens:
• Tomás, 10 anos
• Eu

Cenário:
Este fim-de-semana, o meu sobrinho Tomás veio passar a tarde comigo.
Lá fora, o dia escuro, invernoso, pouco convidativo ao passeio, faz-nos ficar em casa.
Aproveito para pôr o descanso em dia e, deitada em cima da cama, dormito.
Na secretária em frente, o Tomás navega na Internet.
A certa altura, pergunta:

Acção:
– Como é que se escreve Sócrates?
Ensonada, soletro mecanicamente:
– S-o-c-r-a-t-e-s. Com acento no “ó”.
Ele, concentrado, continua a sua pesquisa, e eu preparo-me para me entregar ao reino dos sonhos.
Pouco tempo depois, questiona novamente:
– E Cavaco e Silva?
– Como se lê, Tomás – respondo distraída, já longe, quase, quase a deixar-me cair nos braços de Morfeu.
Passado um bocado, insiste:
– E Salazar? É com “z” ou com “s”?
A surpresa pelo seu súbito interesse por esta temática, desperta-me. Levanto-me de rompante e dirijo-me para ele, curiosa.
– Porque estás tão interessado em todos estes políticos? – Interrogo-o, orgulhosa pelo facto, sentando-me na cadeira ao seu lado.
Ele explica:
– Porque se escrever Salazar no Google, aparece-me, na segunda página das imagens,
esta rapariga linda morrer! – E aponta para o monitor com os olhinhos a brilhar. Depois acrescenta: – Os outros políticos, só perguntei, porque não tinha a certeza com que nome é que tinha de pesquisar.

 

Na foto: Luciana Salazar/ © Foto: ?

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Simão e… Uma boa trampa é o que é!

por Sofia Bragança Buchholz, em 22.10.08
 
 
Personagens:
• O meu sobrinho Simão, 8 anos (3º ano do Ensino Básico)
• Eu

Cenário:
Desta vez foi a estudar o Aparelho Digestivo.
Depois de enumerar correctamente as suas componentes remata convicto:

Acção:
– E no fim do intestino grosso fica o restos.


Ora, bem vistas as coisas, nem anda muito longe da verdade!

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Mas onde é que eu já vi isto?!*

por Sofia Bragança Buchholz, em 10.10.08
 
Personagens:
• O meu sobrinho Tomás, 10 anos (6º Ano do Ensino Preparatório)
• O meu sobrinho Simão, 8 anos
• Eu

Cenário:
Eu e o Simão estamos na sala.
Em cima de um dos sofás descansa um saco de plástico repleto de guloseimas: gomas, chocolates, Sugos, etc.
O Tomás entra, e, sobressaltado, precipita-se para o saco, ameaçando-nos:

Acção:
– Livrem-se de tocarem nesse saco, ouviram?! – Adverte, agarrando-o.
Nós, surpreendidos, inquirimo-lo com o olhar.
Vestida, traz uma t-shirt onde, à frente, estampado, se pode ler: “Vota lista A”.
Estranhando-lhe o comportamento – habitualmente generoso e altruísta – pergunto-lhe:
– Porquê?
De costas, concentrado, ele confere se, se encontra intacto o número de exemplares dentro do saco.
Na parte de trás da t-shirt vejo escrito: “Representante da lista A”.
Faz-se luz no meu espírito! E, antes que ele me pudesse responder, chocada, questiono-o:
– Não me digas que esses doces são para comprarem os vossos eleitores?
E ele, voltando-se para mim, com o maior dos desplantes:
– Não. São só para nos assegurarmos de que eles votam. Em nós, claro!


*ou "Tomás, o Político"
 
[repost daqui]

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O Marketing do Governo

por Sofia Bragança Buchholz, em 02.10.08

 © Foto: Nuno Veiga/ Lusa

 

O meu sobrinho, de 7 anos, quer um “Magalhães”. Tem um Macintosh na secretária, mas quer um “Magalhães”. Quando lhe digo que o que tem é muito melhor, argumenta que não é portátil. Nem é azul. Nem – quer-me parecer – tem uma data de miudagem e a comunicação social a falar sobre ele.

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Simão e… Um molho de brócolos é o que é!

por Sofia Bragança Buchholz, em 25.09.08

• Simão, 7 anos (3º ano do Ensino Básico)

• Eu

 

Pergunto ao meu sobrinho Simão se já fez o trabalho de casa de Estudo do Meio sobre o Aparelho Respiratório que lhe faltava fazer. Ele, já completamente a leste, de olhos colados à televisão, responde-me, distraído, que sim.

Pego no caderno para confirmar e vejo escrito:

 

"O Aparelho Respiratório é composto por Fossas Nasais, Faringe, Laringe, Traqueia, Brócolos e Pulmões."

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Mas que raio de "mister" eu fui arranjar!

por Sofia Bragança Buchholz, em 03.07.08

Personagens:

• Tomás, 10 anos
• Simão, 7 anos
• Catarina, 11 anos
• Eu (isso, agora, não interessa mesmo nada)

Cenário:
Ontem à noite, num relvado de um campo de futebol de um conhecido colégio da cidade, eu jogava heroicamente futebol com três crianças.
Às páginas tantas, já o coração parecia querer saltar-me a galope pela boca, tal o esforço que o exercício me exigia, dobro-me, apoio as mãos nos joelhos e, ofegante, informo resignada:

Acção:
– Desisto! Já estou velha para isto!
O meu sobrinho mais velho, sempre cordial e amigo – mas também consciente de que a equipa se desmoronava e que lá se ia a brincadeira – incentiva-me:
– Vá lá, não desistas! Tu jogas muito bem!...
Lisonjeada, levanto a cabeça numa derradeira tentativa de continuar, mas, o argumento – supostamente encorajador – que se segue, cai sobre mim como um balde de água fria, fazendo-me definitivamente resignar da minha posição de avançado:
– … tu jogas, quase, tão bem como o meu pai!
É que não estão a ver o meu cunhado, um fumador incorrigível, com uns bons valentes quilos a mais, nada dado a actividades físicas e que de desportivo, meus caros leitores, só tem o BMW descapotável na garagem.
 

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Existe um quê de Mourinho neste meu sobrinho Simão...

por Sofia Bragança Buchholz, em 03.06.08

Personagens:
• Simão, 7 anos
• Eu

Cenário:
Nos degraus da escada, atrasando a sua ida para a cama, vejo o Simão pensativo. Sentando-me ao seu lado, pergunto-lhe:

Acção:
– O que tens? Estás triste?
– Não! Estou só aqui a pensar numas coisas para o teste de amanhã. Tenho de saber o que são sinónimos e antónimos – informa.
Eu relembro:
– Sinónimos são palavras que têm o mesmo significado. Antónimos…
– Eu sei, eu sei, são palavras com significados contrários! – Assegura.
– Muito bem! – Aplaudo.
E, depois, testo:
– Qual é o antónimo de silencio, sabes?
– Barulho! – Responde sem hesitar.
– E o sinónimo de belo?
E ele com a maior das latas, com um sorriso convencido nos lábios, apontando para si próprio:
– Eu, claro!

 

 

[repost daqui]

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Simão e as Verdades [quase] Absolutas

por Sofia Bragança Buchholz, em 02.05.08

Personagens:
• Eu
• Simão, 7 anos
• O cão Spike, 3 meses

Cenário:
Procuro o Simão pela casa toda. Chamo, espreito, vasculho cada divisão, debalde grito o seu nome.
A intuição guia-me até ao jardim. De dentro da casota do cachorro, ouço sons de consolo, palavras meigas, ditos elogiosos. Espreito e vejo o pequeno labrador deitado e o Simão ao seu lado, entre ossos roídos e brinquedos lambuzados de baba canina, acariciando-lhe ternamente o pêlo azeviche aveludado, gabando-lhe as qualidades de carácter, de comportamento e de beleza.
Indignada, repreendo:

Acção:
– Sai já daí! Que porcaria, vais ficar todo sujo e a cheirar a cão! O que estás aí a fazer?!
Ele responde-me enobrecido, com a grandeza de quem fala as verdades absolutas:
– Estou em casa do meu melhor amigo!

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Simão e os Tempos Modernos

por Sofia Bragança Buchholz, em 29.04.08

Personagens:
• Eu
• Simão, 7 anos (2ª ano do Ensino Básico)

Cenário:
Num caderno de trabalhos de casa, o Simão tem anotadas as revisões da matéria para o teste de Estudo do Meio, do dia seguinte. A temática é os animais, a sua classificação, deslocação, alimentação e reprodução.

 

Folheio-o e, numa das páginas, posso ver escritos com uma caligrafia mal desenhada os seguintes exemplos:

Acção:

 

Homem: são mamíferos, nascem no ventre da mãe, têm o corpo coberto por pêlos, deslocam-se andando e comem carne e plantas.

 

Galinhas: são aves, nascem de ovos, têm o corpo coberto de penas, deslocam-se andando e comem grãos.

 

Cão: são mamíferos, nascem no ventre da mãe, têm o corpo coberto por pêlos, deslocam-se andando e comem ração Royal Canin Júnior.

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Simão em “Quem sai aos seus não degenera!”

por Sofia Bragança Buchholz, em 03.04.08

Personagens:
• Simão (7 anos)
• O destrambelhado Labrador de 3 meses, Spike
• O coelho Skubidu
• Eu


Cenário:
Há uns dias, foi tempo de apresentar o coelho Skubidu, habitante antigo lá de casa, ao novo cachorro, já vosso conhecido.
No jardim, o destrambelhado Labrador de três meses corre desembestado de um lado para outro, trava tardiamente, esborrachando-se contra nós e contra as coisas, para logo recomeçar numa correria infernal, as orelhas a esvoaçar, feliz, os olhos esbugalhados, de satisfação.
O meu sobrinho Simão chama-o. Ao colo tem o pobre Skubidu, coelho matreiro e arisco, sempre pronto a ferrar os seus dentes compridos num dedo, ou a bater as patas num “coice” imponente para a sua estatura.
O Spike avista-o e, na sua excitação e curiosidade, precipita-se para o coelho descoordenadamente. Eu, cautelosa, aviso o meu sobrinho:

Acção:
– Cuidado, Simão, olha que ele ainda pensa que o coelho é o almoço...
O meu sobrinho aconchega melhor o roedor ao colo e determinado adverte o cachorro:
– NÃO, Spike, NÃO! O Skubidu não é para o almoço! E depois ironicamente – porque quem sai aos seus não degenere – atira, gozão: – É para o jantar… E só se te portares bem, ouviste?!

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Simão e as Aves Exóticas

por Sofia Bragança Buchholz, em 30.01.08
Personagens:
• Simão (7 anos)
• Eu

Cenário:
Falava-se de animais de estimação: cães, gatos, coelhos, pássaros… Sai-se o Simão com esta:

Acção:
– Tenho um amigo que tem um Piri-Piri.
– Um QUÊ???
Gargalhada geral.

– Um piriquito, queres tu dizer!
E ele orgulhoso, sem dar o braço a torcer:

– Não, não, é mesmo um Piri-Piri. É uma ave exótica.

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